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Saúde
NOTÍCIA

Pesquisadores encontram nova linhagem do zika vírus em circulação no Brasil

Conforme a pesquisa, há a possibilidade de um novo pico epidêmico de zika, "uma vez que a maior parte da população não tem anticorpos para essa nova linhagem do vírus"

21:13 | 23/06/2020
Linhagem africana do vírus até então não havia sido identificada no País  (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)
Linhagem africana do vírus até então não havia sido identificada no País (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Uma nova linhagem do vírus zika foi encontrada em circulação no Brasil por pesquisadores do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs) da Fiocruz Bahia. Descoberta foi publicada no início deste mês no periódico internacional The Journal of Infectious Diseases, e alerta para "uma possibilidade de reemergência da epidemia".

De acordo com a Fiocruz, a pesquisa analisou as sequências do vírus existentes em bancos de dados públicos para poder identificar as linhagens presentes no País. Foi constatada a emergência da linhagem africana do zika vírus, que até então não havia sido encontrado no Brasil. "A linhagem africana foi isolada em duas regiões diferentes do Brasil: no Sul, vindo do Rio Grande do Sul, e no Sudeste, do Rio de Janeiro", diz pesquisa.

Pela distância geográfica e pela diferença do hospedeiros da linhagem, um mosquito considerado "primo" do Aedes aegeypti, o Aedes albopictus, e uma espécie de macaco, o indicativo é de que a linhagem já circula "há algum tempo" em solo brasileiro. Conforme a pesquisa, há a possibilidade de um novo pico epidêmico da zika, "uma vez que a maior parte da população não tem anticorpos para essa nova linhagem do vírus". Leia o estudo na íntegra aqui.

Larissa Catharina Costa, uma das autoras do estudo, pontua que essa informação deve servir como alerta em meio à pandemia da Covid-19 para a população não esquecer de outras doenças graves, em especial as causadas pelo zika vírus. Estudos continuarão sendo feitos para evitar um novo surto da doença, agora que foi identificado um novo genótipo.

Foram analisadas 248 sequências virais brasileiras, presentes em base de dados do Centro Nacional de Informação Biotecnológica desde 2015, quando a epidemia estourou. Análise foi possível por meio de uma ferramenta de monitoramento genético desenvolvida por pesquisadores integrantes do Cidacs, do Instituto Gonçalo Muniz, da Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC) e da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública (EBMSP).

Cenário

Desde 2015, 3.534 bebês nasceram com Síndrome Congênita da Zika. A doença pode causar mortes e o desenvolvimento de quadros neurológicos de malformação congênita, como a microcefalia. Segundo boletim epidemiológico mais recente do Ministério da Saúde (MS), em 2020 a zika tem sido a arbovirose com menos casos registrados. Foram 3.692 casos prováveis notificados.