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Sabonetes que "matam até 99,9% das bactérias" são proibidos nos EUA

As marcas tiveram 3 anos para comprovar a eficácia do produto mas não conseguiram convencer a agência reguladora FDA, que deu prazo de 1 ano para que os produtos saiam do mercado

11:26 | 06/09/2016
Placas com bactérias encontradas em sabonetes
Placas com bactérias encontradas em sabonetes

Na semana passada, o FDA – órgão americano regulador de alimentos e remédios – baniu 19 compostos químicos usados na maioria dos sabonetes que dizem eliminar "até 99,9% das bactérias". A agência estipulou prazo de 1 ano para que os produtos saiam do mercado. As informações são da revista Exame.

Em 2013, a FDA solicitou comprovação de eficácia às marcas produtoras de sabonetes com bactericidas. Os estudos deveriam comprovar que o produto matava mais micróbios que o sabão comum. Contudo, grande parte das marcas não mandou documento algum, alegando que estudos clínicos com seres humanos são “caros e longos”.
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Ainda que ficasse provado que o sabonete bactericida realmente mata 99,9% das bactérias, isto não é necessariamente uma notícia boa.

Malefícios

Não se sabe exatamente o tempo de permanência dessas substâncias no organismo. O Triclosan, por exemplo, mesmo enxaguado, é absorvido pela pele e vai parar na urina.

Estudos mostram que o Triclocarban pode causar alterações nos hormônios da tireoide e na ação da testosterona. Testes com ratos na puberdade também mostraram riscos para o desenvolvimento sexual.

Segundo os pesquisadores, também é possível que bactericidas acabem selecionando bactérias resistentes a antibióticos. De 99,9% das bactérias mortas ao higienizar as mãos com um sabão antibacteriano, o 0,01% pode ter resistência genética ao princípio ativo do germicida. E vai continuar a se reproduzir, criando números cada vez maiores de bactérias resistentes.

Além dos químicos banidos, a FDA ainda vai analisar os desinfetantes de mão e os produtos usados em hospitais, para avaliar possíveis riscos ao usuário frequente, como enfermeiros, que limpam as mãos 110 vezes ao dia, em média.

Por enquanto, a recomendação do órgão norte-americano é lavar as mãos com água e sabão e usar desinfetantes de mão com mais de 60% de álcool.

Pesquisadores da Coreia do Sul comprovaram a ineficácia

Um estudo sul-coreano publicado em 2015 comprovou: sabonetes antibacterianos - à base de triclosan, um ingrediente controverso - não são mais eficazes do que os sabonetes comuns para desinfectar as mãos.

A equipe do médico Min-Suk Rhee, da Korea University, em Seul, analisou os efeitos do triclosan, o antisséptico mais presente nos sabonetes antibacterianos, sobre as bactérias. O triclosan é um agente bactericida usado em inúmeros produtos de higiene e cosméticos (sabonetes, cremes dentais, desodorantes).

Os pesquisadores testaram o componente químico em 20 cepas de bactérias e 16 voluntários adultos. Eles compararam sabonetes comuns e antibacterianos em termos de eficácia na hora de livrar as mãos das bactérias.

Eles expuseram as bactérias ao triclosan durante 20 segundos a 22ºC (temperatura ambiente de um cômodo) e a uma temperatura mais quente, recriando as condições de uma lavagem de mãos cotidiana em laboratório.

Os voluntários, após passarem uma semana sem recorrer aos sabonetes antibacterianos antes dos testes comparativos, lavaram as mãos com cuidado durante 30 segundos com os dois tipos de sabão e as enxaguaram com água quente.

Ao todo, "não há diferença significativa entre os efeitos bactericidas de um sabonete comum e os antibacterianos quando usados em situações normais da vida", disse o estudo.

"Milhões de consumidores nos Estados Unidos usam sabonetes antibacterianos para lavar as mãos ou o corpo, gastando quase um bilhão de dólares ao ano", notaram os pesquisadores à época.

 

Redação O POVO Online

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