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Grupo Bagaceira de Teatro completa 20 anos e lança campanha virtual

Coletivo tem vasta programação virtual, com material artístico, depoimentos, lives e debates em suas redes sociais a fim de conseguir apoio financeiro para se manter durante a quarentena

Natália Coelho
15/05/2020 18:08:53
"Lesados" é peça do grupo Bagaceira de Teatro (Foto: Divulgação)

Na quarta-feira do dia 17 de maio do ano 2000, o grupo Bagaceira de Teatro subia aos palcos pela primeira vez como coletivo, no Teatro do Praia. Completando 20 anos em 2020, o grupo lançou a campanha #bagaceira20anos, por meio da qual irá liberar portfólio de material artístico via redes sociais a fim de conseguir apoio financeiro para os membros do coletivo conseguirem se manter durante a quarentena imposta pelo coronavírus. A campanha dura até o dia 30 de maio e a programação sairá esporadicamente entre Instagram, Facebook e Youtube do grupo. 

Com vídeos exclusivos de peças, depoimentos, lives com debates sobre assuntos ligados a dramaturgia, produção cultura etc, o grupo também vem relembrando a própria trajetória no Instagram por meio de publicações chamadas de #throwbackbagaceira (#tbb). A hashtag faz referência a throwback thursday — ou #tbt —, quando usuários do Instagram aproveitam as quintas-feiras para publicar fotos ou vídeos de momentos passados para relembrá-los.

A contribuição financeira da campanha ocorre pelo site Sympla até o dia 30 de maio e recebe três opções de valores: R$ 10, R$ 20 e R$ 40.

Originalmente formado por Rogério Mesquita, Isabella Cavalcanti, Lívia Guerra, Luiza Torres, Yuri Yamamoto e Rafael Martins, o Bagaceira tem trajetória marcante no cenário cultural de Fortaleza. A primeira apresentação, no 17 de maio do ano 2000, contou com os esquete Papoula, uma sátira às novelas mexicanas, e Solange Mulher, que apresentava moça que tentava convencer os outros de quem realmente era.

Hoje, o grupo conta com Rafael Martins, Ricardo Tabosa, Rogério Mesquita, Tatiana Amorim e Yuri Yamamoto, tendo passado por diversos outros palcos de Fortaleza, como Theatro José de Alencar, Cucas, Teatro do Dragão do Mar, Sesc, além de teatros de vários outros estados do País. No repertório, peças como Lesados, O Realejo, Fishman, O Sr. Ventilador etc. Aventurando-se também pelo audiovisual, o coletivo teve participação criativa e de produção no longa-metragem Inferninho, dirigido por Pedro Diógenes e Guto Parente e eleito o melhor longa-metragem cearense de 2019 pela Aceccine.

Segundo Rogério Mesquita, um dos integrantes originais remanescentes, o sentimento causado pelo ambiente urbano está entre as principais temáticas do Bagaceira. “É sobre as inquietudes desse ser urbano que somos, de uma grande metrópole, nordestina e que traz muito do sertão, mas também do caos urbano. Essa mistura de referências permeia na obra do Bagaceira. Temos integrantes de vários bairros, várias classes. É sobre ser humano e ser urbano a partir do nosso ponto de vista, fortalezense”, ressalta o ator e produtor.

A campanha para fortalecer o grupo também é reflexo do desmonte das políticas culturais, de acordo com Rogério, principalmente a nível federal. O ator ressalta que os editais de cultura a nível estadual ou municipal tampouco têm capacidade de manter um grupo com as demandas do coletivo. “O orçamento não paga os custos de um grupo como o Bagaceira. A demanda são variadas. A demanda de grupos com muitos anos são diferentes, são políticas públicas diferenciadas. Não existe em nenhum dos três líderes uma política pública que encaixe o grupo Bagaceira. Os grupos de teatro estão desassistidos a todos os níveis”.

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Com 20 anos de história e 19 espetáculos, o grupo também funcionou como escola de formação. Segundo Tatiana Amorim, que integrou o grupo em 2003, foi por meio das trocas e das descobertas de identidade que ela, de fato, se descobriu como atriz.

“A vida de teatro do grupo possibilita a troca dos artistas. E o Bagaceira chegou num patamar inédito para grupos de Teatro no Ceará e a nível de Nordeste, de sobreviver de grupo. Conquistamos isso com muito trabalho, muito suor. A gente se doou muito, tivemos que abdicar muita coisa em prol desse sonho e chegamos nos 20 anos com uma história incrível, mas com uma grande questão: o que será da gente amanhã?”