Telemedicina, para ser real, precisa chegar em territórios vulneráveis

Telemedicina, para ser real, precisa chegar em territórios vulneráveis

IEEE alerta para o potencial de uma medicina tecnológica. E o IGC simplifica o conceito de tecnologia na saúde.


O avanço acelerado das tecnologias digitais aplicadas à saúde tem ampliado as possibilidades de prevenção, diagnóstico precoce e acompanhamento de pacientes, além de muitos outros aspectos.

Porém, quando essas soluções não são pensadas também para comunidades em situação de vulnerabilidade, o impacto tende a ser limitado — ou, em alguns casos, pode até aprofundar desigualdades já existentes. Esse é o alerta de Suélia Fleury Rosa, membro sênior do IEEE, maior organização profissional técnica do mundo dedicada ao avanço da tecnologia em benefício da humanidade.

Desigualdades sociais, econômicas e territoriais seguem influenciando diretamente os resultados em saúde e o acesso a serviços de prevenção e cuidado. Em muitos territórios, o diagnóstico tardio ainda é a regra, especialmente no caso de doenças crônicas e condições evitáveis, que poderiam ser tratadas de forma mais eficaz se identificadas precocemente.

Interessante nesse momento do texto, dizer que tecnologia, no sentido amplo, vista como soluções modernas, e às vezes baratas porque criativas, existem aos montes. Você pode conferir aqui uma tecnologia do Instituto de Gestão e Cidadania (IGC) que em 2023 foi indicado ao Prêmio Criação SUS 2023 na categoria Pré-Hospitalar, em função da implantação do “time de respostas rápidas em uma unidade de pronto-atendimento”, que passou a funcionar na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) do município de Russas-CE.

Há época o Presidente do IGC, o administrador Herbert Lobo, nos contou que “a inovação que proporcionou figurar entre os indicados não está propriamente dita em software ou equipamento, mas na operacionalidade, na metodologia com a qual agem os times de respostas rápidas em face de situações assistenciais críticas, ou seja diante de algo que precise mobilizar as equipes multiprofissionais da unidade. Como o nome diz, dar uma resposta super-rápida no atendimento”.

Inclusive oRelatório Mundial sobre Determinantes Sociais da Equidade em Saúde,publicado pela OMSem 2025, tem impulsionado a busca por soluções tecnológicas capazes de antecipar riscos, apoiar a atenção primária e reduzir lacunas históricas de acesso.

Suélia diz que tecnologias como telemedicina, monitoramento remoto e sistemas digitais têm enorme potencial, porém os principais entraves dizem respeito a transformar iniciativas tecnológicas em soluções duradouras. “Muitas experiências permanecem restritas a projetos-piloto ou aplicações pontuais, sem integração aos sistemas locais de saúde ou continuidade no longo prazo. Quando isso ocorre, o potencial transformador da tecnologia se perde antes de chegar a quem mais precisa”, detalha.

O desafio, portanto, não está apenas em criar novas ferramentas, mas em assegurar que elas sejam confiáveis, sustentáveis e adaptáveis às diferentes realidades territoriais. Muitas iniciativas não avançam além do estágio experimental por não atenderem às necessidades reais das comunidades, enfrentarem limitações de infraestrutura ou não contarem com evidências suficientes que sustentem sua adoção em escala. “Sem planejamento e compromisso de longo prazo, a tecnologia corre o risco de se tornar apenas uma boa ideia”, destaca.

Nesse contexto, o IEEE atua como um articulador entre conhecimento técnico, desenvolvimento tecnológico e demandas reais da sociedade, promovendo o uso responsável da tecnologia em áreas como saúde, educação e bem-estar social.

A organização reúne engenheiros, pesquisadores e educadores de diversos países com o objetivo de transformar inovação em soluções práticas, escaláveis e orientadas ao impacto humano. “A inovação em saúde só faz sentido quando consegue melhorar a vida das pessoas de forma concreta. Antecipar riscos é fundamental, mas reduzir desigualdades exige compromisso, continuidade e presença nos territórios”, conclui Suélia.

 

 

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