Fábrica da BYD na Bahia chega à marca de 25 mil veículos produzidos
Com obras de expansão em andamento, a montadora chinesa tem como objetivo ampliar a nacionalização de peças e abrir novas concessionárias em 2026
Três meses após a inauguração da fábrica da BYD em Camaçari, na Bahia, a montadora chinesa chegou à marca de 25 mil veículos produzidos no Brasil. O complexo industrial, que segue em obras de expansão, consolida o Nordeste como um polo estratégico da empresa no País.
Desde outubro de 2025, quando a unidade foi oficialmente inaugurada, modelos como Dolphin Mini, King e Song Pro passaram a ser produzidos no espaço que abrigava a antiga fábrica da Ford, desativada em 2021. De acordo com a BYD, aproximadamente 420 veículos são entregues por dia na fábrica da Bahia.
Atualmente, a produção ocorre no regime SKD (Semi Knocked Down). Na prática, os veículos chegam da China com carroceria e acabamento interno, enquanto a conexão eletrônica e a finalização ocorrem no Brasil. Segundo a BYD, esse modelo é transitório e faz parte de um plano mais amplo de nacionalização da produção.
O vice-presidente da BYD no Brasil, Alexandre Baldy, afirmou que a meta da empresa é atingir o maior índice possível de nacionalização de peças nos próximos anos. “Porque é o viés da BYD verticalizar os países onde ela atua e no Brasil não é diferente porque quando houve a decisão de fabricar 600 mil carros por ano, é uma fábrica de grande capacidade, então ela vai ser a maior fábrica fora da China em fabricação de carros e não há como ser competitivo se a gente não consegue ser o maior verticalizado localmente”, afirmou Baldy.
A fábrica da BYD está instalada no Polo Petroquímico de Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, onde estão em andamento, desde outubro de 2024, obras para a implantação das etapas de estampagem, pintura e soldagem.
Sobre a escolha da região Nordeste para construir a fábrica, Alexandre Baldy afirmou que houve muita pressão, no início, para que o projeto não ficasse na Bahia, mas em São Paulo. No entanto, segundo o vice-presidente, a decisão de permanecer no Nordeste levou em conta fatores estratégicos, logísticos e de desenvolvimento regional.
“Então eu creio que por trás desse corporativismo e dessa pressão que ela é, vamos dizer, materializada pela Anfavea [Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores], vai muito desse lobby para que a gente pudesse abandonar o Nordeste e focar no Sudeste brasileiro”
Segundo dados da BYD, a fábrica emprega, atualmente, cerca de 2.300 funcionários diretos e 2.500 terceirizados e prestadores de serviço. A expectativa é de que mais 100 profissionais sejam contratados nos próximos meses.
Como meta para o mercado brasileiro, a BYD planeja abrir mais 50 concessionárias em 2026. Entre 2024 e 2025, a montadora registrou crescimento de 47% no País com a venda de 36.101 veículos a mais no período, saindo de 76.713, em 2024, para 112.814 em 2025.