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Arocs: o 8x4 da Mercedes-Benz é vitrine de toda a família de caminhões

O modelo é usado por mineradoras e empresas de construção pesada, por isto, o Arocs nem sequer é posto à venda. Custa cerca de R$ 1,1 milhão. A fabricação é por encomenda. O lançamento mira nestes nichos, mas demonstra a capacidade da montadora alemã em fazer caminhões. O Arocs é feito para uso intenso por três a quatro anos. Depois disso, é hora de ir para a sucata mesmo
20:08 | Nov. 04, 2021
Autor Jocélio leal
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Jocélio leal Editor-chefe dos núcleos de Economia e Negócios (Veículos, Imóveis e Empregos&Carreiras)
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Tipo Notícia

Iracemápolis (SP)* - A Mercedes-Benz lançou um caminhão que não estará nas lojas porque só pode ser adquirido por encomenda, mediante algo em torno de R$ 1,1 milhão. É um 8x4, extrapesado basculante, capacidade técnica para até 58 toneladas de PBT (peso bruto total) e 150 toneladas de CMT (capacidade máxima de tração), conforme as condições de operação. E o que significa este lançamento para o grande público, visto que ele é destinado a grandes companhias? Ser uma vitrine de tudo o que a montadora alemã é capaz de fazer.

O Arocs é feito para uso intenso por três a quatro anos. Depois disso, é hora de ir para a sucata mesmo. Esta aplicação intensiva exige robustez e, desse modo, serve também como laboratório para tudo o que a montadora produz.  O uso posicionado como capaz de revolucionar as operações fora de estrada no Brasil, mirando os específicos mercados da mineração, construção civil pesada e grandes obras de infraestrutura. O Arocs 8X4 é de origem germânica, mas foi testado em operações reais brasileiras a partir da necessidade dos clientes. Isto aparece em detalhes a facilitar o uso pelos motoristas. De todo modo, a montadora não divulga, mas já pesquisa o modelo na versão autônoma. Sim, sem humanos a bordo.

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O POVO participou de um test-drive na pista da Mercedes-Benz em Iracemápolis (SP) - ao lado da fábrica já desativada e vendida. Os jornalistas convidados não guiaram o gigante. Puderam assistir a apresentações em campo dos executivos da marca e embarcar em passeio com piloto da Mercedes ao volante. O roteiro teve asfalto e terrenos off road. O veículo é preparado para receber básculas de 20 a 24 metros cúbicos de capacidade volumétrica de carga. A Mercedes fala em mais de 200 unidades comercializadas, com as primeiras entregas previstas já para este ano.

O Arocs já é vendido na Europa e em outros mercados, mas recebeu uma série de características específicas para atender o Brasil e outros países com condições extremas de operação fora de estrada. Ele também será exportado, a partir do ano que vem, para a América Latina e outros continentes. O trem de força é formado pelo motor Mercedes-Benz OM 460 LA de 13 litros, a equipar o caminhão extrapesado rodoviário Novo Actros. Oferece potência de 510 cv a 1.800 rpm, com torque de 2.400 Nm a 1.100 rpm.

Atendendo a pedidos dos clientes, o Arocs tem retarder a óleo. Em combinação com os demais sistemas de freio, o retarder Voith R115 HV oferece cerca de 900 cv de potência de frenagem a 2.300 rpm. Isso. Mais força para frear do que para ir adiante.

O câmbio é 100% automatizado, o Mercedes PowerShift G340 de 12 marchas, sem pedal de embreagem. O câmbio automatizado, da última geração PowerShift 3, foi desenvolvido para o mercado brasileiro fora de estrada. Com inteligência embarcada, a Mercedes promete troca de marchas mais rápidas e eficientes.
A caixa de câmbio é reforçada, com engrenagens mais largas, o que aumentaria a resistência e vida útil. Não possui anéis sincronizadores, o que significa menos demanda de manutenção. O câmbio se caracteriza pela alavanca multifuncional na coluna de direção, funções Hill Holder e Hold. O tempo em que a função Hill Holder segura o rapaz na ladeira é de 3 segundos.

Três modos de operação

Economy – Condições de uso leve, com piso bom e trecho plano. Exemplo: caminhão vazio. Neste caso, as trocas de marcha buscam melhor consumo de combustível.

Standard – Condições de uso intermediário, com pavimento bom e rampas suaves com caminhão carregado. As trocas de marcha também buscam melhor consumo de combustível.

Power Off-road – Condições e uso severo, pavimento com baixa aderência, rampas íngremes e caminhão carregado. Permite maior controle do veículo por meio do pedal do acelerador.
A tomada de força com rotações mais baixas do motor assegura menor tempo de basculamento da caçamba. O efeito esperado é a otimização do descarregamento do caminhão.

O conjunto de eixos traseiros Mercedes-Benz HL7 + HD7, com redução nos cubos. Isto, anuncia a montadora, garante força. A robustez é alegada na capacidade técnica para até 20 toneladas por eixo. O bloqueio de diferencial transversal e longitudinal é item de série. O freio a tambor e as cuícas verticais estão mais protegidas dos impactos do solo.

A suspensão dianteira do Arocs é formada por molas parabólicas de 4 lâminas assimétricas, com capacidade de carga de 9 toneladas para cada um dos dois eixos dianteiros direcionais. Promete maior capacidade de carga e melhor distribuição de carga no veículo, além de maior conforto de suspensão e estabilidade de direção.

