Filme sobre a rebelião dos jangadeiros estreia nos cinemas este mês
Filme cearense 'A Rebelião dos Jangadeiros' estreia nos cinemas neste mês de fevereiro. Longa transita entre de modo híbrido entre documentário e ficção
Filme que resgata história de abolicionistas cearenses além de Dragão do Mar, "A Rebelião dos Jangadeiros" estreia nos cinemas de Fortaleza na quinta-feira, 19. Em Porto Alegre, o documentário chega no dia 26, também uma quinta-feira.
LEIA TAMBÉM | 'A Rebelião dos Jangadeiros' resgata histórias de abolicionistas cearenses
Com direção dos jornalistas Cinthia Medeiros e Demitri Túlio, a "A Rebelião dos Jangadeiros" tem produção da Gavulino Filmes e partiu de matérias assinadas por Demitri no O POVO sobre jangadeiros que se recusaram a transportar povos escravizados no Ceará.
Híbrido entre documentário e ficção, o longa traz entrevistas com Jones Manoel, militante político e historiador, com o sociólogo Hilário Ferreira e com Lúcia Simão, pioneira na luta antirracista no Ceará e fundadora do Grupo de União e Consciência Negra (Grucon).
O filme também conta com depoimentos de historiadores, antropólogas e outros ativistas negros na parte documental. Já a ficção é utilizada para recontar a narrativa oficial e trazer as histórias de Tia Simoa, José Napoleão e outros trabalhadores negros que lideraram o movimento abolicionista.
A Rebelião dos Jangadeiros
A primeira Greve ou Rebelião dos Jangadeiros ocorreu em janeiro de 1881, sob a liderança de José Napoleão, um homem negro ex-escravizado.
LEIA TAMBÉM | Napoleão: quem foi o outro dragão da liberdade no Ceará, antes do Dragão do Mar
Em entrevista ao O POVO em outubro de 2025 sobre o tema, o pesquisador Hilário Ferreira afirmou que o êxito do movimento dos jangadeiros chamou a atenção de abolicionistas brancos, que chamaram José Napoleão para fazer parte do grupo.
Eles receberam sua recusa e a indicação de outro nome: Chico da Matilde. Conforme Hilário Ferreira, cujas pesquisas inspiraram o roteiro do filme, o cearense hoje conhecido como Dragão do Mar só teve sua participação no movimento a partir da segunda greve dos jangadeiros, realizada em agosto de 1881.
O sociólogo também explicou que o apagamento de figuras como José Napoleão e sua companheira Tia Simoa se deve à narrativa registrada pelos abolicionistas brancos, depois sustentada pelos intelectuais do Instituto Histórico do Ceará.
Além de trazer à tona essas histórias apagadas dos registros oficiais, o documentário "A Rebelião dos Jangadeiros" atualiza as discussões sobre racismo e escravidão no Ceará - sistema cujo fim tem passos importantes com as greves iniciadas pelos jangadeiros.
Dúvidas, Críticas e Sugestões? Fale com a gente