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Estigma a respeito da transmissão da Monkeypox prejudica enfrentamento

Pesquisadores frisam que todos podem ser infectados pela varíola dos macacos, não apenas homens que fazem sexo com homens (HSH)

A comunicação sobre uma doença e as formas de prevenção é uma estratégia decisiva para proteger as populações. Nesse contexto, pesquisadores alertam que estigmatizar a transmissão da Monkeypox pode prejudicar o enfrentamento à doença. A maioria dos casos foi identificada em homens que fazem sexo com homens (HSH), mas é importante deixar claro que a varíola dos macacos não é uma infecção sexualmente transmissível (IST) e que qualquer pessoa pode ser infectada com a doença.

A estratégia de comunicação deveria ser focada na informação correta e precisa, e não no destaque a grupos já estigmatizados. É o que aponta Álvaro Francisco Lopes de Sousa, epidemiologista, editor científico da Revista Brasileira de Enfermagem (REBEn) e doutor em ciências pela Universidade de São Paulo (USP).

Editorial da Revista Brasileira de Enfermagem publicado na segunda-feira, 1º, defende que estigmatizar a Monkeypox, a exemplo do que aconteceu com o HIV/Aids, pode atrasar o diagnóstico, além de reforçar estereótipos homofóbicos. 

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O texto, escrito em parceria com Anderson Reis de Sousa e Inês Fronteira, diz que é "importante separar as intervenções em saúde pública, seja elas ao nível da promoção de estilos de vida saudáveis ou de prevenção da doença das características particulares e/ou comportamentais destes grupo, a fim de evitar a formulação de preconceito e a constituição do estigma". 

Semana passada, o diretor da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom, recomendou que homens que fazem sexo com homens reduzam, neste momento, o número de parceiros sexuais para diminuir o risco de exposição à varíola dos macaco.

Na análise de Álvaro, a forma na qual a entidade comunicou "não foi exatamente errada, mas foi equivocada e descontextualizada". "Por exemplo, ter múltiplos parceiros é um fator de risco para a Monkeypox. Mas ter múltiplos parceiros não é uma característica exclusiva da população HSH", cita.

Ele destaca que o vírus não é estático, "muito pelo contrário. Tanto que já se vê casos, até mais preocupantes fora da população HSH", frisa o epidemiologista. O estigma afasta a população que mais precisa do serviço de saúde; reforça preconceitos nos profissionais de saúde; atrasa o diagnóstico; e gera infodemia, elenca o pesquisador. "Tudo isso é bem mais difícil de desfazer quando já está culturalmente enraizado". 

Erna Geessien Kroon, professora titular do Departamento de Microbiologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e integrante da Câmara Técnica Temporária Pox do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), salienta que a transmissão da infecção se dá por contato, incluindo o contato sexual, porém a Monkeypox não é uma doença sexualmente transmissível. 

"Como a doença está se disseminando, como em muitas outras infecções (inclusive isto foi visto em relação aos idosos no caso de SARS-CoV-2) não ficará restrito a grupos sociais", corrobora a pesquisadora, que é  membro da Academia Brasileira de Ciências.

Os autores do editorial alertam que a "retórica estigmatizante pode desativar de forma rápida e profunda a resposta baseada em evidências, alimentando ciclos de medo, que afastam grupos chaves, que possam estar em contextos sociais de vulnerabilidade, como nos serviços de saúde". Isso, conforme os pesquisadores "impede esforços para identificar casos e incentiva a adoção de medidas punitivas ineficazes" que podem estar associadas a ideias estereotipadas e que fortalecem a desinformação em saúde.

Outros perfis

Ministério da Saúde emitiu uma nota técnica na qual recomenda o uso de máscaras para mulheres grávidas, lactantes e com bebês recém-nascidos para prevenção contra a varíola dos macacos. O documento, publicado pela pasta na noite dessa segunda, 1º, orienta que esse grupo deve usar preservativos em qualquer tipo de contato sexual.

As recomendações da pasta alertam que o quadro clínico de gestantes tem características similares ao de outras pessoas. Entretanto, nesse grupo, a gravidade da doença pode ser maior. Além das grávidas, crianças com menos de 8 anos e imunossuprimidos integram o grupo de risco para a varíola dos macacos.

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