As molas foram projetadas e testadas especificamente para condições extremas off-road, com barras estabilizadoras no primeiro e no segundo eixos. Buchas de metal-borracha livres de manutenção foram introduzidas nas molas, amortecedores e estabilizadores.

Já a suspensão traseira do Arocs foi otimizada. Tem molas parabólicas reforçadas com 100 mm de largura. Oferece melhor estabilidade, maior rigidez e, espera-se, vida útil mais longa. Também dispõe de barras estabilizadoras reforçadas e amortecedores de dupla ação. As suspensões independentes têm fixação com “jumelo”.

Pneus OTR e itens de proteção
O Arocs vem equipado com pneus OTR destinados para operações fora de estrada e com rodas reforçadas.

O para-choque e os faróis foram desenvolvidos para evitar danos e reduzir os custos de reparação. O sistema elétrico foi preparado para ambientes agressivos, estando protegido dos impactos naturais de pisos irregulares. Vem equipado com freio a tambor nos eixos dianteiro e traseiro.

Há proteção contra comprometimento funcional ou danos aos componentes do freio devido à sujeira, produtos a granel e outros, uma vez que o design fechado evita a entrada de detritos ou sujeiras.
O sistema de freio eletrônico do Arocs conta com ABS e ASR. Existe monitoramento constante do freio de serviço e seus componentes com sistema de alerta em caso de falha. A lógica é redução do tempo na oficina ou para manutenção por meio do desgaste harmonizado da lona do freio, distribuição de energia do freio controlada por desgaste e armazenamento de falhas para diagnóstico rápido.

O Arocs conta com freio de estacionamento eletrônico e função Hold. A função é ativada quando o veículo está parado e pressionando o pedal de freio com mais força. Pode ser desativada pelo motorista por meio de tecla. A função é liberada assim que o pedal do acelerador é operado novamente. O Hold é ativado automaticamente quando o motor é desligado e também pode ser ligado e desligado por meio de alavanca na cabina.

Importante: o freio de estacionamento eletrônico tem acionamento automático ao abrir a porta do caminhão com o veículo parado.

Tanques de alta resistência
Os tanques de combustível de 400 litros e de ARLA de 25 litros do Arocs são fabricados em material plástico. A alemã garante que suportam pequenos impactos sem sofrer ruptura ou deformações residuais.
Também a pedido dos clientes, os tanques de combustível e de ARLA estão instalados do mesmo lado do caminhão, facilitando as operações nas condições severas da mineração.

A cabina global da família Arocs tem na grade dianteira quatro aletas e dois spoilers laterais. Pelo fato de ser alto, na versão brasileira foi incluído um degrau extra flexível para a cabina, o que garante mais conforto de acesso para o motorista.

Detalhes do lado externo da cabina são um espelho frontal, espelho de rampa, degrau móvel no sentido longitudinal e transversal, para-choque tripartido (facilidade no reparo e menor custo de manutenção), tomada de ar tipo ciclone com alta taxa de pré-separação de poeira, escapamento horizontal, saída dos gases de escape pela lateral e talas de fixação da báscula no chassi.

Alguns itens da cabina são específicos para operações off-road. No rol, para-sol externo, caixa do espelho em cinza fosco, espelho de aproximação, tampa de acesso externo ao compartimento de ferramentas, degrau e corrimão de acesso à báscula (opcional), janela na parede traseira, cobertura dos degraus, para-choque com cantos em aço e protetores de faróis, pino para reboque, protetor do cárter, mosquiteiro na frente do radiador, isolamento de ruído e bandeja contra poeira no motor.

Com ângulos de ataque e saída maiores (25 graus), o Arocs se caracteriza pela alta capacidade para trafegar em terrenos acidentados. Os para-choques frontal e traseiro mais elevados em relação ao solo (250 mm) buscam menor vulnerabilidade dos componentes a impactos.

A cabina é bem espaçosa. Bem mesmo. Há apenas dois bancos. Dentro da boleia, são 2,2 metros de largura, 1,6 metro de altura em frente aos bancos e túnel baixo de 170 mm. A alavanca de marcha fica na coluna de direção e banco do motorista é pneumático com cinto de segurança integrado. A cabina vem equipada com rádio MP3 com Bluetooth e conector USB, tomada de ar comprimido para limpeza interna, tapetes de borracha e redes para objetos na traseira, Outra observação a Mercedes não pôs câmera de ré. Deixou apenas pronta a preparação para instalar. O mesmo para rádio PX.

A cabina do Arocs é bem espaçosa. Bem mesmo. Há apenas dois bancos. Dentro da boleia, são 2,2 metros de largura, 1,6 metro de altura em frente aos bancos e túnel baixo de 170 mm(Foto: Camila A. Nascimento/ DIVULGAÇÃO)
Foto: Camila A. Nascimento/ DIVULGAÇÃO A cabina do Arocs é bem espaçosa. Bem mesmo. Há apenas dois bancos. Dentro da boleia, são 2,2 metros de largura, 1,6 metro de altura em frente aos bancos e túnel baixo de 170 mm

A cabina do Arocs recebe cinco camadas de pintura para maior proteção contra corrosão e impactos. E quanto às cores? Somente branco. Quem decide mudar, costuma adesivar mesmo.

*O jornalista viajou a convite da Mercedes-Benz

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