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Coronavírus
NOTÍCIA

Estudo da Prefeitura prevê 30 de maio como limite para colapso de atendimento em UTIs na Capital

Relatório descreve cenário como "dramático" para a demanda da Covid-19 em leitos de terapia intensiva

Cláudio Ribeiro
13:28 | 07/05/2020
Projeção do colapso no atendimento de UTIs em Fortaleza, segundo o
Projeção do colapso no atendimento de UTIs em Fortaleza, segundo o "Relatório Covid-19 - expansão do contágio e exaustão do sistema" (Foto: reprodução)

"Se o crescimento de casos (de Covid-19) ocorrer de forma linear, o número de leitos de UTIs disponíveis não será suficiente para atender à demanda por esse tipo de atendimento, mesmo considerando a expectativa de implantação de novos leitos", admite o "Relatório Fortaleza COVID-19 - expansão do contágio e exaustão do sistema". Pelo documento, que O POVO teve acesso, levando em conta a quantidade de mortes, os casos registrados e a grande subnotificação, a projeção é de um setor colapsado no dia 30 de maio ou pouco antes disso.

O documento é assinado pelos médicos Antônio Silva Lima Neto e Magda Moura de Almeida, que atuam na Vigilância Epidemiológica e na Regulação de Leitos em Fortaleza. O adjetivo "dramático" é usado para descrever "a imensa pressão que se estabeleceu sobre a rede pública de saúde de Fortaleza", diante da pandemia. O estudo fundamenta a necessidade de isolamento social com medidas mais rígidas.

Mesmo com a implantação de quase 340 leitos de UTI em 40 dias, somente na Capital, o cenário da doença seguiu se agravando e o incremento de 63% vagas de terapia intensiva não deram conta da demanda.

No Estado, foram mais de 460 leitos, incluindo a Região Metropolitana de Fortaleza (Maracanaú, Caucaia e Itapipoca), cidades médias do Interior (Iguatu, Crateús e Tianguá) e ampliação nos hospitais regionais do Cariri, Sertão Central e Sobral. No total, 126 novos leitos no Interior. Isso amenizou a remoção de pacientes para a Capital, segundo o relatório.

Por dia, foram criados oito novos leitos de UTI no Estado. Os hospitais Leonardo da Vinci (230 leitos, 115 de UTI ocupados) e Batista (7 leitos) foram adquiridos para reforçar a capacidade de atendimento. Também foram ampliadas as vagas de terapia intensiva nos hospitais César Cals, Messejana, Hospital Geral de Fortaleza (HGF) e expansão de vagas com a adaptação do anexo do Instituto José Frota (IJF2), Hospital da Mulher e Frotinha de Antônio Bezerra. No gramado do estádio Presidente Vargas foi construído um hospital de campanha para a mesma finalidade.

Há casos confirmados da Covid-19 em 162 dos 184 municípios cearenses. São 12.644 registros confirmados e 854 mortes, até a manhã desta quinta-feira, 7, conforme a plataforma IntegraSUS.

 

TAXA DE OCUPAÇÃO DE LEITOS DE UTI EM FORTALEZA

HOSPITAL LEITOS OCUPAÇÃO
IJF 2 50 94%
HGF 51 100%
Messejana 59 96,61%
Hospital de Campanha do PV 10 100%
Hospital Geral César Cals 21 100%
Hospital Leonardo da Vinci 115 90,91%
Hospital São José 8 100%
Hospital da Mulher 8 100%
Hospital Batista 7 100%
Frotinha Antônio Bezerra 8 100%

Total leitos UTI na Capital: 337

Fonte: Relatório Fortaleza Covid-19 - expansão do contágio e exaustão do sistema