PUBLICIDADE
Noticia

Mestra da Cultura do Ceará, artesã Dona Zefinha morre no Cariri

Reconhecida com o título de Tesouro Vivo da Cultura, do Governo do Estado do Ceará, Dona Zefinha morreu no domingo, 2, aos 76 anos de idade

Lillian Santos
13:15 | 03/08/2020
Reconhecida com o título de Tesouro Vivo da Cultura, do Governo do Estado do Ceará, Dona Zefinha faleceu no domingo, 2, aos 76 anos de idade  (Foto: Felipe Abud/ Secult CE/ Divulgação)
Reconhecida com o título de Tesouro Vivo da Cultura, do Governo do Estado do Ceará, Dona Zefinha faleceu no domingo, 2, aos 76 anos de idade (Foto: Felipe Abud/ Secult CE/ Divulgação)

Atualizado em 04/08, às 08h47min

Reconhecida desde 2013 como Mestre da Cultura do Ceará, Dona Zefinha morreu no último domingo, 2, aos 76 anos de idade. Natural de Juazeiro do Norte, Josefa Pereira de Araújo nasceu em 15 de setembro de 1943 e ganhou destaque na cultura cearense pelos seus trabalhos com artesanato nas confecções de redes e almofadas de renda de bilro.

O falecimento de Dona Josefa, ou Dona Zefinha como era mais conhecida, foi confirmado na manhã desta segunda-feira, 3, pela Secretaria da Cultura do Ceará (Secult). De acordo com o órgão, o estado de saúde de Dona Zefinha já estava fragilizado, mas que ainda não há conhecimento da causa da morte.

“A gente lamenta muito a passagem de cada artista. Eu digo que os mestres não morrem, eles descansam, e o legado da Dona Zefinha no trabalho com a renda sempre será importante na cultura popular e tradicional do Ceará”, afirma Fabiano Piúba, secretário de Cultura do Estado, que soube do falecimento de dona Zefinha ainda na noite de ontem, 2.

Residindo em Potengi, município localizado a 410 km de distância de Fortaleza, na região do Cariri, desde meados de 1959, foi decretado luto oficial de três dias no município, em consideração aos serviços prestados pela Mestra em prol da Cultura da Região. 

Com amparo na Lei Aldir Blanc (14.017/2020), que prevê o benefício aos profissionais da área da cultura, a Prefeitura Municipal de Potengi estabeleceu a Lei Municipal 404/2020 em apoio e valorização à cultura local. Em operação desde 24 de julho, a lei municipal foi batizada de “Lei Dona Zefinha Rendeira”, em homenagem à artesã. Redator do projeto, Marcos Aurélio Rodrigues comenta que, como a lei já havia sido sancionada desde o mês de julho, um novo projeto de lei foi enviado ao Poder Legislativo para que o legado de Dona Zefinha seja reverenciado.

“O projeto de alteração na denominação da Lei foi abraçado por todos. Eu creio que o trabalho de Dona Zefinha há de ser continuado, não com a mesma essência e particularidade como a da profissional artesã, mas a família irá dar continuidade para eternizar o tesouro material criado por ela”, afirma Marcos Aurélio, coordenador Municipal de Programas e Projetos Federais em Potengi.

Mãe de 14 filhos, Dona Zefinha aprendeu o ofício da renda aos sete anos de idade com a mãe adotiva, Helena de Jesus. Pela importância de seu trabalho na manutenção da tradição da renda no Ceará, Josefa Pereira de Araújo recebeu o título de Tesouro Vivo: Mestra da Cultura Popular Tradicional, pelo Governo do Estado no ano de 2013.

Fabiano Piúba relembra que, pelo avanço da idade e por suas limitações de saúde, a mestra não estava mais participando do Encontro Mestres Mundo, evento que reúne os Tesouros Vivos da Cultura do Ceará. “O trabalho de renda que ela fazia é algo fabuloso, ter passado os ensinamentos para as filhas traduz muito o sentido e o sentimento de um Mestre da Cultura: os saberes que são transmitidos boca a boca, compartilhado na família e na comunidade”, desabafa o secretário.

“O artesanato é sua ocupação principal, confeccionando rede de dormir de renda de bilros. Aprendeu essa arte com a mãe, Dona Helena, que também fazia redes. Trabalha numa almofada de mais de um metro de comprimento, manipulando 120 pares de bilros de macaúba. Para tecer uma rede de dormir, necessita de 20 novelos de linhas e cerca de 70 dias de trabalho.”, descreve o perfil de Dona Zefinha no Anuário de Ceará, publicação do O POVO