Testamos: Asus Zenfone 10 mudou pouco comparado ao antecessor

Mudanças incrementais separam os topos-de-linha da Asus de 2023 e de 2022, mas preço de lançamento deu um salto significativo; Zenfone 10 começa em R$ 5.999

Em abril de 2023, quando testei o Asus Zenfone 9, pontuei que a categoria do modelo, hoje, é rara: smartphones topo de linha pequenos. Em tamanho, há apenas dois competidores diretos: as versões menores de Galaxy S e iPhone.

Na imprensa especializada, há quem diga que são celulares fadados ao fracasso. O primeiro modelo do tipo, porém foi lançado pela Sony em 2014. Ou seja: já são dez anos, e os "pequenos notáveis" seguem existindo.

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Não como grandes sucessos de vendas. Prova disso é que a Apple, após dois anos lançando modelos Mini, desistiu de aparelhos menores em 2022.

Mas ainda há algum público para smartphones pequenos. Quer saber se faz parte dele? Para ajudar com a resposta, passei algumas semanas com o Zenfone 10. Leia abaixo o que achei.

Sobre o review: a Asus me enviou o Zenfone 10 para análise em 31 de agosto de 2023. O celular foi devolvido após os testes. A fabricante não teve influência no conteúdo deste texto.

Parâmetros de comparação: durante meu tempo com o Asus Zenfone 10, usei um Galaxy Z Flip5 e um S23 Ultra, ambos da Samsung, e um Realme 9 Pro+.

Asus Zenfone 10: especificações e disponibilidade

  • Tela: 5,92", Full HD+ (1.080 x 2.400 pixels, proporção 20:9), 144 Hz, Amoled, brilho de 800 nits (normal) e 1.100 nits (máximo)
    • 144 Hz apenas em jogos; em uso regular, o smartphone funciona a 120 Hz
  • Câmeras:
    • 50 MP, f/1.9, 24 mm, sensor de 1/1,56", autofoco, estabilização ótica com gimbal, imagens finais de 12 MP (principal)
    • 13 MP, f/2.2, sensor de 1/3,06", foco fixo, sem estabilização (grande-angular)
    • 32 MP, f/2., sensor de 1/3,2", foco fixo, sem estabilização (frontal)
  • Bateria: 4.300 mAh, carregamento cabeado de 30 W, carregamento sem fio de 15 W, carregamento sem fio reverso de 4,5 W
  • Memória: para RAM/armazenamento, há versões com 8/128 GB, 8/256 GB, 16/256 GB e 16/512 GB
  • Conexões: 5G, Bluetooth 5.3 e WiFi 7 (sem fio); entrada USB-C e 3,5 mm para fones de ouvido (cabeado)
  • Processador: Qualcomm Snapdragon 8 Gen2 (octa-core, 4 nm)
  • Acabamento: Gorilla Glass Victus na tela, moldura em alumínio, traseira em plástico.

No momento em que este review era escrito, o Zenfone 10 podia ser encontrado por R$ 4.509 à vista ou R$ 5.499 a prazo (10x), com 256 GB de armazenamento e 8 GB de RAM.

Caixa do Asus Zenfone 10 segue generosa, com carregador e capa

A Asus entrega o Zenfone 10 em uma caixa de papelão cinza-claro, de boa qualidade. Além do aparelho, o pacote traz cabo (USB-C para USB-C), carregador (de 30 W) e capa (preta, apesar de o celular ser vermelho).

Nestes tempos em que até topos-de-linha vêm sem carregador na caixa, a escolha da Asus de incluir uma capa é muito bem vinda. Um carregador que entrega toda a potência suportada pelo aparelho também é outro ponto positivo.

Design: Asus Zenfone 10 é quase igual ao modelo de 2022

Acabamento do Asus Zenfone 10 tem alumínio nas bordas e plástico na traseira, mas material é de boa qualidade e agradável ao toque
Acabamento do Asus Zenfone 10 tem alumínio nas bordas e plástico na traseira, mas material é de boa qualidade e agradável ao toque Crédito: Bemfica de Oliva

O foco do design do Zenfone 10 é ser pequeno. Ele é agrável de ser segurado com apenas uma mão, e acessar os cantos da tela não requer "ginástica" com o polegar.

Na traseira, a Asus repete o acabamento áspero do Zenfone 9. Não é ruim, pelo contrário: o plástico texturizado é muito agradável, a ponto de ser tentador usar o aparelho sem a capa. Aqui estão as duas aberturas (desnecessariamente grandes) das câmeras. A Asus manteve os grafismos, mas estão mais discretos.

