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Coronavírus
NOTÍCIA

Mundo supera 100.000 mortes por coronavírus e celebra Semana Santa confinado

17:03 | 10/04/2020
Nova York em 27 de março de 2020 (Foto: Angela Weiss / AFP)
Nova York em 27 de março de 2020 (Foto: Angela Weiss / AFP)

Centenas de milhões de cristãos celebram esta Sexta-feira Santa confinados em suas casas, acompanhando pela primeira vez pela Internet ou televisão cerimônias solitárias, devido à pandemia do novo coronavírus, que superou o limite simbólico dos 100.000 mortos em todo o mundo.

O Brasil, país mais afetado pelo novo coronavírus na América Latina, superou a marca das 1.000 mortes por COVID-19 nesta sexta.

Com mais da metade da população mundial confinada, a celebração da Semana Santa desta vez não encheu templos, nem teve procissões nas ruas, uma consequência a mais da pandemia de COVID-19, que já deixou 100.661 mortos e mais de 1,6 milhão de infectados no mundo, segundo o mais recente balanço da AFP.

Uma suspensão rápida demais do confinamento poderia levar a um nova onda mortal do vírus, advertiu o diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, durante coletiva de imprensa em Genebra.

Na imensa praça vazia da basílica de São Pedro, em Roma, o papa Francisco, líder espiritual de 1,3 bilhão de católicos, fará uma Via Crúcis reduzida, acompanhado de cinco detentos de uma prisão de Pádua (norte) e cinco médicos e enfermeiros do Vaticano.

Antes dessa cerimônia, em declarações nesta sexta-feira à emissora italiana Rai, o papa comparou médicos, enfermeiros, sacerdotes e freiras falecidos combatendo a pandemia como soldados "mortos no front".

Na Terra Santa, todos os locais de culto estão fechados ao público, inclusive a igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém, o lugar onde, segundo o Evangelho, Cristo foi sepultado.

Normalmente, Jerusalém é o coração das celebrações da Páscoa. No ano passado, mais de 25.000 pessoas de todo o mundo se reuniam ali para celebrar a Semana Santa.

Obrigados a apelar à criatividade, sacerdotes católicos têm dado bênçãos de helicópteros ou tomam a confissão dos fiéis de seus carros, como no porto turístico mexicano de Acapulco.

 

 

O vírus castiga principalmente a Europa (70.245 mortos) e nos Estados Unidos (17.995 mortes), embora o número de pacientes graves tenha diminuído sutilmente em Itália, França, Espanha e em Nova York, principal foco americano, o que alimenta esperanças.

Nos Estados Unidos a doença avança mais rapidamente, com 475.000 casos até esta sexta-feira.

O estado de Nova York, com quase 160.000 casos de coronavírus e 7.844 mortes (5.150 na cidade de Nova York), está realizando dois mil testes por dia, disse nesta sexta o governador Andrew Cuomo. Mas esta é apenas "uma gota no oceano", lamentou.

Na Europa, a Itália, onde o vírus tem sido mais letal, com 18.849 mortos e 143.000 casos, prorrogou nesta sexta o confinamento até 3 de maio.

Segundo país europeu mais afetado, com 15.843 mortos, a Espanha registrou nesta sexta a cifra diária mais baixa de mortes desde 24 de março, com 605 óbitos.

"Continuamos com a tendência descendente", disse a doutora Maria José Sierra, do centro de emergências sanitárias.

A França, terceiro país da lista, reportou 987 novas mortes e superou os 13.000 óbitos, entre eles um menino de 10 anos. E o Reino Unido anunciou um recorde de 980 mortes em 24 horas pelo novo coronavírus, com um total de 8.958 falecidos.

O primeiro-ministro, Boris Johnson, único chefe de Estado de uma grande potência a adoecer de COVID-19, saiu da unidade de terapia intensiva na quinta e nesta sexta "pôde caminhar um pouco, entre períodos de descanso", disse seu porta-voz.

 

 

Em outras latitudes, o coronavírus também avança. Nesta sexta-feira, o Iêmen, país devastado por cinco anos de guerra civil, anunciou sua primeira morte, e a Turquia superou os mil mortos.

A Rússia, com 11.917 e 94 mortos, a saturação de hospitais de Moscou está próxima. O presidente russo, Vladimir Putin, disse nesta sexta que falará com seu contraparte, Donald Trump, sobre uma cooperação no combate ao coronavírus.

Na América Latina e no Caribe, os casos beiram os 54.000 e mais de 2.000 mortes.

O Brasil, país mais afetado pelo novo coronavírus na América Latina, superou a marca das 1.000 mortes por COVID-19 nesta sexta-feira.

Os números mais recentes das autoridades sanitárias brasileiras registraram um total de 19.638 casos confirmados, com 1.057 mortes.

O país prepara uma megaoperação para trazer da China 240 milhões de máscaras cirúrgicas.

O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, disse nesta sexta ter pedido a Trump que os Estados Unidos lhe venda equipamento médico.

O Equador é o segundo país latino-americano mais afetado (7.161 casos e 297 mortos). Na cidade de Guayaquil, detentos de seis prisões do país constroem em marcenarias caixões para os mortos.

O desespero para frear o vírus também estimula a criatividade: três engenheiros peruanos projetaram um "bracelete anticontágio" que emite um alerta sonoro quando seu usuário leva a mão ao rosto, principal forma de contágio da COVID-19.

 

 

Em um mundo confrontado com a pior recessão econômica desde a Grande Depressão de 1929, como advertiu o Fundo Monetário Internacional (FMI), fortaleceu-se uma resposta financeira nos Estados Unidos, mas também na União Europeia.

O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, convocou uma cúpula europeia por videoconferência em 23 de abril.

"É hora de estabelecer as bases de uma recuperação econômica robusta", disse nesta sexta-feira, um dia depois de os ministros das Finanças acordarem um fundo de ajuda de 500 bilhões de euros.

Os 27 membros da União Europeia descartaram a ideia de uma emissão de dívida comum, como pediam Espanha e Itália e rejeitavam Holanda e Alemanha. Mas o governo italiano se disse nesta sexta determinado a "ganhar a partida" sobre os "coronabônus".

Nos Estados Unidos, onde o desemprego atinge níveis históricos, o Federal Reserve (Fed, banco central americano) anunciou 2,3 trilhões de dólares em novos empréstimos para apoiar a economia.

A América Latina também sofrerá "um choque de proporções históricas" na economia, com contração de 1,8% a 5,5% em 2020, segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) .

Os principais países produtores de petróleo, com exceção do México, acordaram reduzir a produção em maio e junho em 10 milhões de barris diários, anunciou nesta sexta a OPEP, após longas negociações para contrabalançar a queda dos preços.

Mas nesta sexta, López Obrador disse ter alcançado um acordo com Trump para reduzir a produção em "100.000 barris (diários)".