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Coronavírus
NOTÍCIA

Medicina tradicional africana ganha adeptos em combate ao novo coronavírus

Alternativas à medicina tradicional ganham adeptos, mas especialista alerta contra os métodos "não muito científicos"

12:58 | 22/04/2020

Chás de ervas, especiarias, frutas ou verduras. A lista de remédios alternativos na África para curar a Covid-19 é vasta e ganha adeptos em um continente onde a medicina tradicional continua sendo apreciada e respeitada. O chefe de Estado do Madagascar, Andry Rajoelina, elogiou as qualidades curativas de um chá à base de artemísia - uma planta com eficácia cientificamente comprovada contra a malária -, embora tenha recuado mais tarde e mencionado apenas suas virtudes preventivas, que fortaleceriam o sistema imunológico.

Decano da faculdade de medicina de Toamasina (leste), o doutor Stéphane Ralandison alertou contra os métodos "não muito científicos" em torno deste chá de ervas. Embora reconheça que algumas substâncias podem "aliviar os sintomas" do coronavírus, a Organização Mundial da Saúde (OMS) também lembra que, atualmente, não há "nenhuma evidência" que possam "prevenir ou curar a doença".

Na ausência de uma vacina ou até de um tratamento eficaz oferecido pela medicina ocidental, os curandeiros tradicionais se mostram como uma boa opção. É o caso de Gabriel Nsombla, que divulga suas poções em uma rádio da República Democrática do Congo (RDC).

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"Inalar o vapor de uma mistura de casca de manga, folhas de mamão, gengibre e uma planta cujo nome mantenho em segredo, garante a cura. Todos os que vêm à minha casa saem curados", garante.

Diferentemente de seus colegas chineses, que obtiveram reconhecimento nos países ocidentais, os médicos tradicionais africanos deploram as provocações das quais muitas vezes ainda estão sujeitos.

O fitoterapeuta sul-africano Makelani Bantu lamenta que seu governo não tenha se dignado a responder sua oferta de testar cientificamente sua culinária. "Não temos sequer a oportunidade de falar. No momento não possuem solução contra a Covid-19, poderiam pelo menos testar nossos tratamentos", enfatizou.

"Está na hora de associar a busca de soluções aos aborígenes", destaca o etnólogo congolês Sorel Eta que, há um quarto de século, frequenta os pigmeus Akas da província de Likuala (norte).

"Eles conhecem os arcanos da floresta, especialmente todas as espécies medicinais que se encontram nela. Sempre trataram doenças cujos sintomas se assemelham aos da Covid-19", afirma.

Até o momento, as autoridades de saúde de vários países africanos receberam essas promessas com cautela.

O porta-voz do Ministério da Saúde da África do Sul, Pop Maja, diz "respeitar o papel dos curandeiros tradicionais". Mas até certo ponto. "Também sabemos que, no momento, não há tratamento para o novo coronavírus e, todos os dias recebo entre 10 e 15 telefonemas de pessoas que dizem ter encontrado um..."