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Com tema "Poéticas de Travessia" em 2021, Porto Iracema das Artes oferta 165 vagas para cursos gratuitos

As sete formações abrem o ano letivo de 2021 da Escola, que tem como tema norteador "Poéticas de Travessia". As aulas devem acontecer de 23 de fevereiro a 1º de abril. Inscrições seguem até 19 de fevereiro

19:19 | 15/02/2021
Obra "Permitir o afeto" (2020), de Victor Cavalcante, integra as manifestações artísticas apresentadas no curso "Travessias Afetivas: Estética, Política e Arte Contemporânea", ministrado pelo artista e pesquisador Lucas Dilacerda (Foto: Victor Cavalcante)
Obra "Permitir o afeto" (2020), de Victor Cavalcante, integra as manifestações artísticas apresentadas no curso "Travessias Afetivas: Estética, Política e Arte Contemporânea", ministrado pelo artista e pesquisador Lucas Dilacerda (Foto: Victor Cavalcante)

Com a temática "Poéticas de Travessia" definida para o ano letivo de 2021, em referência aos desafios da formação artística durante a pandemia da Covid-19, o Porto Iracema das Artes abre inscrições para sete cursos do Programa de Formação Básica. Com 165 vagas, as formações on-line e gratuitas são distribuídas entre os programas de diferentes linguagens da Escola: Programa de Fotopoéticas (90 vagas) e Cursos Básicos de Artes Visuais (40), Artes Cênicas (20) e Audiovisual (15). As aulas devem acontecer de 23 de fevereiro a 1º de abril. Inscrições seguem até 19 de fevereiro, por meio do formulário disponível na plataforma virtual da instituição.

As vagas têm como público prioritário alunos da rede pública de ensino, entre 16 e 29 anos, que estejam cursando ou já tenham concluído o Ensino Médio. No time de professores dos cursos, artistas e pesquisadores cuja experiência do ano de 2020 foi atravessada pelo formato virtual: Zeca Ferreira, Aline Motta, Ma Njanu, Rômulo Silva, Deri Andrade, Lucas Dilacerda, Manuela Eichner e Trupe Motim de Teatro. O resultado da seleção será divulgado dia 22 de fevereiro, também na plataforma virtual da Escola.

Tais formações do Programa de Formação Básica já são orientadas pela abordagem "Poética de Travessia", com conceitos que discutem trâmites entre ideias — supostamente — contrárias na criação artística. Fale-se, aqui, sobre o situar num percurso entre mundos, atravessando fronteiras e sendo atravessado. Um ponto de sublimação, onde não há propriamente definições antagônicas, mas sim os sentidos em suas mais diversas formas, linguagens, percepções e provocações.

"Pontes sobre Abismos" (2017), de Aline Motta - artista que ministra o curso Fotografia e memória: a água é uma máquina do tempo
"Pontes sobre Abismos" (2017), de Aline Motta - artista que ministra o curso Fotografia e memória: a água é uma máquina do tempo (Foto: Divulgação/Aline Motta)

 

Os Cursos Básicos da Escola vão iniciar e acontecer, pela primeira vez, no formato on-line. Em 2020, quando as inscrições deveriam começar para a formação presencial, o isolamento social aconteceu. Para Bete Jaguaribe, diretora do Porto Iracema das Artes, “2020 foi um ano trágico, que nos interpelou em todas as dimensões”. A partir da temática “Poéticas de Travessia”, se propõe o pensamento sobre a experiência social durante a pandemia, especialmente no que toca a dimensão estética.

“Essa reflexão contamina todos nossos processos de formação, de pensamento sobre artes, sobre a invenção da vida, portanto, também os processos culturais, que têm a ver com o que o País vive enquanto nação, enquanto comunidade”, comenta Bete. Guimarães Rosa, Salomé Lopes Coelho e Michel Foucault foram alguns dos pensadores que inspiraram a provocação temática.

