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Coronavírus
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Em reunião com empresários, Cabeto alerta para estrangulamento do sistema de saúde do Ceará

Titular estadual da Saúde prevê piores semanas de combate à pandemia no mês de maio e risco de colapso do sistema

Henrique Araújo
23:37 | 29/04/2020
Secretário da Saúde do Estado, Dr. Cabeto (Foto: JÚLIO CAESAR)
Secretário da Saúde do Estado, Dr. Cabeto (Foto: JÚLIO CAESAR)

Em reunião virtual da comissão estadual que discute medidas para retomada do trabalho no Ceará, o secretário da Saúde do Estado, o médico Carlos Roberto Martins Sobrinho, o Cabeto, alertou representantes do setor produtivo para o estrangulamento do sistema hospitalar nos próximos dias por causa da pandemia do novo coronavírus.

De acordo com fontes que participaram do encontro, o titular da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa) disse que a rede de unidades públicas está perto do limite da exaustão. No Ceará, o percentual é de 82% de ocupação dos leitos de UTI. Já na Capital o dado é de 98%.

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Hoje, conforme a Sesa, seriam necessários ao menos 50 novos leitos de UTI por semana para atender a demanda de pacientes graves, mas o Governo esbarra na dificuldade de obter insumos e equipamentos, como os ventiladores mecânicos, e em habilitar leitos.

Na videoconferência, a segunda desde que o grupo que reúne Estado e entidades foi criado, o secretário também afirmou que, neste cenário, com mais de 450 mortos por Covid-19 no Ceará e outras centenas de casos suspeitos, qualquer medida de afrouxamento do isolamento social pode resultar “em colapso”.

“Estão propondo que a gente defina um protocolo de volta ao trabalho, mas que chegue ao consenso que o momento não é agora”, contou um dos presentes ao encontro. “Sobre o protocolo, todos concordam. Mas chegamos ao limite, e isso está preocupando.”

Representes do setor produtivo, no entanto, pressionam o governador Camilo Santana (PT) para flexibilizar as medidas restritivas adotadas. Em entrevista ao O POVO na semana passada, o petista chegou a falar que, “a partir dos dados que a gente tem, é começarmos a discutir as possíveis ações que poderão ser feitas para retomar e recuperar a atividade econômica no Estado”.

Os últimos dias, porém, confirmaram a tendência de aumento de casos de transmissão da enfermidade e de óbitos no Brasil inteiro. A curva acentuava fortaleceu as vozes do Governo que apoiam uma prorrogação do decreto que estabelece o distanciamento social como medida de combate à pandemia. O prazo para vigência da norma se encerra no próximo dia 5 de maio.

Dentro do Abolição, gestores já trabalham com a continuidade da validade do decreto. Para integrantes do Governo, o Estado só terá condições de discutir qualquer revisão dessas regras quando houver ao menos 15 dias de resultados que demonstrem redução de contágios e mortes pela doença.

Às entidades que representam o setor comercial, indústria e de construção, Cabeto voltou a enfatizar que o mês de maio deve ser o pior para o Ceará. O secretário, contudo, não repetiu prognóstico já apresentado de 250 mortes por dia.

“Estamos começando o pior momento”, avisou o chefe da Sesa, que se mostrou preocupado com a baixa na adesão da população às recomendações de isolamento.

Formada com intuito de discutir propostas de retorno às atividades, a comissão foi criada por decreto do governador. Fazem parte desse núcleo secretários de Estado, entre eles Casa Civil, Saúde e Fazenda, Prefeitura de Fortaleza, membros de órgãos como Ministério Público, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-CE), Associação de Prefeitos do Ceará (Aprece), Fecomércio, Federação das Indústrias do Estado (Fiec), Procuradoria-Geral do Estado (PGE), Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) e outros.

A próxima reunião dos integrantes da comissão é na próxima sexta-feira, 1º de maio, para apresentação de estudos e propostas de volta ao trabalho formulados pelo segmento produtivo.

 

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