A moldura, de alumínio, é lisa na lateral esquerda. A direita traz botões liga/desliga (com leitor de digitais) e de volume. Na parte superior, uma entrada para fones de ouvido — rara em celulares atuais — e um microfone. A inferior traz porta USB-C, microfone principal, alto-falante e gaveta de chips (dois de operadora, sem espaço para cartões microSD).

As bordas da tela são mais finas nas laterais. A câmera frontal está no topo, à esquerda. Acima do display há o alto-falante de chamadas.

Diferenciar Zenfones 10 e 9, visualmente, é difícil. Não que a Asus seja a única a fazer isto: coloque um Galaxy S22 Ultra e um S23 Ultra lado a lado, será duro dizer qual é qual.

O design, extremamente pragmático, não desagrada. As bordas retas, a traseira áspera e o tamanho diminuto deixam o Zenfone 10 bastante seguro na mão.

Na tela, Zenfone 10 cresceu pouco, mas cresceu muito

São apenas 0,02" a mais na tela que no modelo 2022. Mas houve uma mudança necessária: o aparelho não cresceu, o que significa bordas mais finas. Com isso, o Zenfone 10 não tem o "queixo" proeminente que fazia o antecessor parecer smartphone de entrada.

Nos números, o painel é praticamente o mesmo. Brilho e resolução são iguais, e a taxa de atualização aumentou 20%, de 120 para 144 Hz — mas somente durante jogos compatíveis.

Bateria do Zenfone 10 não mudou — mas a recarga sim

A bateria do Zenfone 10 é idêntica à do antecessor. São 4.300 mAh, carregando a 30 W. Em ambas as especificações, as medições de uso cotidiano seguem similares.

A bateria do Zenfone 10 aguenta um dia de uso sem suar muito. Se precisar carregar ao fim da tarde, meia hora já recupera cerca de 55% da capacidade. O ciclo completo leva cerca de 1h30min.

O Zenfone 10 tem carregamento sem fio, mas de apenas 15 W. Quebra um galho, mas não substitui a opção cabeada.

Câmeras: Asus promete melhorias, mas Zenfone 10 teve piora

Vários dias nublados seguidos me impediram de conferir a contento a câmera do Zenfone 9. Captei imagens que davam apenas uma ideia básica da capacidade dos sensores.

As fotos do Zenfone 10, tiradas sob sol intenso, também parecem ter sido feitas com céu fechado. Em ambos os sensores, a Asus segurou (muito) a mão na intensidade de cor.

A situação muda para fotos com pouca luz. No modo regular, o Zenfone 10 não faz milagres, com imagens aceitáveis. Ao ativar o modo noturno, a qualidade é excelente: a compensação de sombras e a suavização de luzes estouradas são ótimos.

Isso se aplica tanto à camera principal quanto à grande angular. Para quem se preocupa com isso, a saturação não é exagerada. Como o modo noturno é rápido, sem exageros e entrega um bom resultado, recomendo deixá-lo sempre ativado.

Há duas grandes críticas às câmeras do Zenfone 10. Tanto a frontal quanto a grande-angular perderam o foco automático. A concorrência tem feito exatamente o oposto, levando esta funcionalidade às lentes secundárias.

A Asus tenta (sem sucesso) compensar, nas selfies, aumentando a resolução de 12 para 32 MP. Não é o bastante. A grande-angular sequer recebeu contrapartida: é o mesmo sensor, mas com foco fixo.

Zenfone 10, mesmo pequeno, tem desempenho de gente grande

O Zenfone 10 traz o Snapdragon 8 Gen2, processador topo de linha da Qualcomm para 2023. A RAM vai de 8 GB, na versão básica, a até 16 GB. Esperava — e recebi — desempenho excelente.

Não houve engasgos, e jogos rodaram na qualidade máxima sem travamentos. Para tarefas cotidianas, a versão de 16 GB deve ter um bom fôlego adicional, permitindo abrir uma grande quantidade de aplicativos sem precisar recarregá-los.

Sistema e interface: A Asus precisa investir em experiência de usuário

Há tempos não falo sobre interface nos reviews. Salvo por funções personalizadas pelas fabricantes, o Android é quase igual em qualquer smartphone. Seria pouco produtivo descrever telas e menus que o leitor já conhece.

Mas determinadas situações extraordinárias — boas ou ruins — demandam destaques. O Zenfone 10 está no segundo caso: a Asus "esconde" funções que poderiam ser anunciadas como diferenciais.

Um exemplo é a possibilidade de usar duas redes Wi-Fi ao mesmo tempo. Pode-se acessar uma na frequência 2,4 GHz (menos velocidade, maior alcance) e outra em 5 GHz (maior rapidez, sinal mais fraco).