O tema foi definido a partir de indagações que atravessaram a Escola durante o ano anterior. Trata-se de abrir o diálogo profundo com essas próprias questões e com as diversas vozes participantes deste tensionamento: “É um paradoxo, mas o isolamento social tende a instaurar um sentimento de individualidade. Ao mesmo tempo, a ideia do coletivo se renova enquanto utopia. A solidariedade se coloca como urgência. As urgências da criação coletiva se fazem muito fortes, inclusive como estratégia de sobrevivência”, acentua a diretora.

“Travessias Afetivas: Estética, Política e Arte Contemporânea”, ministrado pelo artista e pesquisador Lucas Dilacerda, é um dos cursos disponíveis. Na formação, será discutido como os valores empresariais do capitalismo têm transformado a vida e o mundo da arte. Para Lucas, os valores neoliberais (produtividade, velocidade, cronometragem etc) produzem a proliferação de afetos tristes (medo, insegurança, ansiedade, cansaço etc). Obras de Victor Cavalcante, Aoruaura e Caie Prado são algumas das manifestações artísticas utilizadas para abordar o tema.

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“Diversas manifestações artísticas na arte contemporânea têm denunciado a falência desse mundo neoliberal e colonial como conhecemos, produções artísticas que se manifestam em diversos modos de expressão. A arte tem a potência de criar novos mundos possíveis, bloqueando, mesmo que de maneira efêmera e perecível, as forças neoliberais e coloniais do mundo como conhecemos para, a partir disso, abrir brechas que possibilitem jorrar o impossível e instaurar novos espaços e tempos que nos curam e nos alimentam de vida e coragem”, aponta Lucas.

O artista e pesquisador espera que os alunos, após o curso, carreguem consigo referências artísticas que “apontam para uma travessia em direção a afetos alegres e novos mundos possíveis”.

Veja mais sobre os cursos

- Audiovisual

1. "TÃO LONGE, TÃO PERTO: Oficina de Cinema Documentário", com Zeca Ferreira (15 vagas)
Temas em debate:
– O cinema documentário: breve histórico e princípios teóricos;
– O cinema documentário, novas tecnologias e experimentos de linguagem (ex: som direto, câmeras mais leves, cinema digital, etc.);
– Arquivo. Memória pessoal e memória coletiva;
– A autoria como construção. Multiplicidade de olhares e pontos de vista/lugares de fala (as conquistas dos últimos anos e os desafios atuais). O olhar e a voz do realizador. O ensaio como forma;
– Os desafios para o cinema em tempo de pandemia.
Quando: 2 de março a 1º de abril, terças e quintas, de 10h às 13 horas (30 h/a)
Público: Preferencialmente, alunos da escola pública, cursando ou tendo concluído o Ensino Médio, com interesse em cinema documentário.
Requisito: É necessário um celular com câmera e acesso à internet.
Exercícios: Diários de rotina e cartas fílmicas, a partir dos quais cada participante esboça um projeto final.

– Fotopoéticas

2. "Fotografia e memória: a água é uma máquina do tempo", com Aline Motta (30 vagas)
Aline Motta compartilha sua criação artística, realizada a partir damemória e das trajetórias de vida de alguns de seus familiares. Os participantes do curso terão o encontro com estratégias e ferramentas para desenvolver e aprofundar pesquisas artísticas, a partir de suas próprias histórias de vida e experiências em suas comunidades.
Quando: 16, 18, 23, 25 de março, terças e quintas, de 18h às 20 horas (8 h/a)
Público: Preferencialmente, alunos da escola pública, cursando ou tendo concluído o Ensino Médio, com alguma experiência anterior em criação em fotografia e/ou artes visuais.

