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Dragão do Mar

Exposição "Sobre A Cor da Sua Pele" apresenta retratos no Museu da Cultura Cearense

Exposição acompanha evolução do retratismo - da fotopintura às selfies digitais - e discute banalização da imagem

14:32 | 05/12/2018

Foto: Fernando Banzi / Divulgação

Dos retratos pintados a óleo às selfies nos smartphones. Da cerimônia ao banal. Da captura do real à sua completa desestabilização. A proposta da exposição Sobre a cor da sua pele, que integra o Fotofestival Solar, é traçar um panorama da evolução do retrato enquanto elemento no qual se escoram memória e identidade. Seja na pintura, na fotopintura ou na fotografia, é o retrato que se busca quando a intenção é lembrar ou ser lembrado.

 

"Há um paralelo entre esses momentos tão distintos. Lá no início, o retrato foi forjado dentro do parâmetro europeu, com a tradição da pose, da roupa, da cor. Havia uma paleta de cores que era apresentada pelas academias de arte e que funcionava como padrão", explica a arquiteta Rosely Nakagawa, curadora da exposição, mostrando como a estética da pintura foi retomada pela fotografia nos primórdios do retratismo.

 

Essa influência chega até os dias de hoje, ressignificada. "O retrato contemporâneo permite a captação de novos elementos, de novos contrastes com luz forte, intensa. Há, de certa forma, uma resistência ao modelo europeu e uma busca do ideal brasileiro que se transformou na procura de uma brasilidade conectada com o mundo", completa. Dividida em três núcleos que passeiam pelas fases do retrato - Os outros, Sobre a cor da sua pele e Quem somos nós - a exposição é composta por 150 trabalhos de 30 artistas.

 

Representando diferentes escolas, técnicas e estéticas, nomes como os dos artistas plásticos Estrigas, Antonio Bandeira e Sérvulo Esmeraldo, do cartazista Jean-Pierre Chabloz, dos fotógrafos Gentil Barreira, Chico Albuquerque e José Albano dividem espaço nessa tentativa de catalogação informal dos momentos vividos pelo retratismo. As imagens que ilustram esta página, série de fotopinturas digitais de Fernando Banzi, podem ser lidas como complemento contemporâneo das fotopinturas manuais de Mestre Júlio, ambas presentes na exposição.

 

Para representar a evolução do retrato no Estado, Nakagawa iniciou suas pesquisas no Museu do Ceará, na Academia Cearense de Letras (ACL) e no Museu de Arte Contemporânea (MAC)."Parti de uma busca dos artistas plásticos que eram referência para a pintura e que também fizeram retratos. Eles foram trazidos em nome de uma reflexão sobre a importância da fotografia, porque essa popularização não aconteceu à toa, e é uma tradição com muita ênfase na cultura regional. Essa exposição é a própria busca dessa identidade, que ainda é procurada nos trabalhos mais contemporâneos", explica. (Jáder Santana)

 

Exposição Sobre a cor da sua pele 

 

Quando: até 3/2/2019

Onde: Museu da Cultura Cearense, no Dragão do Mar

Visita guiada dia 8/12, às 14h