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Ilhados pelo coronavírus, turistas cearenses retornam de moto ao Brasil após prazo permitido na Argentina expirar

Por falta de opção para regresso, Patrícia e Bruno irão sair de moto, de Rio Gallegos, na Argentina, até chegar à fronteira com o Brasil, onde pretendem fazer isolamento pós-viagem antes de voltar a Fortaleza

Lucas de Paula
18:36 | 08/05/2020
Início do
Início do "mochilão" de Patrícia e Bruno foi ainda em novembro, antes do primeiro caso de coronavírus na China (Foto: Acervo pessoal)

O casal Bruno Ventura e Patrícia Borboleta se arriscou, ainda em novembro, em um mochilão pela América Latina. O que eles jamais imaginariam seria a aventura ter uma pandemia como obstáculo. O plano era visitar o maior número possível dos países planejados, mas devido ao isolamento social, um problema na moto enquanto estavam na Argentina e ao esgotamento do prazo permitido para eles ficarem no País, os dois cearenses agora se veem obrigados a retornar ao Brasil.

Sobre rodas, o motoqueiro Bruno e a namorada Patrícia viajaram apenas na companhia um do outro e da Wings — como chamam a motocicleta dos anos 2000. A palavra, que significa "asas" em inglês, foi escolhida para nomear o veículo antes mesmo de os dois namorarem. A grande coincidência, na verdade, está no par de asas tatuado nas costas de Patrícia, também antes de conhecer Bruno. De uma forma ou de outra, o amor pela liberdade acabou fazendo com que se encontrassem.

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Juntos, eles viajaram na moto modelo Virago 250 por 11 estados do Brasil até chegarem à fronteira com o Paraguai. “Passamos por tempestade, chuva de granizo na estrada, por dentro de rio, estrada de rípio… Foi uma loucura muito boa”, revela Patrícia ao O POVO. A partir daí, passaram por Paraguai, Uruguai e Chile até chegarem à Argentina.

Foi lá que a moto apresentou defeito. Os dois, que sempre resolviam sozinhos os problemas da Wings, acabaram precisando de um mecânico na cidade de El Calafate. Pela primeira vez em muito tempo a moto estava em outras mãos — o que, segundo eles, piorou, já que o motor dela acabou destruído.

Sem alternativa, o casal acabou pegando carona na estrada e jogando a moto dentro de um veículo, rumo a uma cidade chamada Rio Gallegos, ao sul da Argentina. De lá, com muita dificuldade, encomendaram as peças que viriam de Buenos Aires para consertar o motor.

Os dois passaram por vários países, como Paraguai, Uruguai (foto) e Argentina, além de 11 estados brasileiros
Os dois passaram por vários países, como Paraguai, Uruguai (foto) e Argentina, além de 11 estados brasileiros (Foto: Acervo pessoal)

As peças chegaram, mas, ao mesmo tempo, chegou também a pandemia do novo coronavírus. Assim, perderam-se os planos do casal de conhecer Peru e Bolívia em uma viagem sem data para acabar. “Fecharam tudo aqui, inclusive a retífica com nossas peças. Estávamos até a poucos dias esperando que consertassem a moto e também esperando, por prudência, tentar de alguma forma prolongar mais nossos dias aqui em isolamento e não nos locomovermos em meio a pandemia”, explica Patrícia.

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Apesar da tentativa de permanecer no País, o casal foi surpreendido ao ser informado da impossibilidade de aumentar a estadia de 90 dias, que já havia sido estendida por um mês como forma de dar tempo aos estrangeiros para se organizarem.

O casal viaja trabalhando e levantando dinheiro no caminho, mas devido ao isolamento social estão parados. Patrícia atua como tatuadora, fazendo contrato com estúdios durante as viagens, já Bruno vende videogames a distância e auxilia a namorada no trabalho dela. “Assim que anunciaram a pandemia aqui, nos isolamos, portanto, uma hora o financeiro irá "apertar" por aqui”, diz Bruno.

Agora os dois voltarão de moto, cruzando grande parte da Argentina até chegar à fronteira com o Sul do Brasil, onde pretendem fazer isolamento pós-viagem antes de voltar a Fortaleza, visando resguardar a saúde dos dois. “Prevenir sempre é melhor. Vamos esperar no Sul do país, aguardando que cheguem dias melhores para nossa cidade Fortaleza, que no momento está em uma situação preocupante por conta da pandemia”, explica o motoqueiro.

Casal acabou tendo problemas na moto no gelado sul da Argentina
Casal acabou tendo problemas na moto no gelado sul da Argentina (Foto: Acervo pessoal)

Para subirem na moto e, de fato, voltarem ao Brasil falta apenas receberem uma permissão para irem até a fronteira. Segundo e-mail do consulado brasileiro, o documento será fornecido até este sábado, 9. “Não há vôos no momento de onde estamos e quando encontramos para datas mais distantes são sempre com valores que não são acessíveis, além de termos que custear seis passagens de avião do nosso bolso pra conseguir chegar a Fortaleza, correndo risco nos aeroportos”, conta Patrícia.

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Os dois pretendem se hospedar na casa de algum amigo de um grupo de motoqueiros que fazem parte. “Iremos de moto acampando na estrada, evitando ao máximo contato com pessoas, levando nossa própria comida. Cerca de uma semana na estrada (se não houver imprevistos) até chegar onde precisamos para isolamento”.

No canal do YouTube a dupla divide as dores e delícias de viver sob rodas. Com pouco mais de mil inscritos, diversas histórias se encontram lá.

Confira vídeo: