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Entenda o que são as UTIs humanizadas e para que servem

Tratamento humanizado é um importante fator para auxiliar na melhora do quadro de saúde de pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs)

Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) muito comumente são associadas a leitos em que pacientes são encaminhados quando estão sofrendo riscos de morte. O tratamento humanizado nesses tipos de ambientes, independente da faixa etária, da gravidade ou do diagnóstico, é um fator importante que pode ajudar na melhora do quadro de saúde dos internados, segundo especialistas.

Alguns hospitais da rede pública de Fortaleza possuem UTIs humanizadas, como o Hospital São José (HJS). A coordenadora de enfermagem da UTI da unidade, Luciana Fragoso, explica que ações de humanização têm muita importância não somente no tratamento de pacientes, como também no acolhimento da família, a qual, na maioria das vezes, também precisa de amparo.

"Os profissionais de saúde precisam propiciar um momento de conversa para explicar o que vai acontecer naquela unidade, além de visitas e troca de informações de forma que o paciente e a família se sintam bem mesmo diante de um internamento em uma UTI. O acolhimento da equipe multiprofissional precisa acontecer em um único sentido para fazer daquele momento a melhor estadia", pontua Luciana.

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A coordenadora também explica que para proporcionar tratamento humanizado, é realizado o prontuário afetivo, que consiste em colher informações pessoais dos pacientes, como a forma que cada um gosta de ser chamado, as atividades que gostam de fazer e demais características particulares, para que a equipe de profissionais possa conhecê-los e atendê-los de forma mais próxima e humana.

Além disso, faz parte do tratamento humanizado explicar para o paciente e para a família cada procedimento necessário de ser realizado durante a internação. "Todo o cuidado é sempre conversado com o paciente dentro da situação de saúde que ele está. É sempre partilhado com ele o que está sendo feito, sendo realizado com ética e o respeitando em todas as suas condições de saúde", informa Luciana.

UTIs humanizadas em Fortaleza

Todos os leitos de UTI do HSJ se utilizam de tratamento humanizado. Além dele, outras unidades hospitalares da rede pública de Fortaleza também contam com o mesmo tipo de assistência. O Hospital Geral Dr. Waldemar Alcântara (HGWA) possui 21 leitos de UTI adulto que oferecem assistência humanizada. O Hospital Universitário Walter Cantídio também oferece atendimento humanizado em seus oito leitos de UTI.

Já o Hospital Geral Dr. César Cals (HGCC), também na Capital, conta com 20 leitos de Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN), 48 leitos de Unidade de Cuidados Intermediários Convencionais (UCINCO), dez leitos de Unidade de Cuidados Intermediários Canguru (que tem início na gravidez de risco e segue até o recém-nascido atingir 2.500 gramas) e 12 leitos de UTI adulto. Todos eles contam com cuidados humanizados.

As UTIs da rede de hospitais particulares do Sistema Hapvida também contam com tratamento humanizado em todos os seus leitos. "Com o passar do tempo, as pessoas descobriram que pacientes de alta complexidade precisavam de outras coisas além do tratamento médico", explica o chefe da rede hospitalar do Hapvida, Anderson Nascimento. Ele pontua que é preciso manter, sobretudo, a dignidade do paciente como ser humano.

Assistência psicológica em UTIs humanizadas

A psicóloga Gisele Menezes Dutra, do Hospital São José (HSJ), explica que o trabalho humanizado da psicologia consiste em oferecer assistência ao "tripé" paciente, família e demais profissionais. A atuação do psicólogo, segundo ela, começa desde a entrada do paciente na ala de UTI, oferecendo amparo à família que, na maioria dos casos, necessita de suporte profissional.

"Buscamos reduzir sintomas de ansiedade ou de humor deprimido, porque a família chega em desespero, precisando de amparo para saber o que está acontecendo com o ente querido na UTI. Também é meu papel trabalhar com o luto, sob a possibilidade de perda do paciente ou com a perda de fato, após a morte do paciente", explica Gisele.

A psicóloga pontua que também oferece auxílio para os familiares em momentos de visitas quando o paciente está intubado ou traqueostomizado, ajudando na comunicação e interação. Em cada caso, é avaliada também a necessidade de aumentar o número de visitas. "A família precisa ser cuidada, mas pode participar também do cuidado", enfatiza Gisele. 

Com relação ao tratamento humanizado oferecido ao paciente, a psicóloga explica que é realizado o prontuário afetivo, desenvolvido por ela junto com a coordenadora de enfermagem. A estratégia consiste em informações dos pacientes expostas para os demais profissionais, próximo ao leito.

"É um esquema com todas as coisas que eu colhia em um primeiro momento com a família, repassando para o restante da equipe sem que eu precisasse dizer, mas ficando exposto até para que a própria família pudesse ver a história que havia sido passada", esclarece a psicóloga. A medida ajuda na interação da equipe de profissionais com o paciente, de forma que ele se sinta mais acolhido.

Reabilitação humanizada de pacientes em UTI

A reabilitação humanizada de pacientes internados em UTIs consiste em trabalhar com os sentidos do corpo (visão, audição, tato, olfato e paladar). A terapeuta ocupacional Marina Girão, do Hospital São José (HSJ), explica que quando o paciente está acordando da sedação, os estímulos são feitos de forma que ele possa sentir o contato físico com o profissional.

"Dizemos 'sinta a minha mão no seu pé', 'sinta a minha mão no seu braço direito', por exemplo. A gente faz também a cognição do paciente voltar ao normal, no sentido de ele se ambientar ao novo local que está, fazendo as orientações temporais sobre onde ele está, como está o clima, que dia é, se estamos perto de alguma data comemorativa etc.", esclarece Marina.

O momento do banho do paciente, que na maioria das vezes é considerado constrangedor pela situação de vulnerabilidade, também permite interação dos profissionais com os pacientes, que pedem auxílio durante a tarefa ao solicitar que eles levantem os braços ou as pernas, sendo uma forma também de estimular movimentos simples para auxiliar na melhora.

"Quanto mais rápidas forem feitas as intervenções, melhor para o cognitivo e para o físico do paciente. É melhor para tudo. A permanência [na UTI] encurta quando a gente trabalha em equipe de forma humanizada. Quando a gente tem esse cuidado, essa visão e essa postura de estar atento a tudo, os pacientes conseguem sair mais rápido da UTI", completa a terapeuta ocupacional.

Gratidão dos pacientes

Quando recebem alta, os especialistas contam que boa parte dos pacientes que receberam tratamento humanizado em UTIs voltam para agradecer à equipe médica.

"O que nós temos de melhores resultados é o retorno do usuário, seja presencial ou por carta, para agradecer", explica Luciana Fragoso, coordenadora de enfermagem da UTI do Hospital São José (HJS). A gratificação muitas vezes é recebida também pela família durante o período de internação.

"Quando eles ainda estão internados, a família muitas vezes traz algo para agradar à equipe. Então, os nossos resultados são demonstrados através da fala dos usuários. É dessa forma que esse retorno chega até nós. Esse momento é de felicidade para todos e vai cada vez mais tornando nossas ações humanas para que não sejamos meramente profissionais, mas uma alma tocando outra alma", completa Luciana.

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