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Editorial: Os agentes comunitários de saúde e a pandemia

01:30 | 10/05/2020

A informação é uma das mais poderosas armas no enfrentamento do novo coronavírus, ao lado do isolamento social. Não existindo remédio específico para curar a Covid-19, nem vacina capaz de bloqueá-la, por enquanto, o que resta a cada pessoa é saber como se proteger. E uma das melhores formas de ensinar essas medidas é comunicação interpessoal, transmitida por respeitados profissionais da saúde. E esses profissionais são os agentes comunitários de saúde.

Portanto, seria importante ouvir a sugestão do médico Carlile Lavor, responsável técnico da Fiocruz Ceará. Na década de 1980, ele foi o criador do projeto dos agentes de saúde no Estado, precursor dos agentes comunitários de saúde. O programa fez tanto sucesso, que foi reproduzido pelo governo federal, passando a fazer parte da Estratégia Saúde da Família.

Como já era previsto, a infecção chegou às regiões mais empobrecidas de Fortaleza, fazendo o número de mortes aumentar de forma descontrolada nesses locais. Como destacou o secretário da Saúde do Ceará, Carlos Alberto Martins Rodrigues (Dr. Cabeto), cerca de 90% dos atingidos fatalmente pela doença moram em bairros com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) "muito baixo".

Isso justifica a proposta de Carlile de os agentes comunitários passarem a atuar no combate à pandemia. Em carta aberta à categoria, ele escreveu que, assim como os agentes "preveniram a morte de milhares de crianças", eles poderiam agora evitar os óbitos, principalmente dos mais vulneráveis, provocados pelo coronavírus, explicando-lhes "como a doença se espalha e como fazer a prevenção".

Para compreender a gravidade do problema da expansão do coronavírus para áreas mais adensadas, o secretário da Saúde lembrou que em bairros de renda mais alta o índice de mortes é de menos de 1%; mas a letalidade sobe para 6,7% nas regiões mais pobres. "Na Aldeota morre pouco, na periferia morre muito", comparou.

Portanto, se os agentes comunitários de saúde atenderem ao chamado do médico Carlile Lavor, darão importante auxílio na luta contra a infecção, que atinge com violência a periferia da cidade.