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Coronavírus
Checagem de Fatos

É falso suposto áudio de infectologista chefe do IJF que tem circulado no Whatsapp

O "médico" a quem foi atribuído o áudio é, na verdade, um fisioterapeuta que não tem vínculo com a unidade e que desconhece gravação

Gabriela Almeida
23:10 | 22/04/2020
Áudio que circula no WhatsApp não pertence a infectologista chefe do IJF (Foto: Reprodução)
Áudio que circula no WhatsApp não pertence a infectologista chefe do IJF (Foto: Reprodução)

É falso áudio em que suposto infectologista-chefe do Instituto Doutor José Frota (IJF) faz acusações sérias sobre a unidade. No material, que tem circulado via WhatsApp, há acusação de "atribuição enganosa" de mortes pela patologia e uma lotação inexistente de leitos.

A gravação, atribuída a Alexandre Magalhães, é material fraudado. O “médico” a quem foi atribuído o áudio, na verdade, um fisioterapeuta que não tem vínculo com a unidade e que desconhece gravação. O profissional registrou um Boletim de Ocorrência (BO) por se julgar vítima de calúnia, no 11° Distrito Policial.

“Infelizmente aqui no Brasil tomou duas vertentes essa pandemia, a vertente clínica e a política”, iniciava o conteúdo do áudio atribuído a Alexandre. O suposto infectologista falava ainda que muitas pessoas chegavam no IJF com sintomas de resfriado e eram “logo entubadas”, sem que fosse considerada a possibilidade de estarem com outras doenças, como asma ou gripes comuns. A gravação acusa a unidade e demais hospitais de fazerem uma “pandemia da politicagem”, alegando estarem lotados quando, na verdade, não estariam. Mais de 180 mil pessoas no mundo morreram em decorrência do coronavírus. Só nos Estados Unidos, segundo dados de fontes oficiais do governo Donald Trump, são mais de 840 mil casos confirmados.

Procurada, a assessoria do IJF considerou as acusações do áudio “graves” e afirmou que conteúdo se trata de uma material falsificado, pois Alexandre nem mesmo é infectologista, mas sim fisioterapeuta, e afirmou que o profissional prestou serviços para a unidade, mas não tem mais vínculo com ela. O Instituto ainda informou que procurou o fisioterapeuta para esclarecimento e teve acesso ao B.O. realizado por ele, garantindo ainda que também está “adotando as medidas jurídicas cabíveis para a apuração do fato e responsabilização dos envolvidos”.

No boletim de ocorrência feito por Alexandre e apresentado ao O POVO, o fisioterapeuta alega que tomou conhecimento do fato por meio de mensagens de amigos, e que o conteúdo do áudio e o texto atribui a ele características profissionais e pessoais que não são verdadeiras. O profissional cita ainda que realizou B.O. com o intuito de se “resguardar de qualquer coisa futura que possa acontecer em decorrência dessa fake news”.