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Saúde
NOTÍCIA

Nutricionistas dão dicas para substituir arroz e óleo nas refeições; produtos estão mais caros

O POVO conversou com duas especialistas para saber como substituir produtos como arroz e óleo, que tiveram alta no preço durante pandemia, sem perder nutrientes necessários ao corpo

Gabriela Feitosa
12:52 | 10/09/2020
Alta de preços faz brasileiro repensar cardápio. (Foto: Thais Mesquita/O POVO)
Alta de preços faz brasileiro repensar cardápio. (Foto: Thais Mesquita/O POVO)

Substituir arroz por outro cereal como milho ou até mesmo pelo macarrão e reduzir consumo de óleo podem atenuar o bolso do brasileiro após alta desses produtos no último mês. O preço dos alimentos foi um dos destaques para a alta da inflação oficial em agosto. O IPCA ficou em 0,24% - maior porcentual para o mês em quatro anos. Os dois produtos chamaram a atenção: o arroz, com valorização de 19,2% no ano, e o óleo de soja, que subiu 18,6% no período.

O POVO conversou na manhã desta quinta, 10, com duas nutricionistas para elencar dicas de como readequar a alimentação nesse período sem deixar de consumir os nutrientes necessários para o corpo. É logico que a tradicional combinação arroz + feijão, sempre indicada por especialistas, ainda é a dupla perfeita na cultura brasileira, já que ela consegue garantir os benefícios necessários. Mas tentar modificar o cardápio e ir alternando entre produtos que também consigam nutrir tanto quanto arroz e feijão pode ser uma saída interessante nesse momento.

Confira as dicas

O POVO: Como substituir esses alimentos?

Thaís Lima: O arroz e o óleo podem ser substituídos por outros alimentos do mesmo grupo a que pertencem. No caso do arroz, pode ser substituído por alimentos do grupo dos cereais, raízes ou tubérculos. Quanto ao óleo, por outros alimentos que pertencem ao grupo das gorduras.

 

OP: Eles são nutricionalmente importantes? E qual essa importância para a nutrição do brasileiro?

TL: Arroz é fonte de carboidratos, fibras, vitaminas (principalmente do complexo B) e minerais. Combinado ao feijão ou outra leguminosa (ervilhas, as lentilhas e o grão-de-bico) , é fonte de proteína de excelente qualidade.

Quanto ao óleo, o consumo elevado pode ser prejudicial à saúde, aumentando o risco de doenças do coração. Além disso, óleos têm elevada quantidade de calorias por grama. Óleos e gorduras têm seis vezes mais calorias por grama do que grãos cozidos e 20 vezes mais do que legumes e verduras após cozimento. O ideal seria dar preferência a gorduras boas como azeite e castanhas.

 

OP: Quais opções mais baratas podemos encontrar para tentar "substituir" esses alimentos?

TL: O arroz pode ser consumido de modo alternado com outros alimentos do grupo cereais como milho e trigo ou de alimentos do grupo das raízes e tubérculos como mandioca, também conhecida como macaxeira ou aipim. Outros alimentos são: batata ou batata-inglesa, batata-doce, batata-baroa ou mandioquinha, cará e inhame.

Quanto ao óleo, o ideal seria aproveitar o momento para reduzir o consumo, optando por preparações cozidas ou grelhadas. Caso haja a necessidade de refogar, usar o mínimo possível de óleo, pois o consumo de óleo em excesso está relacionado com doenças cardíacas. Uma possível substituição seria a banha de porco CASEIRA. Usar com moderação.

Alimentação sem fibras, vitaminas e minerais pode causar problema nutricional na população

 

Para Adriana Camurça, professora do curso de Gastronomia da Universidade Federal do Ceará (UFC), é um "absurdo quando ocorre aumento de preço de dois produtos básicos da alimentação do brasileiro, como arroz e feijão". Eles fazem parte dos hábitos alimentares do País. Com a mudança nos hábitos de vida em geral, as pessoas já estão deixando de comer arroz e feijão. E quando isso se soma ao aumento de preço, o resultado é um problema nutricional grande na população.

"Essa combinação é perfeita (arroz e feijão), porque não temos dinheiro para comprar proteínas caras. O arroz é rico em metionina, aminoácido essencial e o feijão é rico em lisina. Eles se complementam nesse sentido", detalha Adriana. Segundo a professora, se o preço sobe muito, a gente pode consumir milho, que também é cereal. A dica se assemelha à da nutricionista Thais: tentar colocar milho no lugar do arroz nas preparações. Apesar de isso não ser hábito do brasileiros, sendo mais comuns em lugares México, Colômbia, Chile (lá os povos têm hábito de colocar o milho no prato do dia a dia, segundo a professora).

Ela também chama atenção para o consumo de óleo. "É importante que as pessoas evitem consumo de produtos com óleo. A gente pode tentar preparar pratos que não utilizem muito óleo: cozinhar mais no vapor, fazer um refogado, assado, evitar frituras", acrescenta. Se o consumidor puder comprar azeite, também é uma opção. A utilização desse produto não é tão indicada em frituras, "mas em refogados, assados, preparos que não ultrapassem 180 graus" - temperatura que degrada o azeite.

A manteiga não é indicada, pois também é cara e não substitui o óleo. No entanto, se for necessário usar, os óleos vegetais devem ser utilizados com moderação. "Prefiro recomendar que as pessoas não façam frituras. A margarina eu realmente não recomendo, principalmente as que são feitas à base de gordura hidrogenada ou gordura trans", explica Adriana.

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