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Segredo para longevidade extrema pode estar mais relacionado aos genes do que hábitos saudáveis

22:10 | 03/05/2017
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[FOTO1]E se alcançar uma longevidade extrema, como passar com saúde dos 100 anos, estivesse mais relacionado aos fatores genéticos do que às práticas saudáveis? Isso é o que uma pesquisa conduzida pelo diretor do Instituto de Pesquisa sobre o Envelhecimento da escola de Medicina Albert Einstein, em Nova York, Doutor Nir Barzilai, quer confirmar.

Um exemplo é o caso de quatro irmãos da família Kahn, Helen, Irving, Peter e Lee, tendo morrido com 110, 109, 103 e 101 anos, respectivamente. Eles não eram exatamente o que se espera de alguém que supera a marca dos 100 anos. Veja o caso de Helen Kahn, quando ela foi entrevistada por Barzilai, segundo infomações do jornal espanhol El País, ele perguntou se ninguém tinha recomendado que ela parasse de fumar durante os 95 anos que ela fez isso. A resposta dela: "Sim, claro, mas os quatro médicos que me recomendaram deixar de fumar morreram".

Casos como esses fazem o Dr. Barzilai acreditar que o principal fator para longevidade está na génética e que é possível chegar aos 110 anos com saúde. O Projeto de Genes da Longevidade é o nome do estudo que busca investigar o material genético de 670 pessoas que viveram cerca de 100 anos ou mais. A pesquisa já está ocorrendo desde 1998 e, apesar de ainda existir o DNA para ser investigado, a maioria das pessoas sendo estudadas já faleceu. Todos são judeus asquenazes, de origem europeia e que representam cerca de 90% dos mais de 13 milhões de judeus existentes no mundo atualmente.

Sobre as pessoas que estão sendo pesquisadas, Barzilai explicou que "60% dos nossos homens centenários e 30% das nossas mulheres fumaram durante muito tempo. Quase 50% deles eram obesos durante sua vida e menos de 50% faziam exercício. Não fazem nada saudável. Tem os genes que os protegem. E temos que encontrá-los".

[SAIBAMAIS]Essa declaração foi durante o Congresso Interdisciplinar de Genética Humana. Lá, ele também falou sobre a descoberta de que, em geral, os pôneis vivem mais do que o resto dos cavalos, assim como cães pequenos vivem mais do que os grandes. Por isso, ele disse que estava errado em pensar que isso não poderia ocorrer com humanos. Observou que metade dos centenários do estudo não tem uma atividade correta do hormônio do crescimento, por diversos motivos. Essa menor produção do hormônio do crescimento é mais comum em mulheres e influencia na longevidade delas, mesmo quando eles já passaram dos 100 anos.

Além disso, nos irmãos Kahn, há uma mutação presente no gene associado a níveis maiores de colesterol bom. Também há uma maior proporção de pessoas centenárias com a mutação do que em qualquer outra faixa etária. Pessoas com essa mutação demonstram ter menor probabilidade de ter doença de Alzheimer. O teste clínico deve começar aproximadamente ao fim do terceiro trimestre de 2017 e com ele é que será possível confirmar as hipóteses. Dentre elas, a de que câncer, Alzheimer, AVCs, problemas cardiovasculares e outras doenças relacionadas ao envelhecimento podem ser retardadas em bloco.

Serão 3.000 voluntários de 65 a 80 anos, dentre eles, metade tomará metformina - droga bastante utilizada para controlar níveis de açucar no sangue em pacientes com diabetes tipo 2. Só que nesse caso ninguém tem diabetes. A outra metade servirá como grupo-controle e não tomará nada. A ideia é que a Metformina retarde as doenças do envelhecimento, na metade do grupo que tomará a substância, em relação a outra. Testes em animais associam a metformina a uma maior longevidade e há menos casos de câncer, Alzheimer e doenças cardiovasculares.

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