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Coronavírus
NOTÍCIA

Hospital particular de Fortaleza será denunciado pelo Coren por utilização de EPIs inadequados

Visita técnica realizada no Hospital Fernandes Távora nesta quarta-feira, 8, comprovou indícios do uso de máscaras de tecidos por parte dos funcionários da saúde

Lais Oliveira
12:55 | 08/04/2020
 Representantes do Coren e do Sindsaúde em fiscalização no Hospital Fernandes Távora nesta quarta-feira, 8. (Foto: Divulgação/Coren)
Representantes do Coren e do Sindsaúde em fiscalização no Hospital Fernandes Távora nesta quarta-feira, 8. (Foto: Divulgação/Coren)

Uma denúncia recebida pelo Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Saúde do Estado (Sindsaúde-CE) sobre o uso de máscaras de tecido por profissionais do Hospital Fernandes Távora resultou em uma visita realizada pelo Conselho Regional de Enfermagem do Ceará (Coren - CE) nesta quarta-feira, 8. No local, representantes do Conselho e do Sindicato encontraram indícios que confirmam as reclamações dos funcionários. Assim, o Coren acionará o Ministério Público e a Justiça denunciando a unidade por utilização de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) inadequados na prestação do serviço de enfermagem.

Mais de 10 denúncias foram recebidas pelo canal de ouvidoria do Coren sobre o Hospital Fernandes Távora nos últimos três dias. A presidente do Conselho, Ana Paula Brandão, afirma que a administração da unidade não permitiu a entrada da equipe técnica no setor de costura. “Encontramos indícios de que as máscaras estão sendo confeccionadas. Pedimos comprovações por parte da gerência se elas estão sendo fornecidas aos familiares, mas não obtivemos”, diz.

Ainda de acordo com a titular do Coren, não foram encontrados acompanhantes de pacientes utilizando as máscaras de tecido, diferentemente do que o hospital havia garantido em nota enviada ao O POVO ontem, 7.

As máscaras podem ser confeccionadas dentro de unidades hospitalares, porém o hospital não se pode destiná-las aos profissionais da saúde. Além disso, as máscaras de tecido precisam seguir a resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) devendo ter cobertura interna, externa, além de um filtro para serem consideradas minimamente seguras para as pessoas em geral.

Os profissionais da saúde que trabalhavam no hospital estavam devidamente equipados com os EPIs durante a visita do Coren. O hospital não tem nenhum caso confirmado de Covid-19 até o momento, no entanto, possui UTIs que funcionam em convênio com o Sistema Único de Saúde (SUS) e podem receber casos suspeitos a qualquer momento.

Ana Paula ressalta que o Conselho já recebeu mais de 300 denúncias de unidades de saúde em todo o Ceará que estão descumprindo as recomendações técnicas das autoridades sanitárias, como a Anvisa e o Ministério da Saúde, sobre o uso de itens de proteção.

O POVO entrou em contato com o Hospital Fernandes Távora, porém foi informado pela recepção da unidade que a gestão se pronunciará apenas posteriormente, após reunião. Em nota divulgada ontem, a direção do hospital se referiu à denúncia do Sindsaúde como sendo “completamente descabida” e garantiu que todos os seus profissionais trabalhavam com os equipamentos devidos.

Setor de costura encontrado pela equipe de fiscalização onde estariam sendo produzidas as máscaras de tecido
Setor de costura encontrado pela equipe de fiscalização onde estariam sendo produzidas as máscaras de tecido (Foto: Divulgação/Coren)

Sindsaúde e Coren têm reforçado fiscalização nas unidades hospitalares

Marta Brandão, presidente do Sindsaúde, também participou da visita ao Hospital Fernandes Távora e destaca que o Sindicato recebe cotidianamente dezenas de relatos sobre falta EPIs e profissionais da saúde que estão no grupo de risco da infecção por Covid-19 e continuam trabalhando.

Segundo Marta, o Sindicato está fortalecendo sua parceria com o Coren para garantir que todas as denúncias sejam apuradas e, assim, as providências cabíveis sejam tomadas. “Estamos fazendo fiscalizações todos os dias. Desde que se instalou a pandemia, averiguamos as condições de equipamentos ofertados para os profissionais da saúde. Precisamos garantir a segurança deles, senão eles vão faltar”, alerta.