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Saúde
NOTÍCIA

Falta de tesão? Brasil pode ser o culpado; entenda mais sobre a libido

Mesmo sob crises políticas e sanitárias, ainda é possível sentir tesão pelo sexo e pela vida? Terapeuta explica como o contexto sanitário e político influencia nos desejos dos brasileiros e dá dicas para recuperar a libido durante a pandemia

Marília Freitas
16:01 | 23/10/2020
Tesão não é só o desejo sexual: é também pela vida (Foto: Pexels/Pixabay)
Tesão não é só o desejo sexual: é também pela vida (Foto: Pexels/Pixabay)

Qual a razão da sua libido? O termo foi um dos mais procurados do Google em 2019 e viralizou após mensagens picantes de Neymar Jr. com a modelo Najila Trindade, referindo-se a ela como a razão de seu desejo sexual. Há um ano, a situação era diferente: não tínhamos crises em diversos setores sociais, sanitários e políticos - e acredite, eles estão influenciando sua vida sexual neste 2020.

 

 

Essa definição do jogador à modelo é apenas uma das que rodeam seu significado. A libido refere-se a procura instintiva do prazer, seja ele no sexo ou seja ele pela vida, como já definia o psicanalista Freud. A produção da libido no organismo vem de dois hormônios: o estrogênio e a ocitocina. São eles que causam a excitação, ereção e lubrificação naquela pegação super quente ou na hora do sexo. Mas vivendo sob crises políticas e sanitárias, ainda há tesão para os brasileiros?

As pesquisas científicas já estão com foco em estudos na área e já trazem resultados preocupantes: cerca de 5% dos pacientes de um estudo da Unicamp relataram ter alterações na libido após terem contraído o novo coronavírus. O momento é completamente atípico e, na verdade, seria estranho se nossas relações amorosas não estivessem conectadas ao contexto social do Brasil.

“Quando você tem desejo por alguém que queremos relacionar a energia sexual, você precisa estar desejosa pela vida”, cita a terapeuta e sexóloga Zenilce Bruno. Ao O POVO, ela pontua sobre a presença da sexualidade: o conjunto que permeia o social dos indivíduos quando relacionados ao prazer sexual. Até mesmo assistir jornais influenciam na interação, afinal, no noticiário há um assunto comum ao casal: o novo coronavírus.

 

 

Se no início da quarentena a abstinência sexual era um dos assuntos mais comentados entre os internautas, o termo “como recuperar a libido” registrou um aumento repentino de buscas no Google nos últimos três meses. “Fica difícil conversar sem que as pessoas lembrem ou falem da questão do Brasil”, cita. “Estamos vivendo um momento agora que as pessoas estão inapetentes a quase tudo. É uma falta de tesão pela vida, o que vem também a falta de tesão pelo sexo”.

Nos atendimentos, a terapeuta relata que muitos casais estão pensando diferentes ou discutindo bastante durante a pandemia, refletindo-se no aumento da procura por divórcios no qual 70% dos pedidos são iniciados pelas mulheres. Ainda, Zenilce cita os casais que relacionam diretamente a matrimonialidade com sexo: pelo fato de estarem juntos, devem aumentar a libido transando sem vontade.

"Percebemos muitos casos de mulheres e de homens que estavam sem vontade de transar e se viam forçados porque viviam matrimonialmente", pontua a terapeuta em casos de relacionamentos heterossexuais. Mas ela alerta: isso não resolve o problema, afinal, por que forçar o desejo sexual se ele não existe?

 

 

E os fatores externos que alteram a libido são vários: desde o uso de cigarros e bebidas alcoólicas a pensamentos políticos divergentes e cuidados relacionados à Covid-19. “Como eu posso ter tesão em alguém que pensa tão diferente de mim ou que não está se cuidando contra o novo coronavírus? É dificil criar algo diferente quando estamos amendrontados”, pontua Zenilce. Dentre os fatores naturais, estão a baixa produção dos hormônios no organismo causados pela menopausa, por exemplo.

O envelhecimento do corpo é normal, mas a beleza da juventude ainda é muito relacionada ao tesão. O reforço de um padrão estético que não deveria existir ainda induz o desejo por alguém. "A autoestima acaba por conta disso diminuindo. E quando eu não me sinto bem, não sinto tesão no outro", conta. "As pessoas gostam de estar ao lado de quem está bem, de quem tem uma autoestima tão boa que é gostoso estar ao lado dela".

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Estou com baixa libido. E agora?

O primeiro passo para procurar ajuda é perceber quando a libido baixa afeta sua vida. "Muitos relatam o 'tô com medo de ir e falhar', mas esteticamente uma vez não compromete. Mas quando há dois, três episódios seguidos, você já fica com medo de ir transar e nem vai mais", conta.

Um relacionamento frustrado, uma baixa autoestima e setores da vida pessoal com problemas - como o financeiro e o profissional - são fatores que favorecem a isso. "É difícil ter desejo por uma pessoa entristecida ou mal humorada", pontua Zenilce. Por isso a importância da terapia, tratamento que auxilia a organizar a vida e outros aspectos sociais e psicológicos.

Unir o tratamento a um endocrinologista também é fundamental. "Eu sempre peço que comece pelo médicos, para ver se não é nada físico ou orgânico. Não sendo, procura um psicólogo", explica a terapeuta. "Claro que nem todo mundo tem acesso a isso, mas se você for procurar ajuda, vá a quem entenda do assunto cientificamente, não apenas por achismo".

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A profissional refere-se aos famosos itens afrodisíacos: frutas, perfumes e até mesmo medicamentos são ofertados como revolucionários para a libido, mas não é assim que funcionam. "De certa forma, quando você acredita naquilo, tende a funcionar".

O consumo desses itens fazem com que o parceiro ou a parceira relaxe e se acalme. Daí parte a premissa de reconhecer o casal e animar a relação novamente. "Eles fazem com que a gente fique excitado emocionalmente. Estando bem, você faz com que tenha alguma libido mais tranquila. Mas assim, farmaceuticamente, não".

A dica principal é o autoconhecimento. Tocar, conhecer o corpo e saber do que gosta ou não é necessário para informar a outra pessoa da relação e assim atingirem o clímax. "Você tem que transar com uma pessoa que lhe dê desejo físico e pelo o que ela representa".

Por último, a recuperação da autoestima é fundamental. Autocuidado e o uso de tratamentos como a própria terapia podem estimular a volta da libido, seja ela relacionada ao desejo sexual ou seja ela relacionada ao desejo pela própria vida. "Estar gostando de você, do seu corpo, do que você diz e representa faz com que você tenha tesão em si mesmo. E quando a pessoa tem tesão nela mesmo, aí é que aumenta a vontade da outra", relaciona.