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Aos 54 anos, Claudia Raia revela se sentir excluída da sociedade pela idade

A atriz falou sobre o preconceito às pessoas acima de 50 anos pela pressão estética, mercado de trabalho e estilo de vida.

11:48 | 02/07/2021
Claudia Raia fala sobre o preconceito após os 50 anos de idade (Foto: Reprodução / Instagram)
Claudia Raia fala sobre o preconceito após os 50 anos de idade (Foto: Reprodução / Instagram)

Em entrevista a Marie Claire, a atriz Claudia Raia fez uma reflexão sobre ser uma mulher acima dos 50 anos de idade: "A sociedade te exclui", afirmou. Durante a conversa, a artista, que tem 54 anos, falou sobre machismo, pressão estética, mercado de trabalho e o preconceito destinado às mulheres de sua idade.

Falando sobre beleza, Claudia criticou a pressão que as mulheres carregam ao longo da vida para manter as aparências. "A sociedade machista estrutural que a gente vive nos dá esse peso: a mulher tem que estar linda, cheirosa, organizada, já deve ter cuidado dos filhos, tem que estar muito incrível, jovem, viçosa... e 40 anos no Brasil é velha. Na cabeça do homem é muito mais conveniente você ter uma menina de 25 ao seu lado, do que ter uma mulher de 50 que vai fazer o que quer, tem seu próprio dinheiro, sua vida resolvida. Esse tipo de mulher assusta, dá trabalho", disse.

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Para ela, o cenário fica pior à medida que a idade avança. "Chegou nos 40 acabou pra você. 50 então, amor, você tinha que estar fazendo tricô em casa, aposentada. Essa mulher não tem direito a nada. Parou de ovular, parou de existir. Aí ela vai renascer aos 80 como uma avó fofinha. Aos 50, 60 e 70 você não tem direito nem de se casar de novo, nem de colocar a roupa que você quer, nem de deixar seu cabelo comprido... os filhos te olham torto quando você vai sair com um cara. É toda uma egrégora contra a liberdade de recomeçar aos 50", ressaltou.

Claudia também citou que, mesmo vivendo uma posição privilegiada como artista, tem observado os preconceitos por conta da idade. Outras críticas feitas pela atriz dizem respeito a associação da vida da mulher com a vida reprodutiva. "Meu ginecologista fala uma coisa que eu adoro: a nova mulher de 50 não está escrita nos livros. Os médicos mesmo não sabem lidar com essa nova mulher. Só para você ter uma ideia, os termos são lamentáveis, tipo falência ovariana. Como assim falência? O ovário está lá, ele existe, não morreu. Tudo é ligado à morte. O homem continua existindo, ele pode continuar procriando, vai pra frente. A mulher não. Temos que mudar isso, primeiro na cabeça das mulheres para que elas saibam que a potência máxima começa aos 50. Quando você vai a uma peça de teatro qual é o melhor ato? Geralmente é o segundo", afirmou.

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A artista também afirmou que o mercado de trabalho exclui pessoas acima de 50 anos. "A gente está em 2021, num mundo inclusivo, isso não cabe mais. Que legal é ter uma empresa com profissionais de 50+ e também tenha a geração millennial (nascidos após o início da década de 80), olha que casamento incrível. O millennial também não tem experiência com essa pessoa e essa pessoa vai aprender horrores com ele. É uma troca, uma junção muito interessante. Retrógrados são as pessoas que não pensam assim", ressaltou.

"Tem profissionais excepcionais que chegaram aos 50 e não têm mais mercado de trabalho, profissionais necessários. Acho que tem que dar uma mexida em absolutamente tudo e eu sou mesmo essa porta-voz do ageless, eu sou a pessoa que levanto a bandeira, coloco meu ginecologista no meu Instagram falando da menopausa", disse.

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Claudia também apontou a falta de representatividade de pessoas mais velhas no mercado publicitário. "Você não pode olhar o produto antiaging ou pra rugas e ver menina de 25 anos falando daquele produto, não é o lugar de fala dela. A gente não se vê representada. E não é que tem que fazer propaganda de fralda geriátrica, não é isso. Por que a moda não pode ser representada por uma mulher de 50? Por que o skincare, o produto de cabelo não pode ser representado por uma mulher mais madura? Todo mundo usa, ou só jovem que usa?", criticou.

A atriz também comentou que desde nova cuida do corpo, de dentro para fora, mas não se preocupa com as mudanças de aparência trazidas pela idade. "A beleza é esse autocuidado. Óbvio que não posso ter uma cara de 30 porque tenho 54, não fica nem bem, fica até inadequado. Então quero ter uma cara da minha idade bem. Nossa, que linda está a Claudia, viçosa, está feliz. Senão você fica frustrada com aquilo que jamais vai atingir. A idade chega e tudo bem, está tudo certo", ressaltou.

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