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As duas clínicas odontológicas com aprovação da ONA são do Ceará

Entre os itens avaliados, estão a capacitação profissional, condições operacionais e de infraestrutura, diretrizes de prevenção e controle de infecções

21:00 | 25/07/2016
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Atualmente, apenas duas clínicas odontológicas alcançaram os padrões exigidos para acreditação da Organização Nacional da Acreditação (ONA): os Centros de Especialidade Odontológica (CEOs) em Cascavel e Limoeiro do Norte, ambos no Ceará. Entre os itens avaliados, estão a capacitação profissional, condições operacionais e de infraestrutura, diretrizes de prevenção e controle de infecções.

A avaliação da organização se deve à vunerabilidade em que estão expostos os pacientes de consultórios, já que estão mais propensos a erros que em hospitais. Os incidentes não dependem da complexidade do procedimento, desde uma simples limpeza a uma cirurgia, a exposição à esses riscos é alta.

"Hospitais, apesar de possuírem cenário com grandes nuances que podem levar ao erro, já ingressaram no universo da segurança do paciente bem antes da odontologia e, por isso, tiveram a oportunidade de se organizar e estruturar barreiras e ferramentas para redução de risco... Estamos muito atrasados no tema da segurança do paciente para a Odontologia, e esse assunto é de extrema relevância para a sociedade e para as boas práticas na saúde", disse a odontológa Isabela Castro.

A profissional explica que dentro de uma instituição odontológica podem acontecer os mais variados eventos, dos mais simples, até eventos mais graves, com dano ao paciente, ou mesmo ao próprio profissional e à sua equipe.

"Não é raro acontecerem eventos como a extração de dente errado, complicações na anestesia local, acidentes com eventos de engasgos ou broncoaspiração, seja da água usada pelo motor de alta rotação, o temido motorzinho, ou ainda por saliva, materiais manipulados durante procedimento ou ainda de dentes e coroas protéticas. A natureza do evento, porém, não está apenas relacionada aos procedimentos, ela tem relação com a especialidade principal a que o cirurgião dentista se dedica", disse.


De acordo com Isabela o cirurgião deve estar alinhado também às necessidades dos grupos mais vulneráveis, tais como pacientes idosos ou com necessidades especiais. Nesses grupos, a atenção deverá ser redobrada. "É preciso ter um conhecimento altamente ampliado para indicação segura de qualquer tipo de terapia nesses grupos. Já vi casos de o paciente chegar ao CTI porque engoliu peças de implante ou prótese durante um procedimento odontológico", relata.


Outras situações mais complexas também podem acontecer, mesmo a médio prazo. Se o dentista não valorizar o questionário de saúde do paciente e todas as suas informações prévias, os danos podem ser graves. "Uma complicação que pode ocorrer é a osteonecrose dos maxilares, uma ferida altamente dolorosa e de tratamento longo e difícil, que pode ser induzida por extração de um dente de paciente que faz uso de bifosfonato ou que recebeu tratamento para o câncer previamente", exemplifica.

Erros

Isabela cita vários outros erros que, com simples medidas, poderiam ser facilmente evitados. "Já entrei em consultório em que os instrumentos cirúrgicos eram 'esterilizados' com água fervente", conta.

Ela relata ainda outros que são igualmente preocupantes, como:
- erros de diagnóstico e terapêutica, que faz o paciente perder o tempo de cura;
- erro no planejamento e técnica na extração do dente que pode ocasionar na entrada do dente no seio maxilar;
- uso indiscriminado de antibióticos;
- falta de conhecimento nos protocolos e indicações de prescrição frente a Endocardite infecciosa.

Como evitar

Uma maneira de clínicas odontológicas aprimorarem a segurança do paciente é por meio da acreditação, a certificação concedida a instituições de saúde que seguem padrões de qualidade e segurança

Redação O POVO Online

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