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Médicos cearenses propõem o uso preventivo da hidroxicloroquina por profissionais da saúde

Assinada pelos médicos Odorico Moraes, Elisabete Moraes e Anastácio Queiroz, proposição foi enviada nessa última segunda-feira, 30, para direções de hospitais da Capital. Antes da aplicação, eles sugerem um estudo clínico para avaliar a viabilidade de tratamento profilático com as substâncias

Matheus Facundo
23:25 | 03/04/2020
Laboratório da Tanzânia será investigado (Foto: ARQUIVO)
Laboratório da Tanzânia será investigado (Foto: ARQUIVO)

Trio de médicos e professores da Universidade Federal do Ceará (UFC) enviou documento propondo o uso da hidroxicloroquina, um dos medicamentos utilizados no tratamento da Covid-19, como prevenção para profissionais de saúde de hospitais de Fortaleza. Proposta é direcionada a quem esteja atuando na linha de frente do combate ao novo coronavírus.

Assinada pelos médicos Odorico Moraes, Elisabete Moraes (farmacologistas), e Anastácio Queiroz (infectologista), proposição foi enviada nessa última segunda-feira, 30, para direções de hospitais da Capital.

"A ideia da proposta surgiu das observações do crescente número de profissionais da saúde em todo o mundo, inclusive em Fortaleza, que foram excluídos do combate a Covid-19 por terem sido contaminados pelo Sars-CoV-2 (vírus que causa a doença)", pontou Odorico, em publicação em seu Facebook nesta sexta-feira, 3.

Nessa quinta-feira, foi confirmada a morte do primeiro médico cearense com coronavírus. Ele tinha 43 anos e esteve internado no Hospital Otoclínica. O óbito, que resultou de um quadro grave de evolução rápida, foi confirmado pelo Sindicato dos Médicos do Ceará. Segundo a assessoria do sindicado, a morte foi causada por "encefalite viral, causada pelo coronavírus".

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O médico e professor de Farmacologia Clínica da Faculdade de Medicina da UFC ainda afirmou que há uma preocupação com um "possível colapso no atendimento dos pacientes pela falta de profissionais da saúde acometidos pela Covid-19".

A proposta é, a depender da resposta dos hospitais, iniciar, em "breve", um ensaio clínico para avaliar a viabilidade do tratamento profilático. Conforme Odorico, atualmente dois estudos clínicos com a hidroxicloroquina em profissionais da saúde estão em curso: um no Canadá e outro nos Estados Unidos.

Uso em pacientes

O Ministério da Saúde divulgou uma nota técnica sobre o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina em casos graves, com pacientes hospitalizados, infectados pelo novo coronavírus. O protocolo prevê cinco dias de uso, em complemento a outras medidas como auxílio para respirar e medicação contra febre e mal-estar.

O ministério, no entanto, alerta para o risco do uso desses medicamentos, que não devem ser administrados fora dos hospitais. Segundo a nota, dentre os efeitos colaterais estão lesões na retina e distúrbios cardiovasculares.

Na proposição, os médicos cearenses frisam que se trata apenas de uma sugestão e pontuam que a profilaxia seria destinada apenas a profissionais em contato direto com pacientes infectados e suspeitos de coronavírus.

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