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''Leite'' de barata é três vezes mais nutritivo que o de vaca, aponta estudo

A análise mostrou que a substância é formada por açúcares, gordura e proteína. O leite da Diploptera punctata poderia ser uma alternativa alimentar no futuro

09:15 | 29/07/2016
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Cientistas do Instituto de Biologia de Células Mãe e Medicina Regenerativa (InStem - em inglês), com sede na Índia, descobriram que o ''leite'' da barata Diploptera punctata é altamente nutritivo. A substância com a qual essas espécies alimentam suas crias possui, inclusive, três vezes mais energia que o leite das vacas. A pesquisa foi publicada em julho, na revista International Union of Crystallography.

A maioria das baratas põe ovos, mas a Diploptera punctata dá à luz embriões vivos, que se desenvolvem em órgãos carnudos dentro da mãe chamados de "brood sacs" (''sacos de cria'', em inglês). O leite produzido pelas mães se transforma em cristais após a ingestão das crias, apontou o estudo.

Para chegar aos resultados, os pesquisadores cortaram o intestino médio dos embriões das baratas. Como não conseguiram extrair o "leite" das baratas, foi preciso sequenciar os genes responsáveis pela produção dos cristais protéicos, copiando-os em laboratório.

A análise mostrou que a substância é formada por açúcares, gordura e proteína. ''Os cristais encontrados na Diploptera são como comidas completas, possuem proteínas, gorduras e açúcares. Se olharmos dentro das sequências das proteínas, elas têm todos os aminoácidos essenciais”, disse o especialista Sanchari Banerjee, coautor do estudo, em comunicado.

Alternativa alimentar
Com um valor protéico tão alto, o leite da barata Diploptera punctata poderia ser uma alternativa alimentar no futuro. O maior desafio, segundo bioquímico e pesquisador Ramaswamy, seria convencer os humanos a consumirem produtos com a substância.

''Não acho que alguém vai gostar se você disser: 'Nós extraímos cristais de uma barata e isso será comida'. Eu posso vê-lo [leite de barata] em bebidas de proteína", disse ao The Washington Post.

Também há a dificuldade de se extrair o material das baratas, que não têm mamilos. E, claro, ainda será necessário verificar se os cristais sintéticos são tóxicos para os humanos. Um amigo de Ramaswamy , que experimentou o leite, contou que ele tem um ''gosto que não se parece com nada em especial”.

Confira o vídeo que mostra os “cristais” produzidos pela Diploptera punctata (em resolução atômica):

[VIDEO1]

Redação O POVO Online

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