O Android faz isto automaticamente, mas somente se o nome das redes for idêntico. Apenas aparelhos da Asus têm esta função em redes com nomes diferentes. A opção fica "enterrada" no menu, após a lista de todas as redes sem fio disponíveis, e a descobri por acaso.

O menu para definir o modo de cor (vívido ou realista) da tela é outro caso. Na maioria dos aparelhos, ele fica dentro das opções do display, em uma seção de nome identificável.

A Asus chama a função de "Splendid". O botão para chegar a ela não explica do que se trata. Usuários médios dificilmente encontrarão o menu, caso queiram alterar esta configuração.

Minha impressão é que a Asus implementa boas funcionalidades, mas as torna inacessíveis. Com isso, o usuário acha que seu smartphone é pior que os concorrentes, quando não é este o caso.

Asus Zenfone é bom? Quais as alternativas?

A priori, os maiores (não fisicamente) concorrentes do Zenfone 10 são o Galaxy S24, da Samsung, e o iPhone 15, da Apple. Um foi anunciado em janeiro de 2024; o outro, em setembro de 2023.

O Samsung leva vantagem nas câmeras: a teleobjetiva de 3X (com autofoco) não existe no Asus, enquanto a frontal traz foco automático. A grande-angular também tem foco fixo. A tela do S24 é bem mais brilhante que a do Zenfone.

O Asus ganha em capacidade da bateria e a velocidade de recarga. O S24 não tem, também, opção com 16 GB de RAM — até a versão Ultra, maior e mais cara, só vai até 12GB. Mas esse ponto deve cativar poucos usuários.

A tela do iPhone também é melhor que a do Asus — e comparável à do S24. Há foco automático na câmera de selfies, mas não na grande-angular. Assim como no Zenfone, não há zoom ótico.

Um elemento que muda nos três modelos é a biometria. O iPhone usa reconhecimento facial, o S24 tem leitor de digitais sob a tela, e o Zenfone traz o componente no botão liga/desliga. É um aspecto de preferência pessoal, assim como a diferença entre usar Android e iOS.

Outro concorrente do Zenfone 10 é o Galaxy Z Flip5, da Samsung. O modelo, recentemente testado por O POVO, é pequeno por outro motivo: a tela dobra.

A performance de ambos é similar nas versões do Zenfone 10 com 8 GB de RAM, mas o Asus leva a melhor em bateria e câmeras traseiras. Graças à tela secundária, porém, é possível tirar selfies com as lentes principais do Samsung.

Os displays (quando o Z Flip5 está aberto) são similares, assim como o preço — o que é difícil de engolir, considerando que até é possível dobrar a tela do Zenfone, só não é possível continuar usando o celular após isso.

Por fim, o maior concorrente do Zenfone 10 é... O Zenfone 9. E, na minha visão, o Zenfone 9 ganha de lavada.

A Asus fala muito da "estabilização gimbal 2.0" no marketing do Zenfone 10. Mas, para a imensa maioria dos usuários, a versão do Zenfone 9 — que já é melhor que em outros aparelhos — é mais que suficiente.

No modelo antigo você ainda leva, de quebra, foco automático em todas as lentes. E não se engane: o sensor da câmera principal é exatamente o mesmo em ambos os celulares.

A outra diferença significativa é no carregamento sem fio. É um adicional interessante, mas, para mim, longe de ser indispensável. Sua experiência, porém, pode variar.

Os 144 Hz da tela são ativados apenas em momentos bem específicos. E, mesmo assim, é difícil notar a diferença para 120 Hz. O salto de 20% parece bem mais impressionante no papel que na vida real.

Me parece que a Asus quis fazer um celular "novo" apenas para usar o processador mais recente. À exceção da recarga sem fio, tudo no Zenfone 10 é virtualmente igual ao modelo de 2022 — ou pior.

A Asus é uma fabricante peculiar: tem a ousadia para criar produtos como o Zenbook Fold e o ROG Ally, e os próprios celulares topo-de-linha compactos, quando concorrentes similares são sempre a "versão básica".

Mas, para seguir a lógica do mercado e lançar modelos novos todo ano, entrega um celular com pouquíssimas diferenças e que, em muitos aspectos importantes, é pior que o antecessor.

Com isso, fica a pergunta: o Zenfone 10 precisava mesmo ter sido lançado? A Asus poderia ter pulado o modelo 2023, fazendo uma oposição inovadora à desnecesária corrida de flagships anuais, e economizado um bom dinheiro com pesquisa e desenvolvimento. Isso refletiria até em descontos para os clientes. Porém, preferiu seguir o fluxo, e lançou um aparelho que não justifica sua existência

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