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Domingo

Artistas homenageiam a obra de Clementina de Jesus no Cineteatro São Luiz

Paula Lima, Nãnãna da Mangueira, Karla da Silva e Nega Duda celebram a obra de Clementina de Jesus no São Luiz

09:00 | 08/11/2018
Foto: Divulgação

"Feita pra vadiar", Clementina de Jesus da Silva (1901-1987) nasceu 13 anos após a abolição da escravatura no Brasil. Da união de uma parteira com um capoeirista, Quelé - apelido adquirido desde cedo - não andou só, definitivamente. Com ela, os ancestrais africanos, os cantos de trabalho e partido-alto, jongos e corimás (caxambus) que, posteriormente, seriam apresentados "oficialmente" ao mundo por meio do encontro com o compositor e produtor carioca Hermínio Bello de Carvalho. Após 31 anos de sua morte, Clementina continua sendo referência e reverenciada como uma autêntica Rainha Ginga.

 

Com estreia em fevereiro deste ano no Sesc Pompeia (SP), o show Rainha Quelé - 30 Anos sem Clementina de Jesus chega a Fortaleza como atração do projeto Sessão Sonora deste domingo, 11, no Cineteatro São Luiz. A programação, no entanto, inicia às 16h30min com a exibição do documentário Clementina de Jesus: Rainha Quelé (2012), do diretor Werinton Kermes, e dá sequência com show reunindo as vozes poderosas de Paula Lima, Nega Duda, Nãnãna da Mangueira e Karla da Silva.

 

Rodrigo Campos (guitarra e cavaco) é quem assina a direção musical do espetáculo, que se completa com Maria Beraldo (clarinete e clarone), Maurício Badé (percussão), Gian Correa (violão 7 cordas) e Bruno Marques (bateria). Chamada por muitos de Mãe, Clementina de Jesus, na opinião de Rodrigo, conseguiu trazer de forma mais legítima a África para o Brasil, diferenciando-se dos demais artistas da época em decorrência, sobretudo, de sua ancestralidade.

 

"É como se o samba em Clementina ainda não tivesse passado pelo rádio, pelas grandes transformações da indústria. É um samba que tem uma ligação muito forte e direta com a África. Talvez o Baden Powell e o Vinicius de Moraes criaram essa alcunha 'afrosamba', mas isso se aplicaria muito bem para a Clementina de uma forma até mais espontânea, menos intelectual". Carioca do subúrbio de Madureira e crescida dentro de uma família musical, Karla da Silva tem na figura de Quelé uma de suas grandes inspirações.

 

"É uma rainha! Eu acho que ela faz parte da 'Santíssima Trindade' do samba (ao lado de Clara Nunes e D. Ivone Lara), então a influência dela é enorme, muito sagrada e muito potente no que eu canto. Principalmente por ela também interpretar canções ligadas à negritude, à cultura de terreiro, aos orixás... E isso tem muito a ver comigo. Eu e algumas pessoas, a gente a tem como um orixá mesmo que está ali, que veio e que passou para deixar um legado forte e fundamental dentro da música brasileira e, sobretudo, do samba", explicou a cantora, que já possui dois discos e um DVD lançados, além de ter chegado à fase semifinal na primeira edição do The Voice Brasil.

 

Nega Duda (de batismo, Ducinea), por sua vez, tem na semelhança vocal com Clementina um grande trunfo. "Canto desde criança samba de roda, cantigas do terreiro, mas profissionalmente só aos 37, quando viajei à França e representei minha cidade (São Francisco do Conde) no Festival Printemps des Comédiens (2002). Depois, criei meu samba de roda aqui em São Paulo onde faço toda a linhagem do samba do Recôncavo Baiano. Clementina sempre foi minha musa", resumiu ela, angoleira nascida num 13 de maio, que paralelamente possui um show completo em tributo a Quelé.

 

"Acho que essas efemérides nos ajudam a priorizar algumas coisas que vamos deixando pelo caminho. A Clementina está presente na minha vida desde que eu aprendi a tocar e a minha relação com esse show é a de um músico que tem uma admiração muito grande pelo trabalho dela e que está tendo a oportunidade de levar isso para o palco, de celebrar a obra da Clementina", concluiu Rodrigo.

 

Sessão Sonora: Rainha Quelé - 30 Anos sem Clementina de Jesus 

Quando: domingo, 11, às 16h30min (filme) e 18h (show)

Onde: Cineteatro São Luiz (rua Major Facundo, 500 / Praça do Ferreira - Centro)

Quanto: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia). À venda na bilheteria do local ou pelo site da Tudus (https://bit.ly/2Pew0D9)

Classificação: livre

 

 

TERESA MONTEIRO