PUBLICIDADE
Saúde
Noticia

Dia Nacional do Combate ao Glaucoma: doença é a principal causa de cegueira irreversível no mundo

A doença oftalmológica, segundo dados do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, atinge 3% das pessoas acima dos 40 anos. Os casos da doença no Brasil aumentaram para 2,5 milhões nos últimos anos

20:11 | 26/05/2021
A doença é caracterizada pelo aumento da pressão do olho, sendo um problema geralmente silencioso e, por isso, não percebido, acarretando à perda progressiva da visão (Foto: Reprodução/Freepik)
A doença é caracterizada pelo aumento da pressão do olho, sendo um problema geralmente silencioso e, por isso, não percebido, acarretando à perda progressiva da visão (Foto: Reprodução/Freepik)

Nesta quarta-feira, 26, é celebrado o Dia Nacional de Combate ao Glaucoma, doença considerada a principal responsável pela perda irreversível da visão. A conscientização sobre os riscos é fundamental, pois de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o glaucoma afeta entre 1% e 2% da população com mais de 40 anos em todo o mundo.

A doença é caracterizada pelo aumento da pressão do olho, sendo um problema geralmente silencioso e, por isso, não percebido, resultando na perda progressiva da visão. Ainda, o glaucoma pode surgir em qualquer pessoa, não existindo um grupo de risco específico.

No entanto, as estatísticas demonstram que alguns grupos possuem maior tendência a desenvolver a doença, sendo eles: pessoas de pele negra ou afrodescendentes, diabéticos, hipertensos, míopes e usuários de determinadas medicações por um longo período de tempo, como corticoides, por exemplo.

LEIA MAIS l Covid-19: terceira onda é uma preocupação, afirma ministro da Saúde

O oftalmologista e professor de oftalmologia do curso de Medicina da Universidade Estadual do Ceará (Uece), Dácio Carvalho Costa, alerta: "Se já houve algum caso de glaucoma na família, seja parente de primeiro ou de segundo grau, a atenção deve ser redobrada, pois há mais chances de se desenvolver a doença".

Dessa forma, é importante que o diagnóstico seja feito precocemente. O indicado é que pessoas com mais de 40 anos façam exames oftalmológicos periódicos com a finalidade de medir a pressão dos olhos e, assim, detectar possíveis sinais prematuros da doença.

O tratamento da doença, que não tem cura, geralmente consiste no uso de colírios que ajudam a controlar a pressão do olho, impedindo o avanço da doença. O oftalmologista relata que "alguns pacientes usam os colírios por um tempo, depois param". "Depois de um tempo, voltam novamente, fazendo com que a pressão do olho suba e desça constantemente, não sendo o ideal para que tem glaucoma."

Ainda, há mais de um ano vivendo em situação de pandemia pelo novo coronavírus, alguns consultórios oftalmológicos deixaram de atender, e muitos pacientes abandonaram o uso de colírios que controlam o glaucoma. Por isso, o médico recomenda: "Às pessoas que usam colírios para controlar a pressão do olho, o tratamento deve ser feito de forma contínua, sem interrupções, seguindo o protocolo médico estabelecido com base nos exames de pressão realizados".

Tipos de glaucoma

Existem vários tipos de glaucoma, dentre os quais podem se destacar o glaucoma primário de ângulo aberto, o mais comum e diagnosticado em 80% dos casos. Ele é considerado assintomático por apresentar o aumento da pressão ocular no decorrer de anos, fator que não gera incômodo no paciente. Dessa forma, quando o campo visual se mostra comprometido, é sinal de que o caso já está bem avançado.

Um outro tipo da doença é o glaucoma de ângulo fechado ou agudo, sendo este sintomático e que acomete olhos com predisposição anatômica ao fechamento do ângulo formado entre a íris e a córnea, apresentando dor ocular e na cabeça, náuseas, vômitos e visão embaçada como sintomas.

Além disso, crianças também são acometidas pela doença, conhecida pelo tipo congênito, que afeta um em cada dez mil crianças. O problema se dá pela má formação do sistema de drenagem do olho, fazendo do diagnóstico precoce fator fundamental para que o tratamento seja iniciado o mais rápido possível.

LEIA TAMBÉM l Associações médicas lançam campanha contra o tabagismo

Ainda, há o glaucoma secundário, desenvolvido após doenças inflamatórias como catarata, hemorragias, traumas etc. O uso de corticoides, nesse tipo, também pode influenciar no aumento da pressão ocular e, consequentemente, no desenvolvimento da doença.

É importante salientar que, com exceção do glaucoma de ângulo fechado, os sintomas da doença só aparecem quando ela já está em estado avançado. Os sinais são: tropeços ao andar e visão periférica comprometida, situação em que se vê bem o que está à frente, mas não o que está ao lado.

Dicas para o tratamento do glaucoma

- Use os medicamentos de acordo com a orientação do oftalmologista;
- Não interrompa a medicação sem ordem médica;
- Comunique ao médico qualquer efeito colateral durante o uso da medicação para o tratamento do glaucoma;
- Compareça periodicamente às consultas marcadas.

Se feito como prescrito pelo médico, o tratamento da doença pode impedir a perda da visão. Mas é importante lembrar que consultas periódicas ao oftalmologista são de extrema importância, a partir dos 40 anos, para que sejam realizados exames de rotina e para medir a pressão dos olhos.

Para quem tem o costume praticar atividades físicas aeróbicas, como caminhada, ciclismo, natação etc., Dr. Dácio traz uma ótima notícia: "Apesar de não ter influência na pressão do olho, ajuda a melhorar a circulação sanguínea, que tem influência na circulação do nervo óptico, deixando-o mais resistente ao dano causado pela pressão do olho."