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Artesãos cearenses debatem valorização da moda autoral

22:44 | 24/06/2018
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O artesanato movimenta R$ 50 bilhões por ano e sustenta 10 milhões de pessoas no País, de acordo com dados divulgados pelo Governo Federal em 2017. Esse mercado crescente, aliado à moda, gera frutos não apenas financeiros: a perpetuação da cultura regional é garantida. O painel Moda e Artesanato, no Festival Vida&Arte na tarde de domingo, 24, reuniu os artesãos Espedito Seleiro, Ethel Whitehurst e Jô de Paula. A jornalista do O POVO Jully Lorenço mediou o debate.
 
“Todos nós, artesãos, estamos muito entrelaçados. Driblamos muitas situações e somos muito criativos”, destaca a empresária carioca radicada no Ceará Ethel Whitehurst. Renomada internacionalmente pelo trabalho com bordado há quase 50 anos, Ethel chegou ao Ceará em 1969, acompanhando a mãe Yara, que já vendia renda no Estado. “Eu fazia os desenhos das camisolas com 15 anos para ajudá-la, enquanto estudava. Casei muito nova, com 17, então eu precisava ganhar dinheiro e contribuir com a renda familiar. Foi quando eu comecei a bordar blusas com renda, sempre valorizando o que é nosso, como labirinto, crochê, renda de bilros, richelieu. Depois os segmentos foram crescendo e não por planejamento, porque a gente não tinha instituições para orientar e capacitar, mas tinha muita intuição, força de vontade, resiliência e perseverança”, explica.
 
Ethel Whitehurst elegeu a defesa do trabalho artesanal como engajamento indispensável na área. “Eu fazia tudo: bordava e costurava. É por isso que defendo pagar bem a quem produz, valorizar a cadeia produtiva. Nós não temos números no artesanato e nem a profissão do artesão é reconhecida, artesão não existe. Nós não sabemos o impacto do artesanato no Estado. As últimas pesquisas são de 2006 e ainda muito incompletas”, critica.
 
"Ser artesão é muito difícil, mas o artesanato sempre será valorizado porque é uma coisa feita com amor, tem amor naquela peça", completa. Ethel assina a produção das camisas do Festival Vida&Arte e bordou cada uma das peças, inspiradas nas flores do jardim da matriarca da família Dummar. 
 
Outra referência na linguagem, o Mestre da Cultura Espedito Seleiro levou Nova Olinda ao cenário internacional.  “Continuei o trabalho do meu pai, Raimundo Seleiro, porque precisava ganhar o pão de cada dia e manter uma tradição de cinco gerações. Não vou deixar se acabar a tradição do cearense, do sertanejo. Quando acabaram os cangaceiros, vaqueiros e os ciganos, decidi criar um estilo novo no mercado”, conta o artesão. Suas alpargatas, bolsas e demais peças em couro colorido possuem identidade singular.
 
É essa marca autoral que busca a artista carioca Joana de Paula. À frente da marca de bolsas de crochê feitas à mão Jô de Paula, a profissional encontrou no Ceará materiais adequados para unir design e produção autoral. Ela utiliza elementos como tecidos naturais, palha e  folhas de carnaúba para produzir peças exclusivas. “Esse desejo de fazer algo diferente produz um item atemporal.”, opina.
 
A renovação dos profissionais também é pauta para Jô de Paula. A faixa etária mais comum entre os artesãos é entre 50 e 64 anos (41%), seguida de 40 a 49 anos (27%). Cerca de 80% dos artesãos do Brasil, portanto, possuem 40 anos ou mais. “Os jovens já não têm tanto interesse, mas a gente tem que aproveitar esse momento em que a arquitetura e a moda estão voltadas para o artesanato e não deixar que toda essa riqueza se perca. Meu  desejo é trabalhar com o design aliado ao artesanato e juntar o meu know how com a toda a experiência, a cultura e a história do artesanato. O Ceará é um Estado riquíssimo nesse aspecto,  são cerca de 37 mil artesão cadastrados, fora os que não são cadastrados. Nós temos muito potencial”, encerra.
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