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Tecnologia de mRNA pode revolucionar a medicina

00:03 | Jul. 30, 2021
Autor DW
Tipo Notícia
Ela é usada nas vacinas da Pfizer e da Moderna, mas pode também ajudar no combate ao câncer. Já existem pesquisas para um novo imunizante contra a malária. Veja as perguntas e respostas sobre essa nova promessa.O desenvolvimento de vacinas contra a malária progrediu bastante mal nas últimas décadas. É verdade que a vacina RTS,S existe há vários anos, que pode prevenir cerca de um terço das infecções, e que a partir deste ano existe uma vacina ainda melhor, chamada R21/Matrix-M, que é 75% eficaz. Mas talvez seja possível algo melhor que isso. Pelo menos é o que pensa Ugur Sahin, fundador, junto com sua mulher, Özlem Türeci, da BioNTech, desenvolvedora da primeira vacina contra covid-19, em cooperação com a Pfizer. Ele anunciou esta semana em Frankfurt que sua empresa agora também quer desenvolver uma vacina contra a malária. O imunizante poderia entrar em testes clínicos no fim do ano que vem. O novo projeto é baseado no princípio do RNA mensageiro (mRNA). A parceria BioNTech-Pfizer e a Moderna foram as primeiras a usar com sucesso essa tecnologia para produzir imunizantes contra o coronavírus em grande escala. Mas de onde vem originalmente a tecnologia de mRNA e até onde ela já progrediu? Aqui estão as perguntas e as respostas mais importantes: Como funciona o mRNA? A tarefa do RNA (ácido ribonucléico) em nosso corpo é usar informações de nossa constituição genética, o DNA, para produzir proteínas. Ele faz isso nas fábricas de proteínas das células, os ribossomos. É aqui que ocorre a biossíntese de proteínas. A medicina se aproveita dessa característica. Nas vacinas, o mRNA produzido artificialmente fornece aos ribossomos as instruções para construção dos antígenos aos patógenos que se deseja combater – por exemplo a proteína spike do coronavírus. Os ribossomos produzem esses antígenos e, assim, provocam uma resposta imunológica do corpo. Esta se direciona então contra todos os intrusos que possuem a propriedade de superfície específica da proteína – por exemplo essa proteína spike. Em uma vacinação contra o câncer, os pesquisadores identificam quais proteínas são típicas da superfície de certas células cancerosas e desenvolvem um mRNA adequado para isso, na esperança de que o sistema imunológico ataque as células cancerosas. Os pesquisadores querem proceder de forma semelhante com a vacinação contra bactérias ou plasmódios (no caso da malária). Qual é a diferença entre mRNA e outras vacinas? A diferença crucial é que vacinas vivas ou mortas já existentes trazem dentro de si o antígeno contra o qual o sistema imunológico deve reagir. Já as vacinas de mRNA fazem com que ele seja produzido nas células. Isso simplifica a produção de vacinas e sua adaptação a outros patógenos, porque basta ajustar determinados procedimentos, já experimentados e testados, por meio de um mRNA específico modificado. Até que ponto a ideia de RNA mensageiro é novidade? A ideia não é nova. Já em 1961, os biólogos Sydney Brenner, François Jakob e Matthew Meselson haviam descoberto que o ácido ribonucléico (RNA) é capaz de transportar informações genéticas que podem ser utilizadas para a biossíntese de proteínas, por exemplo em células. Mas o feito só foi alcançado pelo virologista Robert Malone, em 1989. Os primeiros experimentos com vacinas de mRNA foram realizados por vários grupos de pesquisa entre 1993 e 1994 com camundongos. Por exemplo, uma vacinação contra o Semliki Forest Virus (SFV, ou vírus da floresta de Semliki), que foi isolado pela primeira vez no Uganda em 1942 e que afeta principalmente roedores. Os primeiros ensaios clínicos com vacinas de mRNA em humanos ocorreram em 2002 e 2003. Eles se concentraram principalmente no combate às células cancerosas. Nos anos que se seguiram, a pesquisa de mRNA se concentrou principalmente na luta contra o câncer. Contra o que as vacinas de mRNA estão sendo usadas atualmente? Existem vários patógenos que já são foco da pesquisa. Isso inclui muitos vírus, como HIV, raiva, zika, chikungunya, gripe e dengue. Há grande esperança de que bons resultados sejam alcançados rapidamente, especialmente porque os sucessos na luta contra a covid-19 mostraram que as vacinas de mRNA são eficazes contra vírus. A luta contra o câncer é um dos campos mais antigos e avançados da pesquisa de mRNA. Em junho deste ano, a BioNTech iniciou um estudo de fase 2 na luta contra o câncer de pele avançado. É claro que a experiência com o coronavírus não pode ser simplesmente transferida para as células cancerosas. Elas são muito maiores do que os vírus. A reação do sistema imunológico é muito diferente. Um grande ponto de interrogação similar permanece na pesquisa sobre a vacinação contra a malária. Neste caso, os patógenos são organismos unicelulares. E eles mostraram repetidamente que são difíceis de serem combatidos. Provavelmente, a chave para o sucesso no câncer e na malária reside na identificação de proteínas que sejam centrais para o funcionamento do patógeno em questão e que, mesmo assim, provoquem uma resposta imunológica forte o bastante no organismo. Em ambos os casos, o próprio sistema imunológico do corpo precisa matar as células que causam a doença sem prejudicar as células saudáveis ​​ou o organismo humano. A tecnologia de mRNA revolucionará a medicina? Isso ainda é muito cedo para se dizer. Mas uma coisa é certa: os médicos têm grandes esperanças na tecnologia de mRNA. Se os pesquisadores conseguirem desenvolver vacinas contra a gripe mais eficazes, muito já terá sido alcançado. E se realmente houver sucesso em se mobilizar o sistema imunológico por meio de vacinações de mRNA de forma a atacar e destruir células patológicas específicas, isso seria uma grande revolução. Nesse caso, a tecnologia poderia também ganhar uma posição em áreas médicas completamente diferentes e que não têm sido foco das atenções até agora. Uma revolução na medicina poderia ocorrer simplesmente pelo fato de as vacinações – em contraste com os tratamentos com drogas – ganharem uma importância cada vez maior. A vacinação é muitas vezes mais barata tanto para pacientes como para sistemas de saúde. Autor: Fabian Schmidt

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