Embora Luizianne se diga "massacrada", aliados acreditam em vitória sobre Evandro

Aliados da ex-prefeita afirmam que Encontro, assim como as prévias, também expressará vontade da base petista em Fortaleza

Apesar de a ex-prefeita Luizianne Lins (PT) se definir "massacrada" na corrida interna petista sobre quem concorrerá à Prefeitura de Fortaleza, aliados dela disseram ao O POVO que a disputa contra o presidente da Assembleia Legislativa do Ceará, Evandro Leitão (PT), está em aberto. A estratégia da deputada federal e dos grupos que a apoiam era forçar uma decisão por prévias, modelo no qual filiados ao PT de Fortaleza poderiam se manifestar diretamente nas urnas sobre o nome de preferência, isto é, sem o intermédio de delegados, como no Encontro Municipal. 

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O Encontro foi o formato escolhido após acordo entre Luizianne e o governador Elmano de Freitas (PT). A definição foi oficializada nessa quarta-feira, 13, na sede da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado do Ceará (Fetraece). As chapas de candidatos a delegados que irão concorrer serão eleitas em 7 de abril. O número de delegados é, pelo menos, quatro vezes maior que o tamanho do diretório municipal de 46 membros. Seriam, no mínimo, 184 delegados. PT definiu 200.

O encontro está marcado para 21 de abril. Além de Evandro e Luizianne, concorrem Artur Bruno, assessor especial da Casa Civil; Guilherme Sampaio, vereador licenciado e deputado em exercício; e Larissa Gaspar, deputada estadual.

Luizianne obteve o apoio de 19 dos 46 membros do Diretório Municipal, quantitativo que lhe daria possibilidade de levar a disputa para as prévias. Uma nota foi assinada nesta linha. O entendimento da pré-candidatura da petista é de que o enraizamento entre os fortalezenses decorrente de 35 anos de petismo, dos quais oito como ex-prefeita da Capital, lhe fariam prevalecer sobre o recém-filiado ao PT sem maiores transtornos políticos.

Conforme Deodato Ramalho, ex-presidente do PT de Fortaleza, o Encontro Municipal, assim como as prévias, será também uma manifestação autêntica da vontade dos filiados ao PT, não um jogo de cúpula. "É claro que a prévia coloca apenas o nome dos candidatos que estão em disputa, ok? No entanto, o Encontro também passa necessariamente pela votação dos filiados e das filiadas. Então, por exemplo, a candidatura da Luizianne vai apresentar uma chapa para eleger delegados. A candidatura dos 'outros' vai fazer a mesma coisa. Então, nós vamos para a disputa no voto, do mesmo jeito como se fosse a prévia", afirmou Ramalho, do grupo interno petista Articulação de Esquerda.

Para Ramalho, o que definirá a disputa não será a adesão de grupos ligados a Artur, Guilherme ou Larissa, mas a base de filiados. "Seria mais os próprios filiados, na base, ao sentir que a disputa é mesmo é entre a Luizianne Lins e o Evandro. Ah, e o voto é secreto", salientou. 

Deodato também ponderou a possibilidade de possíveis distorções da democracia interna petista. "Às vezes tem pessoas que desprezam ou diminuem esse aspecto de consulta direta ao eleitorado por Encontro, numa perspectiva muitas vezes ilegítima de se utilizar de expedientes que não sejam os democráticos para convencer os delegados depois de eleitos pela base. O que vai prevalecer mesmo é a vontade da base."

Outro aliado de Luizianne, Paulo Assunção tem sintonia com o pensamento de Deodato. "A nossa meta será ter 50% mais 1 dos delegados e delegadas do encontro. Com isso teremos a legitimidade que evitará qualquer surpresa na definição do nome", afirma Assunção, segundo quem a tarefa que se impõe é de conversa com a militância. 

"Eu acredito que todo e qualquer filiado do partido tenderiam a votar internamente em Luizianne, porém como os companheiros e a companheira continuam mantendo com legitimidade suas candidaturas, devem continuar em princípio construindo em suas respectivas chapas. A partir do momento que a militância compreender que realmente só teremos duas candidaturas com mais chances, imagino que possam migrar para a nossa tese de Luizianne prefeita", complementou Assunção, do grupo interno petista OPTei.

Conforme a direção municipal do PT, a legenda tem cerca de 40.799 filiados. Entretanto, de acordo com números do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a instância de Fortaleza tem cerca de 22 mil filiados ativos ao PT. Guilherme Sampaio, presidente municipal do PT, disse ao O POVO em janeiro que tradicionalmente somente uma parcela deste número comparece às votações.

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