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Crianças enjauladas, vida e feminismo: bate-papo com Elza Soares

O Festival Vida&Arte recebeu a cantora nesta sexta-feira para entrevista aberta

22:36 | 22/06/2018
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Elza Soares envolveu centenas de espectadores do Festival Vida&Arte nesta sexta-feira, 22, em entrevista aberta. Conduzida por Marcos Sampaio e Renato Abê, jornalistas do O POVO, o momento teve ainda a participação do público, que pôde fazer perguntas e interagir com a artista.

 

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Em pouco mais de meia hora de bate-papo, a cantora falou de trajetória, política, militância, bandeiras e atual momento da carreira. Neste sábado, Elza completa 81 anos.

 

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"Mulheres, a gente passou a vida toda sem poder se expressar, tendo que ser obediente. Hoje, a gente ainda não conquistou tudo o que precisamos e devemos conquistar. Mas temos o poder de gritar e dizer o que queremos", convocou Elza à expressão feminina.

 

Negra, pobre e vítima de violência doméstica, Elza começou a carreira ainda nos anos 1950. Na conversa, falou da potência, metal e "growling", marcantes de sua voz.

 

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Provocada pelos jornalistas, Elza contou detalhes do início da carreira e dificuldades da vida - ela já perdeu quatro filhos e teve casamentos conturbados, um deles com o futebolista Mané Garrincha.

 

"Agora estamos brigando pelas crianças na gaiola (refere-se aos Estados Unidos), né? Crianças presas na gaiola, longe das mães. Vi isso ontem e me doeu muito", lamentou Elza.

 

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A espectadora Marília Diniz questionou Elza sobre o novo álbum  "Deus É Mulher" (2018) e parceria com Pitty. "A Pitty compôs a música e a convidei para minha casa. Gravamos as duas. A gente fez um show juntas e foi escândalo", respondeu Elza, com muito bom humor. 

 

Ela fez referência ainda à vereadora Marielle Franco, morta no Rio de Janeiro, neste ano, e ao alto número de feminicídios no País. "Grito e continuo gritando. Homofobia não, preconceito não, pelo amor de Deus!", finalizou.

 

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Show

Na segunda noite de Festival Vida&Arte, o show de Elza Soares lotou o Palco Rachel de Queiroz. Neste sábado, 23, a cantora completa 81 anos e se emocionou ao receber os parabéns de milhares de espectadores.

 

O show "A Voz e a Máquina" misturou samba, MPB e música eletrônica, com os elementos característicos da voz metálica de Elza. Feminismo, política e questões sociais puxaram o repertório de clássicos e novos hits da diva.

 

As faixas de "Deus É Mulher" (2018) e "A Mulher do Fim do Mundo"(2015) compuseram grande parte do show. Potente e incisiva, Elza convidou à luta contra o racismo, violência, feminicídio, homofobia e desigualdades.

 

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