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Coronavírus
NOTÍCIA

Roberto Cláudio faz críticas à postura do governo federal em live com organizações internacionais

Diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, participou de live organizada pelo Instituto Brasil África (Ibraf) nesta quinta-feira, 7

Flávia Oliveira
16:22 | 07/05/2020
Roberto Cláudio, prefeito de Fortaleza. ( Foto: Júlio Caesar / O Povo) (Foto: JÚLIO CAESAR)
Roberto Cláudio, prefeito de Fortaleza. ( Foto: Júlio Caesar / O Povo) (Foto: JÚLIO CAESAR)

Um diálogo internacional para a troca de experiências em meio à pandemia foi o objetivo da videoconferência que aconteceu ao meio-dia (horário de Brasília) desta quinta-feira, 7. Estiveram conectados Tedros Adhanom, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Olive Shisana, assessora especial de Política Social da Presidência da República da África do Sul, e Jorge Chediek, diretor do Escritório das Nações Unidas para a Cooperação Sul-Sul e o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio.

Diante do cenário atual que destacou os pontos fracos nas políticas de saúde pública em todo o mundo, mesmo nos países desenvolvidos, os participantes elencaram os desafios em suas realidades, visto que a falta de estrutura e recursos colapsou os sistemas de saúde.

“Temos visto vários atos de solidariedade em Fortaleza. Comunidades se ajudando e se apoiando, com doações de mantimentos básicos vindos de vários lugares, tanto de empresas quanto de pessoas - não só da capital mas de todo o Brasil”, afirmou, quando questionado sobre as ações de solidariedade que têm ocorrido. Roberto Cláudio disse, no entanto, que apesar da pandemia ter exposto um lado bom da sociedade, era também necessário destacar os problemas na condução por parte do presidente da República, que estaria frequentemente dando maus exemplos e não conseguiria integrar os poderes para o enfrentamento.

“Vamos enfrentar muitas más consequências ainda por conta dessa postura”, apontou. “Na verdade, muitos dos problemas que já estamos enfrentando vêm da postura do nosso presidente da República”, completou. “O lockdown que está sendo implantado em Fortaleza é uma medida para tentar conter o caos no sistema público de saúde, que não está dando conta da quantidade de infectados, cada vez crescente”, disse.

Tedros Adhanom lamentou o fato de que muitos dirigentes não têm conduzido a população de seus países a cumprir o isolamento social, mas preferiu destacar as ações de solidariedade e cooperação entre países. “Será impossível para uma nação apenas enfrentar um problema de escala global. E é uma pena que outros não estejam isolando de forma eficiente seus cidadãos”, ressaltou.

Roberto Cláudio apresentou também como experiência local a cooperação não só entre as instituições públicas, mas também com a iniciativa privada, e que o comitê formado com o objetivo de enfrentar a pandemia se debruçou sobre dados e evidências científicas para a aplicação de políticas públicas para, dentre outras ações, minimizar os efeitos socioeconômicos do isolamento social na população.

O prefeito apontou também os problemas para a obtenção de equipamentos no mercado local e da necessidade de obtê-los por meio de importações, as quais ficaram cada vez mais difíceis à medida que a pandemia avançava no mundo. “Como um aprendizado da pandemia, espero que o sistema público de saúde saia fortalecido e consiga experimentar um grande desenvolvimento”, afirmou.

O debate foi mediado pelo professor João Bosco Monte, fundador e presidente do Ibraf, ong com sede em Fortaleza e em Acra, capital de Gana, que fomenta ações em prol do desenvolvimento socioeconômico do Brasil e da África.