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Renan Calheiros diz que não será candidato à presidência do Senado

14:50 | Out. 17, 2018
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Reeleito por Alagoas, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) disse nesta quarta-feira, 17, que não vai se candidatar à presidência do Senado em 2019, quando começa a próxima legislatura. Calheiros foi presidente da Casa por duas vezes e voltou a ter seu nome ventilado nas últimas semanas em razão do resultado das eleições, quando os senadores mais experientes do Congresso não conseguiram se reeleger.

"É preciso conhecer o que é que vai chegar nas casas. Isso não é um projeto pessoal. A presidência do Senado e do Congresso não é um fim em si mesmo. Já fui quatro vezes candidato à presidência do Senado. Não sou candidato, não vou postular. Hoje, o Antagonista lançou minha candidatura e disse que já tenho 40 votos. Eu não cogito isso. É preciso compreender a complexidade do momento que vive o País. Eu quero colaborar da planície", afirmou ele. "Não vou mudar de ideia, já fui (candidato) quatro vezes."

Calheiros evitou dizer que o MDB deve ter prioridade para presidir o Senado, já que elegeu a maior bancada da Casa para a legislatura que se inicia no ano que vem. "O regimento diz que (a presidência do Senado deve ficar com a maior bancada) na medida do possível. Na medida do possível é quando você tem condições políticas", afirmou.

O senador foi questionado então sobre como avalia o nome da senadora Simone Tebet (MDB-MS) para o posto, já que ela começa a ganhar força, nos bastidores, como alternativa ao próprio Renan. "O Senado não tem escassez de nomes. A senadora Simone Tibet mesmo é um excelente nome. Eu acho que tem que aguardar. Essa discussão não deve ser tratada antes de fevereiro de 2019."

Agência Estado

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"É crime agora ser rico no Brasil", diz Bolsonaro sobre taxação de grandes fortunas

Reforma tributária
22:39 | Ago. 02, 2021
Autor Lara Vieira
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O presidente Jair Bolsonaro fez declarações criticando as propostas de taxação sobre grandes fortunas. Ironizando, o chefe de Estado disse que virou “crime ser rico no Brasil”. A declaração foi dada nesta segunda-feira, 2, durante lançamento de um programa para construção de cisternas em escolas públicas, no Ministério da Cidadania. A fala é um posicionamento sobre as propostas de reforma tributária, que interferem nas regras do Imposto de Renda.

"Alguns querem que eu taxe grandes fortunas no Brasil. É um crime agora ser rico no Brasil. A França, há poucas décadas, fez isso. O capital foi para a Rússia", disse Bolsonaro durante evento. De acordo com o jornal Folha de São Paulo, em seu discurso, Bolsonaro também fez críticas aos governos da Argentina e Venezuela. "Querem que se aumente carga tributária, que se tabele preços, como a Argentina fez com a carne. Não só faltou no mercado, como subiu de preço", disse ainda Bolsonaro.

Segundo o presidente, caso governos de esquerda voltem ao poder no país, o Brasil pode entrar em crise. "Escolhas erradas, populista, demagógicas. Vendendo ilusão. Prometendo paraíso. Dividir riqueza e renda. Alguém conhece algum empresário socialista? Algum empreendedor comunista?", disse Bolsonaro.

A proposta preliminar da segunda fase da reforma tributária desagradou, principalmente, a classe empresarial. De acordo com a proposta, as regras exigiriam taxação de 20% sobre a distribuição de lucros e dividendos aos acionistas, além de cortar o IR para as empresas. O ministro da Economia, Paulo Guedes, no entanto, disse aos empresariado que estava disposto a rever pontos da proposta.

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Ciro Gomes quer Datena como vice

22:32 | Ago. 02, 2021
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Tipo Opinião

O presidenciável Ciro Gomes (PDT) está buscando um vice que seja do Sudeste. O objetivo dele é contrabalançar apoio e força política de olho numa campanha de 2022 que promete ser das mais difíceis. Com esse objetivo, ele conversa com várias lideranças e inclui nesse script um papo com o radialista José Luiz Datena (Rede Band), que, inclusive, deu adeus ao MDB e se filiou ao PSL, antigo partido do presidente Jair Bolsonaro. Ciro quer convencer Datena a entrar em sua chapa como vice. Na prática, estariam juntos um representante do Nordeste e outro de São Paulo, o maior colégio eleitoral do País. Resta saber se tal articulação resistirá, até porque Datena adora lançar-se pré-candidato em pleitos para, depois, desistir. Quanto a Ciro, está retomando sua agenda de palestras, com reforço do discurso contra Lula e Bolsonaro.

Cirurgia

Clodoveu Arruda, ex-prefeito de Sobral e marido da vice-governadora Izolda Cela, retorna hoje de São Paulo. Ali, ele se submeteu a uma cirurgia para retirada de um nódulo benigno do lado parietal da cabeça.

Cirurgia 2

Restabelecido, Clodoveu Arruda retoma ao batente nesta semana na presidência da Associação Bem Comum, fundada por ele e apoiada pela Fundação Lemann, que presta consultoria na área da educação pública a dezenas de municípios e estados brasileiros.

Tombamento

O Iphan/CE iniciou, oficialmente, dia 30 último, o processo de tombamento do conjunto urbano e histórico do Centro de Fortaleza. "Será a maior ação de proteção e reconhecimento da memória de nossa cidade", destaca Cândido Henrique, superintendente.

