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Como se comportam as epidemias? Especialistas explicam

Sars, Mers, Ebola, H1N1, coronavírus. Especialistas comparam características comuns entre epidemias virais recentes

Lucas Braga
14:21 | 22/03/2020
Imagem de epidemia
Imagem de epidemia (Foto: Infografia)

Epidemias acontecem sazonalmente e, a depender do agente patógeno, podem ser muito perigosas a uma população. No inverno, com a aglomeração mais frequente de indivíduos, a probabilidade de propagação de um vírus respiratório também aumenta, desde simples resfriados a doenças mais graves.

Antônio Silva Lima Neto, gerente da Vigilância Epidemiológica de Fortaleza e pós-doutor em Arboviroses na Harvard School, detalha que a epidemias de vírus respiratórios no Nordeste do Brasil estão mais associadas à aglomeração e períodos de chuva. "Tanto que a transmissão do influenza no Nordeste tem calendário diferente do Sul", exemplifica, lembrando da pandemia do vírus H1N1, variante da gripe suína, em 2009.

Fator adicional comum às epidemias iniciadas na China, como a Covid-19, em 2020, e a Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars), entre 2002 e 2003, é a alta densidade populacional chinesa. "O país tem vivido surtos e epidemias de vírus atípicos porque os patógenos zoonóticos passam por mutações. Ao infectarem os hospedeiros humanos, se multiplicam rapidamente", analisa o médico infectologista Rafael Mesquita, do hospital São Camilo Fortaleza.

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Análises de cientistas chineses, publicadas no começo de fevereiro na revista Nature, revelam que 80% do material genético dos dois vírus é idêntico. Assim como o novo coronavírus, o vírus da Sars foi transmitido de morcegos para os humanos.

Epidemias são classificadas pela forma de transmissão do agente. Têm maior potencial pandêmico também aquelas que não matam o hospedeiro rapidamente, ao contrário do que aconteceu nos dois recentes surtos do vírus ebola - o primeiro, na África Ocidental, entre 2014 e 2016, e o segundo no Congo, no ano passado.

Como o ebola tem letalidade de até 90%, é menos provável que cause pandemia, por exemplo. Além disso, o vírus não é transmitido pelo ar, mas sim por contato direto com o sangue ou outros fluidos corporais de
pessoas infectadas.