3. "CORPO-F3CHADO: Ateliê de criação desobediente", com Ma Njanu e Rômulo Silva (30 vagas)
Corpo-fechado é um ateliê de criação desobediente que discute possibilidades inventivas a favor do desmantelamento e da derrubada das cercas, cercados e clausuras coloniais. Partindo da produção audiovisual “Corpo Fechado: The Devil’s Work” (2018), de Carlos Motta, o curso pretende pensar as fotopoéticas e o seu duplo-poder de reapresentar a palavra e de sabotar o discurso.
Quando: 1º, 3, 5, 8, 10 e 12 de março, segundas, quartas e sextas, de 18h às 19h30 (9 h/a)
Público: Preferencialmente, alunos da escola pública, cursando ou tendo concluído o Ensino Médio, com interesse em fotografia e escrita.

4. "Outras imagens: um panorama da fotografia de autoria negra brasileira", com Deri Andrade (30 vagas)
O curso refletirá sobre a produção artística no contexto das artes no País, apresentando percurso histórico da institucionalização da fotografia e as novas imagens criadas por jovens autores. Um panorama da fotografia brasileira atual, focado na produção de autoria negra e na plataforma de mapeamento e difusão de artistas, o Projeto Afro.
Período: 15, 17, 22 e 24 de março, segundas e quartas, de 18h às 20h (8 h/a)
Público: Preferencialmente, alunos da escola pública, cursando ou tendo concluído o Ensino Médio.

– Artes Visuais

5. "Travessias Afetivas: Estética, Política e Arte Contemporânea", com Lucas Dilacerda (20 vagas)
O curso discutirá como a Política do Neoliberalismo tem provocado transformações na Estética da Sensibilidade e da Percepção, com o surgimento de afetos tristes (desatenção, esquecimento, apatia, cansaço, ansiedade etc). Serão apresentadas manifestações artísticas da arte contemporânea, que denunciam a falência do mundo neoliberal e colonial e que apontam para uma travessia em direção aos afetos alegres e novos mundos possíveis.
Quando: 23, 24, 25 e 26 de Fevereiro, terça a sexta, das 19h às 22h (12h/a)
Público: Preferencialmente, alunos da escola pública, cursando ou tendo concluído o Ensino Médio.

6. "Planta-colagem", com Manuela Eichner (20 vagas)
A partir do estudo das plantas, a oficina deseja estabelecer uma conexão entre sua estrutura (caráter rizomático, arquitetura cooperativa, autonomia energética) com a estrutura da colagem (multiplicidade, reciclagem, diversidade). Uma conexão planta-colagem, a partir das questões: Como sonhar coletivamente num momento de mutação ecológica e confinamento social? Como romper com a tela do computador ? Como entender a nossa coexistência com a natureza ?
Quando: 8, 10 e 12 de março, das 9h às 12h (8h/a)
Público: Preferencialmente, alunos da escola pública, cursando ou tendo concluído o Ensino Médio.

– Artes Cênicas

7. "Cenografia criativa: ressignificando objetos do cotidiano", com Trupe Motim (20 vagas)
Para esta formação prática, a Trupe Motim traz como principal material de trabalho os objetos encontrados em casa e no cotidiano, com o intuito de criar cenografias, adereços, bonecos etc. O curso provocará ideias para ressignificar, reaproveitar e recriar no mundo da arte.
Quando: de 2 a 5 de março, terça a sexta, das 16h às 18 horas (8 h/a)
Público: Preferencialmente, alunos da escola pública, cursando ou tendo concluído o Ensino Médio.
Materiais sugeridos: Cola branca, cola quente, cola de contato / instantânea, tesoura, estilete, tecidos, papelão, papéis, papel adesivo, fita gomada, tubos e materiais plásticos, sucatas, vasilhas, porcas e parafusos, tintas diversas, brinquedos velhos ou quebrados, caixas variadas, etc.

Inscrições para cursos on-line do Porto Iracema das Artes
Quando: até 19 de fevereiro
Onde: plataforma virtual do Porto Iracema das Artes
Mais info: resultado da seleção dia 22 de fevereiro;período das aulas de 23 de fevereiro a 1º de abril