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Produzido em quarentena, banda Scalene lança novo EP e conta os desafios de criar remotamente

Complementando o disco "Respiro", de 2019, banda Scalene lança o EP "Fôlego", produzido durante isolamento

Lillian Santos
14:21 | 29/06/2020
Complementando o disco
Complementando o disco "Respiro", de 2019, banda Scalene lança o EP "Fôlego", produzido durante isolamento (Foto: Matt Magrath / Divulgação)

Com cinco faixas produzidas durante o isolamento social, a banda Scalene lançou o EP “Fôlego” no último dia 18. O novo trabalho da banda brasiliense complementa o disco “Respiro”, de 2019, e atua como uma válvula de escape e de reflexão dos músicos em meio à pandemia do coronavírus. Formada por Gustavo Bertoni, Tomás Bertoni, Lucas Furtado e Philipe Nogueira, o grupo divulgou as novas músicas durante uma live transmitida na última semana no canal do Youtube e já pode ser ouvida nas plataformas de streaming de música.

Com todas as etapas da produção segmentadas nas residências de cada integrante, a banda relatou os desafios de criar algo remotamente. Em entrevista ao O POVO, Lucas Furtado, o Lukão, explica que o processo de criação, antes presencial e que contava com um “fluxo de ideias que acontecia em tempo real”, foi adaptado às conversas virtuais entre as gravações de cada faixa.

Assista a live de lançamento do EP, transmitida no último dia 18 de junho:

“Para esse EP as coisas não puderam acontecer tão organicamente, com todo mundo ali com seu instrumento podendo mostrar ideias e arranjos ‘ao vivo’, então adaptamos isso conversando bastante através de chamadas de vídeo antes e depois de gravar cada parte e também trocando referências e informações durante o processo todo. Essa parte foi desafiadora mas tiramos isso de letra e essa nova forma de produção rolou muito bem pra gente.”, declarou o baixista.

A banda ganhou relevância nacional após participar do programa “Superstar”, da Rede Globo, em 2015 e, no ano seguinte, recebeu o prêmio de Melhor Álbum de Rock em Língua Portuguesa no Grammy Latino. Scalene esteve em Fortaleza pela última vez em 2018, durante a edição do Festival Garage Sounds.

Responsável pelos sintetizadores nas canções de “Fôlego”, junto com Gustavo Bertoni e Diego Marx, Lukão descreve o protagonismo da música e do artista no momento atual como um mercado frágil no país. “Com a pandemia e tudo que ela acarreta, vemos que a cadeia produtiva da música se sustenta com muito pouco e que não existe ‘rede de segurança’ pra maioria das pessoas envolvidas nesse mercado. Para muita gente o serviço do artista está entre os menos essenciais, mas essas pessoas não param de consumir música, cinema, TV. O produto final, que é produzido por nós, tem valor inestimável na vida das pessoas, mas o trabalho que envolve para criar esse produto não tem importância pra muita gente.”

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Para o futuro do mercado musical no mundo pós-pandemia, o baixista afirma esperar que o período atual traga reflexão para aqueles que consomem a arte com o objetivo de se entreter nesse período de pandemia. “Estamos curiosos para ver o que vai rolar ainda durante esse período. Show online já é uma realidade mas ainda não é uma solução do ponto de vista financeiro e não tem o mesmo impacto do que a experiência presencial. Quando a pandemia acabar e já tivermos uma vacina vai estar todo mundo louco pra ir num show "de verdade" e nós também estaremos loucos pra tocar, então vai ser uma grande festa todo fim de semana”, finaliza o integrante da Scalene.

Confira o repertório de “Fôlego”:
1. Caburé
2. Passageiro
3. Caleidoscópio
4. Espelho
5. Estar a Ver o Mar

Ouça "Fôlego", novo EP da Scalene aqui.