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Coronavírus
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20% dos pacientes com coronavírus utilizam tratamentos experimentais no Ceará

Medicamentos anticoagulantes, anti reumáticos, corticóides e antibióticos, dentre outros, estão sendo usados experimentalmente no tratamento de pacientes com Covid-19 em estado grave. 80% dos casos seriam tratados apenas com analgésicos

Flávia Oliveira
00:00 | 29/04/2020
Hospital Leonardo Da Vinci voltado só para pacientes com Covid-19 (Foto: JÚLIO CAESAR)
Hospital Leonardo Da Vinci voltado só para pacientes com Covid-19 (Foto: JÚLIO CAESAR)

Apesar de ainda não haver tratamento comprovadamente eficaz para combater os efeitos da Covid-19, algumas alternativas já estão sendo utilizadas nos hospitais públicos e particulares no Ceará, a exemplo dos experimentos que estão sendo feitos no Brasil e no mundo.

Para o tratamento dos casos mais graves da doença causada pelo novo coronavírus, estão sendo avaliados os usos de medicamentos em fase de testes ou já no mercado, como os antivirais remdesivir, para o ebola, e o Kaletra (lopinavir ritonavir), para a Aids. Também estão sendo estudados o imunossupressor Actemra (tocilizumabe) e o anticorpo monoclonal Kevzara (sarilumab), um tipo de proteína muito utilizada no caso de doenças autoimunes e no câncer. Ambos são utilizados para o tratamento da artrite. Também estão sendo estudados os remédios Plaquinol e Reuquinol (hidroxicloroquina) assim como o Resochin (cloroquina), utilizados originalmente para a malária, podendo ser combinadas com o antibiótico azitromicina.

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"Há vários tipos diferentes de tratamentos, e eles variam de acordo com a necessidade de cada paciente", afirma Keny Colares, médico infectologista do Hospital São José e pesquisador do grupo de pesquisa em infectologia da Universidade de Fortaleza (Unifor). "Por exemplo, utilizamos os corticoides para aqueles que estão com o sistema imunológico funcionando de uma forma exagerada. Outros são tratados da pneumonia com antibióticos, causada não pela ação direta do vírus, mas por causa de infecções oportunistas bacterianas. E há os pacientes que usam anticoagulantes porque o sistema de coagulação deles está anormal. Esse sistema funciona usualmente quando a pessoa tem um corte, mas em algumas infecções ele é ativado e o sangue passa a coagular dentro dos vasos", enumera. "Mas 80% dos pacientes não precisam usar essas medicações, pois a maior parte precisa só de repouso, hidratação e remédio para dor, como dipirona ou paracetamol", afirma.

Para os 20% que apresentam sintomas mais graves, os tratamentos experimentais são recomendados pelos médicos, sendo de praxe a comunicação ao enfermo ou responsável sobre sua aplicação e a possibilidade delas não surtirem efeitos, assim como das reações adversas que podem surgir. "O paciente  não é obrigado a seguir a recomendação, mas normalmente aceita, até porque essa opção do tratamento experimental só é dada quando o médico percebe que o paciente não vai ficar bom de outro jeito", diz.

De acordo com Raquel Stucchi, médica infectologista e professora da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o tratamento que está sendo ministrado nas unidades do País para os pacientes internados com pneumonia, diagnosticada por meio de tomografia, é principalmente o da cloroquina com azitromicina.

"Muitos centros as utilizam, mas elas estão cada vez mais desacreditadas. Atualmente, está sendo depositada mais esperança no tratamento com heparina, para os pacientes que apresentam estado mais grave de insuficiência respiratória. O medicamento é aplicado antes que ele precise de respirador, pois ajuda a dissolver os trombos, os coágulos que se formam na periferia do pulmão, e tem tido resultados bem animadores. O Clexane também é um anticoagulante, mas os profissionais têm preferido a heparina mesmo", explica.

Outras drogas como a ivermectina e Annita (nitazoxanida) não estão sendo aguardadas como solução, segundo a médica, pois não tiveram bons resultados anteriormente em seres vivos. "Um procedimento de vanguarda seria a administração de plasma sanguíneo de pessoas que tiveram a doença. Mas tudo está em fase de testes e esses experimentos devem ser informados aos pacientes", completa.

O POVO solicitou à Sesa o número total de altas hospitalares no Estado, mas não obteve resposta até a publicação dessa matéria.