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Coronavírus
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85% dos bares e restaurantes que pediram empréstimos tiveram propostas recusadas, aponta pesquisa 

A terceira pesquisa da série Covid-19 realizada pela Associação Nacional de Restaurantes (ANR) mostra também que 3 entre cada 4 empresas já realizaram demissões

13:48 | 21/05/2020
Floresta Bar, em Fortaleza, fechou por causa da crise da Covid-19  (Foto: Divulgação )
Floresta Bar, em Fortaleza, fechou por causa da crise da Covid-19 (Foto: Divulgação )

A conquista de crédito por bares e restaurantes tem se transformado em um novo ponto de atenção para o setor. A terceira pesquisa da Associação Nacional de Restaurantes (ANR) da série Covid-19 apontou que 85% das empresas que fizeram pedidos de empréstimo para instituições financeiras tiveram propostas recusadas.

A pesquisa foi realizada com os associados da ANR de 10 a 14 de maio. A entidade representa mais de 9 mil pontos comerciais no País, entre redes, franquias e restaurantes independentes. O setor empregava antes da crise cerca de 6 milhões de trabalhadores e faturava R$ 400 bilhões anualmente, até 2019. A ANR estima que cerca de 1 milhão de pessoas já perderam o emprego no setor desde o início da crise. A nova pesquisa apontou que 3 entre cada 4 empresas já demitiram parte dos seus funcionários (76,9%).

21% das empresas que participaram afirmam que não devem conseguir manter seus negócios após a crise, de acordo com os dados. O setor tem cerca de 1 milhão de empresas em todo o país, conforme a associação. Até 200 mil empresas podem fechar, segundo a entidade, principalmente entre micro e pequenas, sem acesso a crédito.


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Para o presidente da ANR, Cristiano Melles, a questão do crédito passou a ser um grande problema no setor, uma vez que antes da pandemia muitas empresas recorriam à antecipação de recebíveis de cartão. “Muitos empresários estão relatando uma série de dificuldades nessa área, o que prejudica ainda mais o setor”, afirma em nota.

A principal bandeira da associação nesse momento, segundo Melles, continua sendo a ampliação dos prazos da MP dos Salários (MP 936). A entidade defende a extensão dos prazos de 60 para 120 dias para suspensão de contratos e de 90 para 150 dias para redução de jornada.

Outra frente de atuação da entidade é a defesa pela redução das taxas cobradas pelos aplicativos de delivery, um dos únicos meios de receita para bares e restaurantes hoje, ao lado dos serviços de drive-thru e retirada no balcão. 78% dos entrevistados na atual pesquisa responderam que fizeram uso da MP dos Salários para conseguir pagar a folha de pagamento de abril.

Na pesquisa também foi perguntado sobre o faturamento dos restaurantes após a crise. 40% dos entrevistados disseram que, apenas com delivery, não chegam a faturar nem 10% da receita antes da crise. Outros 29% faturam hoje de 11% a 30%.

Um novo dado trazido pela pesquisa dá a dimensão da crise no setor: 32% das empresas entrevistadas com mais de uma loja afirmaram que já tiveram que fechar algumas unidades em definitivo. Sobre a folha de pagamento de maio, a ser paga no quinto dia útil de junho, 68,45% afirmaram que não dispõem de recursos do caixa para os salários e terão que recorrer a empréstimos de bancos ou novas linhas de crédito.

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A Associação Nacional de Restaurantes é uma entidade de âmbito nacional, que representa empresários e colaboradores do setor de food service em suas relações com os poderes públicos, entidades de classe e junto à sociedade em geral. Os associados da ANR reúnem hoje mais de 9 mil pontos comerciais no Brasil, entre restaurantes independentes, franquias e grandes redes de alimentação.


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