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Coronavírus
NOTÍCIA

Favela da Rocinha tem cinco mortes causadas pelo coronavírus

As informações constam do último balanço da Secretaria estadual de Saúde; entre os mortos, há quatro homens e uma mulher

11:33 | 08/04/2020
O deputado Carlos Minc (PSB) disse que o governo do estado pode estar perdendo o prazo ideal para começar a prover os locais (Foto: Tasso Marcelo/Fotos Públicas)
O deputado Carlos Minc (PSB) disse que o governo do estado pode estar perdendo o prazo ideal para começar a prover os locais (Foto: Tasso Marcelo/Fotos Públicas)

Uma das comunidades mais adensadas do Rio de Janeiro, a Rocinha, na Zona Sul do Rio, registra cinco mortes provocadas pela Covid-19. As informações constam do último balanço da Secretaria Estadual de Saúde, divulgado no fim da tarde desta terça-feira, 7. A favela tem seis casos confirmados da Covid-19, incluindo os cinco óbitos. Dos mortos, quatro são homens e uma mulher.

A doença também já causou três mortes em Manguinhos, na Zona Norte cujas áreas residenciais são predominantemente em favelas. O Estado teve 89 mortes e 1.688 casos confirmados do novo coronavírus. Há ainda 78 óbitos em investigação. As informações são do O GLOBO.


O painel informa apenas a faixa etária dos mortos. Na Rocinha, dois tinham entre 60 e 69 anos e um, entre 50 e 59 anos. No caso das duas outras mortes confirmadas, uma pessoa tinha entre 40 e 49 anos e a quinta estava na faixa entre 30 e 39 anos. As autoridades de Saúde, por questões éticas e para preservar as famílias, não identificam os mortos.


Nos últimos dias, uma imensa faixa com a expressão "Fique Dentro de Casa" pode ser visualizada da Autoestrada Fernando Mac Dowell (antiga Lagoa-Barra) na passarela que liga São Conrado à Rocinha. Faixas também podem ser vistas em ruas da favela.


O líder comunitário William de Oliveira disse ao jornal que a comunidade está no escuro devido à incerteza de quem possam ter sido as vítimas e também em relação a um monitoramento efetivo das famílias. "A sensação é que muitas pessoas ainda não acreditam na gravidade da situação. A comunidade, no início, até aderiu à quarentena, com o fechamento de boa parte do comércio. Mas a situação mudou muito. As pessoas começaram a se manifestar publicamente contra o isolamento. Boa parte das atividades foi retomada. O que os moradores precisam discutir agora é qual o caminho a escolher. O risco de perder a própria vida pela epidemia ou se isolar, aumentando a possibilidade de aumentar o nível de desemprego e endividamento da comunidade. A morte não é reversível".


Relatos se multiplicam


Os relatos de casos na Rocinha se multiplicam. A manicure Fabíola Mariano, de 35 anos, conta que a família ainda espera os resultados dos exames que podem confirmar se o tio, o aposentado Antônio Edson Mesquita Mariano, que tinha 67 anos, realmente morreu vítima do coronavírus, em 30 de março. Ela explica que a tia Maria Luisa, viúva de Antônio, e o primo Alexandre, filho do aposentado, também estão internados em hospitais públicos do Rio com sintomas da doença. Segundo Fabíola, o teste de Alexandre já confirmou o resultado e ele precisou ser sedado e faz uso de um respirador.


O atestado de óbito de Antônio Edson traz a informação que ele morreu de suspeita de Covid-19, mas a confirmação ainda depende do resultado do exame laboratorial. Ele era diabético e hipertenso. A manicure conta que o aposentado foi cremado na semana passada, cerca de uma semana antes de os dois parentes serem internados.


O caso de Antônio foi publicado semana passada pelos jornais O GLOBO, Extra e no site da revista Época. O aposentado teve os primeiros sintomas em 25 de março. Com a progressão de tosse, dor de cabeça e febre alta, foi à UPA da comunidade. Na ocasião, Mariano foi diagnosticado com pneumonia, segundo o relato da família. Nos dias seguintes, o quadro se agravou até que na madrugada do dia 30, ele foi levado pelos filhos para o CER Leblon. No mesmo dia, morreu.


O quadro de Mariano piorou na madrugada de segunda-feira, dia 30. Antônio José levou o pai para o CER do Leblon. "O coronavírus é um risco grande na Rocinha. E afeta não só quem vive em casas menores. Meu tio morava no Largo do Boiadeiro com a família em uma casa com vários cômodos - contou Fabíola. A manicure prossegue:"No começo da pandemia, a comunidade ficou com medo. Depois, começou a relaxar os cuidados não acreditando da gravidade do problema. Agora, com o relato de possíveis mortes, começou a tomar precauções de novo".