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Saúde
NOTÍCIA

Sobrevida em casos mais graves de câncer de mama cresce 97,1% em 12 anos, aponta pesquisa

Durante o início da pesquisa, a cada 58 mulheres com câncer em estágio mais grave, apenas 12 conseguiam resultado positivo no tratamento. Quase duas décadas depois, a cada 74 casos, 34 mulheres conseguiam fazer o tratamento bem-sucedido

11:56 | 17/05/2019

O tratamento bem-sucedido do câncer de mama no estágio clínico de metástase teve crescimento nos últimos anos, segundo pesquisa feita no hospital A.C.Camargo Cancer Center, em São Paulo. O resultado indica que o avanço foi de 20,7% entre 2000 e 2004 para 40,8% entre 2010 e 2012. O estudo foi publicado em abril na revista científica Mastology, da Sociedade Brasileira de Mastologia

As pacientes foram acompanhadas de 2000 a 2017. Durante o início da pesquisa, a cada 58 mulheres no estágio IV (o mais grave), apenas 12 conseguiam resultado positivo no tratamento. Quase duas décadas depois, a cada 74 casos, 34 mulheres conseguiam fazer o tratamento bem-sucedido. Esse dado representa 97,1% de crescimento no prolongamento do tempo de vida das pacientes com câncer de mama nesses casos mais graves.

A pesquisa ainda mostrou que a doença atingiu sucesso no tratamento de 98,7% dos pacientes quando descoberta na fase inicial. E o número de pacientes com tratamento exitoso representou 82,7% das mulheres para o período de 2000 a 2004 e 89,9% para 2010 a 2012.

Uma das autoras do estudo, a médica epidemiologista Maria Paula Curado afirma que o diagnóstico precoce ainda é essencial para um tratamento bem-sucedido. A pesquisadora salienta que a utilização de biomarcadores (marcadores genéticos) no processo de diagnóstico avançado, proporcionado pela Ciência, é responsável por conseguir tratar com eficácia diferentes padrões de câncer de mama.

O trabalho contou com 5.095 pacientes com câncer de mama identificado entre os anos de 2000 a 2012. Cerca de 60% dessas mulheres estavam em estágios I e II da doença, nos quais os tumores são menores e medem entre 2,1 cm e 5 cm, conforme o Instituto Nacional de Câncer (Inca).

Em relação ao tipo da doença, todas as pacientes possuíam carcinoma ductal invasivo, que é o tipo de câncer mais comum e faz parte dos 70% dos cânceres de mama invasivos, os mais arriscados à saúde, de acordo com a ONG Instituto Oncoguia.

Por isso o estudo paulista contabiliza a análise de sobrevida (aumento do tempo de vida) nos últimos cinco anos a partir do banco de dados de 2017 da instituição. Assim, mesmo publicada neste ano, a pesquisa tem o recorte final dos dados colhidos entre 2010 e 2012 até 2017, que foi o último em que houve a análise se as mulheres com câncer estavam vivas ou conseguiram se tratar com êxito.

Idosas

Para as pacientes idosas (a partir de 60 anos), também teve aumento de sobrevida, segundo a pesquisa. Essa taxa para o grupo de 60 a 69 anos era de 78,2% no começo da pesquisa e passou para 90,1% no fim dela.

Os resultados favoráveis à continuidade da vida também se aplicam para o grupo de mulheres acima de 70 anos: de 75% para 82,2%.

Cearenses

De acordo com a assessoria de imprensa do hospital, não se pode informar a origem dos pacientes por questões contratuais. Mesmo atendendo pessoas de outros estados e países, não é possível afirmar se alguma cearense teria participado do estudo.

Câncer de mama

Segundo o Inca, a perspectiva é de 59,7 mil novos casos da doença para 2019.

Há cuidados com a saúde que podem ajudar as mulheres a não desenvolverem o câncer de mama, como evitar o uso de álcool, ter filhos quando jovem, possuir comportamentos saudáveis, evitando o sedentarismo, e não utilizar anticoncepcionais. As orientações são da médica epidemiologista Maria Paula Curado.

Lucas Albano/Especial para O Povo