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Saúde
NOTÍCIA

Metade dos brasileiros não está atento à carteira de vacinação regularmente, aponta pesquisa

Entre as opções, muitos afirmam que só acompanham a vacinação dos filhos ou só procuram o procedimento quando há surtos ou casos na família

Júlia Duarte
15:44 | 18/08/2020
A cobertura vacinal até junho deste ano está abaixo da meta, mas em 2019 conseguiu atingir os valores esperados pelo Ministério da Saúde (Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil)
A cobertura vacinal até junho deste ano está abaixo da meta, mas em 2019 conseguiu atingir os valores esperados pelo Ministério da Saúde (Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil)

Metade dos brasileiros afirma que não acompanha regularmente seu calendário de vacinação e, quando faz, é influenciado por eventos externos. É o que mostram dados da pesquisa Vacinação no Brasil: a percepção do brasileiro sobre a importância da imunização nos dias atuais, realizada pelo Ibope Inteligência, a pedido da Pfizer, em julho de 2020.

O estudo foi feito com 2 mil brasileiros na capital de São Paulo e nas regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba e Salvador. O resultado aponta que 1 em cada 5 pessoas só se preocupada se está com as vacinas em dia em casos de solicitação médica, quando algum familiar fala sobre o assunto ou durante surtos, epidemias e pandemias.

Além disso, 13% acompanham somente a carteirinha dos filhos e 17% nunca verificam, não têm, não sabem se têm ou onde está o documento. Pessoas com 55 anos ou mais são as que mais afirmaram não verificar a carteira da vacinação, enquanto que se encontra na faixa dos 35 ao 44 anos são os que mais deixam para procurar vacina quando está acontecendo um surto.

A pesquisa apontou que muitos pacientes não falam com seus médicos sobre isso. Esse panorama de desinformação a respeito da vacinação foi relatado por 85% dos entrevistados. A diretora médica da empresa que encomendou a pesquisa, a Pfizer Brasil, Márjori Dulcine reforça que as pessoas fiquem atentas ao cronograma de vacinação.Segundo ela, é um ato simples que pode salvar vidas. “Quando não prevenidas, diversas enfermidades podem, juntas, levar a quadros de saúde graves e de difícil identificação", afirma

Os impactos da Covid-19

A pesquisa também revelou uma mudança positiva em relação ao tema com a pandemia. Entre os entrevistados, 27% passaram a se informar mais sobre vacinas ou passaram a acreditar que a vacinação é importante para evitar doenças. A pandemia deve levar também a 90% dos ouvidos na pesquisa a tomar as vacinas recomendadas para a sua faixa etária no próximo ano.

Entretanto, ainda há um ambiente de desconfiança para a população. Os dados da pesquisa mostram que 18% dos entrevistados afirmaram que, em tempos de pandemia, estão em dúvida sobre se vacinar ou vacinar familiares, pois não sabem ao certo se é seguro sair para isso. Outros 10% das pessoas ouvidas preferem não sair de casa para imunizar a si ou seus familiares neste momento, mesmo com todos os cuidados de prevenção e de distanciamento social.

Além do ambiente, os entrevistados levantaram outras razões de porque temem as vacinas. Cerca de um em cada quatro entrevistados relatou sentir medo de ter possíveis efeitos colaterais graves, enquanto 22% teme efeitos colaterais leves. Quem acredita que a vacina vai causar a própria doença ou mesmo não vai fazer feito somam 25% dos entrevistados.

Durante a pandemia, a Secretaria da Saúde do Ceará reforça que tem orientado aos 184 municípios na intenção de passar atualizações em imunização e principais desafios enfrentados. A pasta explica que vem solicitando suporte aos Conselhos Estadual e Nacional para reforçar a importância da vacinação. Além disso, realizou o monitoramento das Coberturas Vacinais e enviou ofícios aos gestores municipais.

Com exceção da gripe, todas as vacinas ficam disponíveis durante todo o ano, fora do período de campanhas. A população pode ter acesso à imunização na Atenção Básica, nos postos de saúde, e no Centro de Saúde Meireles, da rede estadual. Até junho de 2020, o Ceará tinha cobertura vacinal ainda abaixo da meta, mas no ano anterior conseguiu atingir o patamar desejado pelo Ministério da Saúde(MS) para as principais vacinas.

A secretaria ressalta a importância da população acompanhar o calendário de vacinação 2020 para garantir a imunização. No cronograma são informadas as vacinas específicas destinadas a crianças, adolescentes, adultos, idosos e gestantes, de acordo com a faixa de idade. 

O Ministério da Saúde recomenda 4 vacinas para adultos entre 20 e 59 anos. A Hepatite B, que são três doses, de acordo com a situação vacinal, febre amarela, uma dose se nunca tiver sido vacinado, tríplice viral, se nunca vacinado, são duas doses para quem tem 20 a 29 anos e uma dose para 30 a 49 e a dupla adulto (DT), reforço a cada 10 anos.

Durante o ano de 2020, a campanha de vacinação contra o sarampo, iniciou no dia 23 de março e foi prorrogada até o dia 31 de agosto, para a vacinação seletiva da população até 49 anos.

Estão previstas para esse ano as Campanhas de Multivacinação, que acontecerá no período de 5 de outubro a 30 de outubro. A campanha vai atualizar a caderneta de vacinação das crianças e adolescentes menores de 15 anos de idade, conforme situação vacinal encontrada de acordo com o Calendário Nacional de Vacinação.

Simultaneamente vai ocorrerá a Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite, que tem como público alvo as crianças a partir de 12 meses a menores de 5 anos de idade, de forma indiscriminada.