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Dona de hit "Era uma vez", Kell Smith lança 2º álbum; veja entrevista

Primeira parte de "O Velho e Bom Novo" já está disponível nas plataformas digitais

Natália Coelho
19:18 | 22/05/2020
A cantora Kell Smith explica que o comer das flores é uma metáfora para a fome de algo além de comida (Foto: Gustavo Arrais/Divulgação)
A cantora Kell Smith explica que o comer das flores é uma metáfora para a fome de algo além de comida (Foto: Gustavo Arrais/Divulgação)

A cantora Kell Smith lançou nesta sexta-feira, 22, a primeira parte (chamada de “Lado A”) de seu segundo álbum de estúdio, “O Velho e Bom Novo”. Com seis canções autorais e em co-composição com o maestro e produtor Bruno Alves, o novo disco segue linha parecida com Era Uma Vez, maior sucesso da artista e que compõe seu primeiro álbum, “Girassol” (2017), mas aborda também novos temas, como depressão e a celeridade da contemporaneidade.

Sem o uso de afinação artificial, com o objetivo de deixar a voz da cantora mais próxima da percepção do ao vivo, parte do CD teve de ser gravado com cada músico em sua casa, visto que, no meio do processo, a pandemia do novo coronavírus havia começado.

O Lado A de "O Velho e Bom Novo" já está disponível nas plataformas digitais A segunda parte do álbum, chamado “Lado B”, já está finalizada, mas ainda sem data de lançamento.

Misturando MPB, reggae e outros gêneros, a cantora natural de São Paulo conversou com fãs antes de construir o álbum, resultando em novas temáticas para suas composições. O Vida&Arte conversou com a Kell Smith sobre suas inspirações, sua evolução profissional e sobre as possibilidades de uma passagem pelo Nordeste. Confira a entrevista:

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O POVO: O que quer dizer que o disco foi gravado com técnicas analógicas e digitais?
Kell Smith: Na verdade, usar essas técnicas é usar a tecnologia só a favor da música e não para robotizá-la, deixá-la mecânica. Nós não substituímos os instrumentistas naturais por instrumentos programados. A gente foi colocando de maneira orgânica, no começo da produção do disco, quando ainda trabalhávamos presencialmente. Mas começamos a trabalhar de maneira remota e cada grupo gravou de dentro da sua própria casa e o maestro foi liderando os músicos, mostrando qual o caminho. Por mais que a gente traga tecnologia, é a nosso favor. Você também ouve a minha voz, consegue ter o mesmo sentimento de quando eu estava sentindo quando eu gravava. Consegue ouvir até a minha respiração. É o que passa a emoção na interpretação. trazendo essa maior sensibilidadee essa proximidade para quem está escutando essas músicas

O POVO: Você acha que, entre o álbum e a música “Era uma Vez”, há uma nova Kell Smith?
Kell Smith: Sim. Na verdade o que eu penso é que tudo faz parte de um processo. Eu mudei, e o peso da caneta é o meu peso, o peso da minha experiência, do que eu vivo, do que eu evoluo, absorvo, aprendo sobre as pessoas. Eu mudei, então o peso da caneta também, e vai se desenvolvendo no processo. Eu vivi muitas coisas incríveis e desconfortáveis, e isso vai interferindo. A vida é isso, essa roda gigante. E tudo isso foi agregando no peso e na leveza dessa caneta.

O POVO: Você tem músicas de gêneros diferentes, como “Respeita as Minas”. É uma prática comum?
Kell Smith: Eu gosto de fazer música. Cada música vai pedindo seu registro e sua identidade. Não posso diminuir a música para caber no meu gênero ou no meu universo. Não me limito a dizer que eu pertenço a um gênero ou a outro. O que eu sinto que a música me pede, eu boto. Eu sinto reggie, bossa nova, MPB, a mensagem e mais importante que o cantor.

