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Editorial: A economia chinesa e o avanço do coronavírus

01:30 | 26/01/2020

Em 1979, a China começou abandonar a tradição isolacionista adotada nas décadas de ditadura de Mao Tsé-Tung ao instaurar a chamada Economia Social de Mercado. Em 2011, o gigante asiático já superava o Japão para tornar-se a segunda maior economia do mundo. Com um Produto Interno Bruto (PIB) de cerca de US$ 15 trilhões, mais do dobro que o do Brasil, amparado numa população de 1,4 bilhão de pessoas, a China ganhou peso decisivo e protagonismo na discussão sobre macroeconomia. Pequim tem, nas últimas duas décadas, promovido uma reconfiguração comercial no mundo.

A proximidade com o Brasil não é nova: desde 2009 a China é a maior parceira comercial do País e desde antes é diagnosticado o imenso potencial inexplorado. Essa proximidade atingiu novo marco em novembro, quando os presidentes Xi Jingping e Jair Bolsonaro assinaram acordos e memorandos de entendimento nas áreas de política, economia, comércio, agricultura, inspeção sanitária, transporte, saúde e cultura. Neste contexto, a economia cearense tem gradualmente visado avançar nestes laços e, assim, beneficiar a balança comercial local.

O melão cearense, que já representa 67% das exportações de frutas cearenses, é símbolo dessa parceria. Na semana passada, o governo chinês aprovou a produção e exportação do fruto de lavouras do Ceará e do Rio Grande do Norte. Com isso, a expectativa é que as vendas para o exterior dobrem do valor anual somado de US$ 41,5 milhões, marca do ano passado.

O peso da relação com a China na balança comercial nacional vem com o risco de dependência. Prova disso é o impacto do avanço do coronavírus nas bolsas de investimentos globais — e particularmente na Ibovespa, a principal do Brasil. A semana foi praticamente dedicada a reverter o baque do avanço que a síndrome infecciosa teve na economia.

O tamanho da China perante o mundo faz com que, indiretamente, a gravidade da epidemia de coronavírus avance por mais de uma frente imigratória. Enquanto o vírus circula, chegando a novos destinos, o impacto doméstico na economia do gigante asiático reverbera por todo o globo.

A prioridade ainda é a saúde. A ameaça de uma epidemia global vai além dos eventuais reflexos econômicos. Mas o momento é de cautela também em bolsas de valores, instituições que, de diferentes formas, tratam da vida de milhões.