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Coronavírus
NOTÍCIA

Maranhão comprou respiradores da China, mandou para Etiópia e driblou governo federal para ter equipamentos

A logística foi traçada depois de terem reservado respiradores algumas vezes e serem atravessados por Alemanha, EUA e pelo próprio Governo Federal

13:15 | 16/04/2020
FORTALEZA, CE, BRASIL, 01-11-2019: Palestra de Flávio Dino - Governador do Maranhão no II Congresso Cearence de Direito Eleitoral (Foto: Fábio Lima/O POVO) (Foto: FÁBIO LIMA/O POVO)
FORTALEZA, CE, BRASIL, 01-11-2019: Palestra de Flávio Dino - Governador do Maranhão no II Congresso Cearence de Direito Eleitoral (Foto: Fábio Lima/O POVO) (Foto: FÁBIO LIMA/O POVO)

Para conseguir transportar 107 respiradores e 200 mil máscaras da China, o governo do Maranhão precisou montar o que tem chamado de uma operação de guerra com o envolvimento de 30 pessoas e custo de R$ 6 milhões. A logística foi traçada depois de terem reservado respiradores algumas vezes e serem atravessados por Alemanha, EUA e pelo próprio Governo Federal. As informações são da Folha de S.Paulo.

Em março, a gestão Flávio Dino (PC do B) reservou a compra de um lote de respiradores de uma fábrica de Santa Catarina, mas o Governo Federal bloqueou a transação e distribuiu os equipamentos segundo seus critérios.

Na sequência, reservou 150 respiradores na China, mas a Alemanha pagou mais e levou o pacote. Pouco depois, os norte-americanos interferiram na negociação. No começo do mês, situação similar aconteceu com o governo baiano.

Operação durou 20 dias

Com a ajuda de uma importadora maranhense, o Governo Estadual passou a negociar com uma empresa de Guangzhou, que enviou os respiradores para a Etiópia, com o objetivo de escapar do radar da Europa e dos EUA.

O secretário estadual Simplício Araújo, de Indústria e Comércio, que coordenou a empreitada, diz que o cargueiro que saiu da China e aterrissou em São Paulo teve o frete pago pela mineradora Vale.

"Se não fizéssemos dessa forma, demoraríamos três meses para conseguir essa quantidade de respiradores. Assim que os equipamentos chegaram já os conectamos para ampliar a nossa oferta de leitos de UTI", diz Araújo. Parte significativa dos R$ 6 milhões da operação foi paga por um grupo de empresários da região.

Ao chegar a São Paulo, a mercadoria foi colocada em avião fretado da Azul e mandada para o Maranhão, para só lá ser desembaraçada na Receita.

A liberação na alfândega não foi feita em SP para evitar que o Governo Federal retivesse os respiradores, como tem acontecido. A operação durou 20 dias e os equipamentos desembarcaram em São Luís na terça -feira, 14.

Atualmente, afirma o secretário, 60% dos leitos de UTI do estado estão ocupados, e há 630 casos confirmados de contaminação pelo novo coronavírus. "Se o aumento do número de casos continuar nesse ritmo, na semana que vem estaremos estrangulados", prevê.