O POVO: O que há de você nas canções? É tudo muito pessoal ou há também influências externas?
Kell Smith: Eu componho sobre histórias minhas e sobre histórias que não são minhas, mas sei que são reais. Quando você escuta por exemplo a canção “Vulnerável”, tem minhas vulnerabilidades. Mas a música “Eu Vou Conseguir” é uma música que fala de depressão e eu não enfrentei essa doença, mas esse tema foi o mais votado pelos fãs, nas enquetes que fazia. Quando eu vou conversar a respeito das minhas músicas com os fãs, porque eu falo muito com eles - eu sentia uma necessidade grande da parte deles de ter uma música que pudesse acolher. E quem enfrentou sabe que verbalizar é muito difícil e eu meu sinto capaz de ser instrumento dessas mensagens. Não posso dizer que minha música é biográfica.

O POVO: Como foi o processo de composição com o maestro Bruno Alves?
Kell Smith: Eu já acompanho com um maestro há um tempo e tomei a decisão de dividir essas músicas que escolhessem ele como compositor já por nossa intimidade musical. |Quando você divide música com alguém que tem uma composição eu conversa com a sua, isso torna o ambiente mais livre e propício a uma arte verdadeira. A arte dele tem um propósito.

O POVO: E qual é esse propósito que vocês compartilham?
Kell Smith: Muito mais do que tocar simplesmente, ela tem o propósito de tocar pessoas, levar representatividade, tocar em temas delicados, tabus, temas mal resolvidos, o luto.. A música é muito maior que o cantor. Nós somos instrumentos dela. Eu quero passar essas mensagens de vida real para pessoas.

O POVO: Nas fotos promocionais, você está comendo flores. O que isso significa, há alguma metáfora?
Kell Smith: Isso na verdade tem o significado da fome que não é só de comida, e também é de arte, de poesia. O que seria de nós nessa quarentena se não houvesse a arte, como uma maneira de colocar a saúde mental, de reviver lembranças, ter saudade. A música nos acompanha em tudo, é sobre ter fome de arte e de poesia, sobre comer coisas boas e se encher de coisas boas.

O POVO: Com você falou da quarentena, o seu álbum se encaixa de alguma forma com esse momento?
Kell Smith: Me impressiona muito porque tinha insegurança do processo criativa sobre a profundeza dessas música,s porque a gente vive num momento tão difícil de tanto ódio, que eu me perguntava se eu não tinha o papel de levar letras leves. ma esse álbum foi feito antes da pandemia começar. Eu sei que a vida não erra com a vida, enão sei que tem um propósito disso. Eu entendo a importância de tocar nessas profundezas, porque as conversas que a gente adiava com nós mesmos, a gente não pode mais adiar.

O POVO: Como e quando a música começou a fazer parte da sua vida?
Kell Smith: A música sempre esteve presente na minha vida porque eu cresci na igreja, um mundo muito musical. Sou de família missionária. Mas a música fora do gospel começou a fazer parte da minha vida com a Elis Regina. Então há pouco tempo atrás, há cinco anos, comecei a tocar em barzinhos em Presidente Prudente. Conversei com meu pai sobre tocar as pessoas. Toquei por um ano e logo assinei meu contrato, e depois vocês me conheceram com “Era uma vez”.

O POVO: Há algum artista brasileiro que você se inspira quando pensa na construção da sua carreira?
Kell Smith: Tem a Elis (Regina), de fato, que é uma inspiração. A música dela me atravessa e não tem como, ela é uma inspiração. Tem o Belchior, sempre quando você escuta as musicas deles consegue tem uma perspectiva diferente.

O POVO: Você já veio ao Ceará para algum show? E há algum tour em sua agenda pós-pandemia?
Kell Smith: Amo o Nordeste, a família dele é nordestina. Adoraria ir para o nordeste. Nós teremos uma turnê, e não vejo a hora de estrear pelo Ceará. Ainda não fiz um show ai. Tem uma turnê linda para acontecer, desse novo projeto, novo álbum, e assim que a gente tiver em segurança para levar as música, com certeza vai rolar essa turnê.