Mulher paralisada após AVC volta a 'falar' por IA; entenda

Uma mulher com paralisia voltou a se comunicar por meio de um implante, que captou os sinais cerebrais da paciente e traduziu em falas; entenda o caso

22:35 | Set. 13, 2023

Por: Isabel Prado
Ann Johnson conseguiu falar novamente por meio de um avatar digital que traduz os sinais cerebrais da paciente em falas e expressões (foto: /Reprodução/Youtube - UC San Francisco (UCSF))

Após sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC) há 18 anos, uma mulher com paralisia conseguiu se comunicar por meio de um implante que traduz os sinais cerebrais em palavras e expressões faciais, mostrando-os em um computador.

Ann Johnson, de 47 anos de idade, é canadense e ensinava matemática quando sofreu um AVC no ano de 2005. Até hoje, as causas do derrame são desconhecidas.

Johnson ficou gravemente paralisada e foram necessários anos de terapia para que a docente conseguisse retomar suas expressões faciais ou para realizar atos simples, como sorrir e chorar.

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Porém, a sua fala não retornou, e a sua comunicação passou a ser por meio de um aparelho que Ann digitava lentamente palavras por meio de movimentos da cabeça.

Primeiro contato da mulher com o avatar

Há cerca de dois anos, Johnson leu uma notícia de um paciente, também com paralisia, que foi ajudado por um grupo de cientistas e de médicos na Universidade da Califórnia a traduzir seus sinais cerebrais para texto.

A máquina também é o primeiro produto a reconhecer sinais cerebrais e ter capacidade de traduzi-los em expressões e falas.

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A mulher entrou em contato com equipe médica e científica, buscando uma forma de conseguir se comunicar e de mudar sua jornada.

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Primeiramente, o grupo implantou uma placa fina, que contém 253 eletrodos, na superfície do cérebro de Johnson, pois eles são capazes de captar os sinais cerebrais do paciente e enviar para os músculos dos lábios, língua, mandíbula e laringe, quando a paciente tenta dizer alguma palavra ou frase.

O sistema precisou de 18 horas "reconhecendo" Johnson, com ela tentando falar nove mil frases.

O dispositivo pode decodificar até 80 palavras em um minuto, diferentemente da outra máquina que Ann usava, que eram só 14 por minuto. 

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Avatar com a mesma voz de Ann Johnson

Para vocalizar a fala, um avatar é o responsável por dizer as frases que a paciente quer no computador, e até fazer expressões faciais, conectadas com o que a pessoa quer simular.

Com isso, a equipe utilizou um vídeo antigo de Ann discursando em seu casamento para que a avatar tivesse a mesma voz de Johnson antes do acidente.

“É como ouvir um velho amigo”, revelou a paciente, depois de passar 18 anos sem escutar a própria voz.

Ela também disse que está animada para que sua filha conheça sua real voz, já que a menina só tinha 1 ano de idade quando Ann ficou paralisada, e ela só conheceu a voz impessoal e com sotaque britânico do dispositivo que a paciente usava para se comunicar.

Os grupos de cientistas e médicos acreditam que com o desenvolvimento deste produto usada em Ann, em cerca de dois a quatro anos, eles consigam desenvolver um sistema sem cabos ligados no corpo do paciente.

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