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Coronavírus
NOTÍCIA

OMS se preocupa com economia, mas reafirma que prioridade deve ser conter coronavírus

Questionado sobre fala do presidente Jair Bolsonaro, diretor da entidade ressalta gravidade da pandemia e diz que tempo ganho com quarentenas é para reforçar sistema de saúde

07:42 | 26/03/2020
Fortaleza-Ce, Brasil, 24-03-2020: Terminal do  Papicu apresenta movimento reduzido em horário de pico em virtude do isolamento em decorrência do COVID-19. (Foto: Júlio Caesar) (Foto: JULIO CAESAR)
Fortaleza-Ce, Brasil, 24-03-2020: Terminal do Papicu apresenta movimento reduzido em horário de pico em virtude do isolamento em decorrência do COVID-19. (Foto: Júlio Caesar) (Foto: JULIO CAESAR)

A Organização Mundial de Saúde (OMS) voltou a reforçar nessa quarta, 25, que os governos devem “pedir às pessoas que fiquem em casa” para tentar conter o avanço do coronavírus. Em teleconferência, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, foi questionado sobre declarações do presidente Jair Bolsonaro de que a doença seria similar a um “resfriadinho”. Ele respondeu que "acabar com a movimentação da população significa ganhar tempo e reduzir a pressão sobre os sistemas de saúde". As informações são do jornal O Globo.

Sem citar diretamente Bolsonaro, Ghebreyesus lembrou que em vários países há muita necessidade de atendimentos de urgência por causa da doença e alertou para a gravidade do quadro atual.

"Em muitos países, o coronavírus é uma doença muito séria. Como vocês sabem, a pandemia tem acelerado nas duas últimas semanas. Acabar com a movimentação da população significa ganhar tempo e reduzir a pressão sobre os sistemas de saúde", afirmou.

Prioridade é conter a doença

Na mesma entrevista coletiva, o diretor-executivo do Programa de Emergências em Saúde da entidade, Mike Ryan, disse entender o dilema econômico provocado pelas medidas de confinamento da população, mas que a prioridade deve ser salvar vidas. "Entendo o dilema de proteger as economias e os sistemas de proteção social, mas a prioridade deve ser conter a doença", disse.

Segundo ele, a quarentena em si não vai acabar com a pandemia, mas ela provê tempo para que os países "ataquem o vírus", expandindo o seu sistema de saúde e implementando mecanismos para encontrar todo caso suspeito e aumentar a testagem. Até agora, a Covid-19 foi registrada em que até esta quarta-feira atingiu 182 países, com 450.876 casos de contágio e 20.647 mortes.

Mais de 3 bilhões de pessoas em quase 70 países ou territórios estão confinados ou em isolamento para combater a disseminação da doença, de acordo com um balanço realizado pela AFP. A maioria dos territórios afetados decretou o confinamento obrigatório, como é o caso da Índia, Reino Unido, França, Itália, Espanha, Argentina e Colômbia.

Outros países decretaram toque de recolher ou emitiram restrições de circulação, como Peru e Rússia, que nesta quarta-feira anunciou um feriado prolongado de sete dias. O Chile definiu também na quarta-feira, quarentena na região metropolitana de Santiago, onde vivem 1,3 milhão de pessoas.

Plano de Resposta Humanitária Global

A OMS e outras entidades internacionais subordinadas à Organização das Nações Unidas, como o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), lançaram nesta quarta-feira um Plano de Resposta Humanitária Global contra os efeitos do coronavírus. Ghebreyesus também insistiu na importância de haver condições adequadas para profissionais de saúde, dizendo que eles “são heróis, mas também são humanos” e correm riscos.

A teleconferência contou também com o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres. As autoridades detalharam medidas para ajudar no combate a doença nos países mais pobres e vulneráveis, pedindo apoio, inclusive financeiro, a essas iniciativas.

"A história nos julgará sobre como responderemos às comunidades mais pobres em sua hora mais difícil", ressaltou Ghebreyesus.