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Lino Villaventura põe "Bloco na rua" em vídeo-performance com voz de Ney Matogrosso

Apresentação do estilista - radicado no Ceará - encerrou o penúltimo dia, neste sábado, da edição comemorativa de 25 anos do São Paulo Fashion Week (SPFW), pela primeira vez, por conta da pandemia, 100% digital

Jully Lourenço
17:54 | 08/11/2020
Trabalho artesanal do estilista ganhou versão fílmica para a edição de 25 anos do SPFW; produção mistura moda, música e investigações sobre o corpo como potência (Foto: Paulo Mancini/Divulgação)
Trabalho artesanal do estilista ganhou versão fílmica para a edição de 25 anos do SPFW; produção mistura moda, música e investigações sobre o corpo como potência (Foto: Paulo Mancini/Divulgação)

Em nova investigação sobre moda e potencialidades do corpo, estilista Lino Villaventura propôs, no lugar de um desfile virtual, uma apresentação fílmica, recorrida pela maioria das marcas na edição, desta vez, 100% on-line da semana de moda, considerada a principal do País.

A exibição do vídeo, com direção inédita de Miro e narração de Ney Matogrosso, que dá novo tom dramático à canção "Eu Quero É Botar Meu Bloco Na Rua", composição de Sérgio Sampaio, ocorreu na noite desse sábado, 7 de novembro, no horário previsto, às 21h30min.

Apesar da produção, que conta com outros talentos (entre eles, do diretor criativo da SPFW, Paulo Borges), não ter um título, diz bem sobre o que quer passar. "Criar imagens fortes e que nosso trabalho vai além das roupas que produzimos", adianta comunicado da marca.

A intenção parte de um "grito" que é revelada, pouco a pouco, com o "Bloco na rua", volta e meia, no vídeo, atualizado na voz de Ney. Essa escolha não foi por acaso. Traz um sentimento atual, para o estilista. "Foi uma música muito emblemática para um momento opressivo", referiu-se Lino durante um papo, ao vivo, com os apresentadores da edição de 25 anos do evento, após divulgação do filme, que tem cerca de sete minutos, no YouTube. Dê o play abaixo:

O tom de liberdade criativa é complementado com peças que dançam junto ao corpo - ou o provoca - ou vêm do "céu", como uma espécie de "proteção" a tempos difíceis; uma releitura sobre os questionamentos atuais, que não deixam de ser latentes no trabalho do estilista.

"Num momento de reflexão e recolhimento, mais do que nunca precisamos incentivar nossa imaginação", e é o que ele faz, ao apresentar, mais que uma coleção.

"Uma expressão, um movimento e novos experimentos, como num laboratório", também informa em sua idealização sobre o novo, em forma de comunicado, disponibilizado à impressa. "Testamos novos métodos, novas ideias de texturas, tingimentos e bordados em tecidos diferenciados", resume, detalhando o processo de desenvolvimento.

Reconstrução

É outro olhar que está por detrás dos looks, postos em destaque. Quem atenta-se ao ambiente, em segundo plano, percebe que ele serve de locação, como de elo à nova arquitetura proposta. Para o estilista, algo sensível à sua visão criadora: "(Resgatar) com emoção a coragem e a determinação necessárias nesses tempos nebulosos".