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Saúde
Pneumologia

Dia Nacional de Combate à Tuberculose: Ceará registrou mais de três mil casos este ano

A doença, provocada pelo bacilo de Koch, provocou 71 mortes no Estado, em 2018. Hoje, Dia Nacional de Combate à Tuberculose, o alerta é para a prevenção da doença

10:30 | 17/11/2018
Doença cuja cura foi descoberta ainda na década de 1940, a tuberculose causou no Ceará, somente este ano, 71 mortes. Foram 3.039 casos notificados pela Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa). Este sábado, 17 de novembro, é data em que a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) definiu como Dia Nacional de Combate à Tuberculose. O alerta é para a prevenção.
 
 
Em entrevista ao O POVO Online, o médico infectologista Alberto Chebabo, 2º secretário da SBPT, faz o alerta. O maior número de mortes em decorrência da tuberculose acontece em pessoas já doentes ou que façam uso de medicamentos imunossupressores. Ou seja, que reduzem a ação do sistema imunológico. Portadores do vírus HIV/Aids ou pacientes de quimioterapia têm maior propensão.
 
Cerca de 70 mil novos casos da doença são notificados no País, por ano, maior que a incidência de câncer de mama ou próstata. Destes, em média, 4,5 mil morrem em decorrência da doença. “A doença vem avançando no Brasil e no mundo, sobretudo em países em desenvolvimento ou subdesenvolvidos. Ela está ligada à desnutrição”, frisa.
 
A transmissão acontece basicamente pelas vias aéreas (Ilustração: Reprodução/Twitter)
 
Dados da Sesa indicam que, entre 2016 e 2017, foram notificados 6.925 casos novos de tuberculose no Ceará em 165 municípios cearenses. Assim, em 90,2% do Estado, houve casos notificados de tuberculose.
 
Itaitinga concentra grande parte das unidades prisionais do Estado, o que contribui para que a incidência esteja acima de 100 casos por 100 mil habitantes, nos dois anos da análise.
  
Em 2017, o município de Altaneira, na Região do Cariri, também apresentou índice alarmante. Foram oito casos, sendo que a população estimada é de 7.344 habitantes.
 
Recomendações 
Relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta um terço dos casos de todo continente americano acontece no Brasil. 
 
  
O paciente diagnosticado deve ser mantido isolado até a segunda semana após o início do antibiótico e, de acordo com Alberto Chebabo, o tratamento deve ser feito por seis meses, mesmo que o paciente apresente melhoras na recuperação.
 
O principal risco para quem já teve a doença, ainda de acordo com o infectologista, é de a tuberculose voltar e o bacilo se tornar resistente aos antibióticos.
 
“Nesses casos, é necessário trocar por outro (remédio) ainda mais forte e usar as drogas por mais tempo”, detalha o médico.
  
Quando se reinicia o tratamento, as drogas usadas no combate são mais potentes e complexas. 
 
Saiba Mais 
A tuberculose é doença infecciosa causada pela bactéria Mycobacterium Tuberculosis e afeta principalmente os pulmões, embora possa atingir outros órgãos e sistemas, como: ossos, rins, gânglios e pleura (membrana que envolve os pulmões).
  
Principais sintomas
- Tosse constante (se durar três semanas, procure um médico);
- Sudorese noturna;
- Tosse com secreção (pus ou sangue);
- Fraqueza e cansaço excessivos;
- Febre vespertina e a perda rápida de peso;
- Dificuldade de respirar, e outras complicações pulmonares.
  
Diagnóstico
Existem formas graves da doença. Por isso, quanto mais rápido é a descoberta, melhor. O diagnóstico é realizado pela visualização do bacilo da tuberculose no escarro ou pela detecção do material genético do bacilo. Esta metodologia é hoje recomendada pela OMS para o diagnóstico mais rápido e precoce da doença.
  
Outro exame que pode ser realizado no sangue, o Quantiferon, é o mais indicado para diagnosticar contactantes de pessoas com tuberculose, que podem ter a doença na forma latente, ou seja, que ainda não apresentam sintomas da doença.

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