Senador Tasso Jereissati (Foto: AURÉLIO ALVES )
Foto: AURÉLIO ALVES Senador Tasso Jereissati

No paralelo

O senador Tasso Jereissati, com nome apontado para uma Terceira Via na peleja presidencial, vem sendo cortejado a aceitar sair vice na chapa do governador João Dória. Há conversas nesse sentido, mas Tasso, até agora, está de bico tucano calado.

I love Cocó

A Assembleia Legislativa, por meio do Inesp, sob direção de João Miranda, lançará, às 19 horas da próxima sexta-feira, durante uma live, o álbum "Parque Estadual do Cocó - O sonho verde de Fortaleza". Com aval da Secretaria Estadual do Meio Ambiente.

Direito 2021

A Urca promove, até sexta-feira, em seu campus de Iguatu, o IV Congresso Nacional de Direito e XI Semana de Direito. O tema é "Direito e a Covid-19: os reflexos da pandemia nas questões jurídicas", com transmissão pelo canal do Youtube da Urca.

Compensação

Relator da Reforma Tributária, o deputado Celso Sabino esteve reunido com alguns titulares de Sefaz, que pediram para compensar cortes no IR que podem atingir Estados e Municípios. Ele prometeu mexer no texto, informa a secretária Fernanda Pacobahyba.

70%

dos entrevistados numa pesquisa da CNI avaliam que a pandemia da Covid-19 deve perder força daqui para frente. Uma minoria (18%), no entanto, teme aumento de mortes.

Jogo 2022

O governador Camilo Santana entregou ontem, em ato on-line, as areninhas de Jati, Jaguaretama, General Sampaio, Cariré e Paraipaba. Segundo o Abolição, ainda neste ano virão novas entregas. Areninha, além de incentivar o esporte, rende votos.

Meu Jesus!

Num fórum de ministros da Cultura, em Roma, o ministro do Turismo, Gilson Machado, disse que 66% do território brasileiro "continua do mesmo jeito que estava quando Jesus veio à Terra". É nisso que dá um País não ter pasta da Cultura.

Sobe

Crescimento de 20% da arrecadação estadual, o segundo a gerar mais empregos no NE deixando Camilo Santana com sorriso de ponta a ponta da orelha.

Desce

Chacina em Caucaia, com cinco mortos e dois baleados. A SSPDS precisa agir firme contra facções criminosas sempre denunciadas pela Prefeitura.

Horizontais

Prossegue, até amanhã, o Fórum de Economia Criativa com o tema 'Artesanato & Negócios". Todo on-line e pelas redes sociais do Sindieventos. /// Cássia Carolina, aluna do Colégio Master, conquistou medalha de bronze na Olimpíada Internacional de Química (Japão). /// Por que supermercados de Fortaleza só vendem goiaba verde? /// Só lembrando: "Diante de tudo o que o País está passando, será que o mês de agosto ainda assusta alguém?"

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Covid: "Pior já passou" e foco é detectar casos da variante Delta, diz Cabeto

MONITORAMENTO
22:32 | Ago. 02, 2021
Autor Ana Rute Ramires
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Tipo Noticia

Os registros diários de casos de Covid-19 têm sido raros nos últimos dias, aponta o secretário da Saúde do Ceará, Carlos Martins Rodrigues Sobrinho, o Dr. Cabeto. A cada 100 exames para diagnóstico do vírus, apenas cinco são positivos, segundo o médico. Ele considera que o "pior já passou", no que se refere à curva da pandemia no Ceará. 

O secretário comentou sobre o cenário epidemiológico em entrevista no programa Domingo Debate, na rádio Assunção, nesse domingo, 1º. "A gente teve um momento inicial de medidas agudas para conseguir atender, de se preparar para uma segunda onda, que o Ceará fez de maneira muito eficiente. Agora, é momento de um bom monitoramento principalmente de vigilância dessas variações virais", detalhou.

Com a redução de casos e hospitalizações, o Estado está redirecionando leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) que eram destinados a pacientes com Covid-19 para a realização cirurgias eletivas novamente. "Chegamos a ter a cada 100 exames, 70 positivos. Hoje, a cada 100 exames, cinco são positivos. Em geral, casos mais leves. Mas isso obriga a manter a testagem e os cuidados", destaca.

Dentro da estratégia de monitoramento, o secretário evidencia a importância das barreiras sanitárias. Além do Centro de Testagem já instalado no Aeroporto Internacional de Fortaleza, a ideia é colocar estruturas semelhantes em outros aeroportos e das rodoviárias do Estado.

Ele destaca que o Estado montou um sistema próprio no Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará (Hemoce) para realizar o sequenciamento genético do vírus a fim de identificar variantes. Na semana passada, os primeiros casos da variante Delta foram confirmados no Estado, com identificação da variação viral em quatro viajantes vindos do Rio de Janeiro.

LEIA TAMBÉM | Chegada da variante delta no Ceará preocupa especialistas; orientação é redobrar os cuidados

"Tradicionalmente, isso é feito na Fiocruz. Todos os Estados encaminham os casos suspeitos. Isso para a gente era pouco. Se nós tivéssemos esperado o modelo nacional, a gente ia descobrir isso daqui um mês", compara.

Dr. Cabeto destaca que a variante Delta tem se apresentado com comportamentos diferentes ao redor do mundo. "Em países com taxa de vacinação muito baixa, ela tem se tornado altamente contagiosa. Em locais onde a taxa de vacinação é alta, principalmente a vacinação completa, isso tem sido menos importante", conclui.

 

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A segunda família mais poderosa do Ceará

POLÍTICA
22:31 | Ago. 02, 2021
Autor Érico Firmo
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Érico Firmo Autor
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Tipo Opinião

As eleições de domingo em Martinópole, Missão Velha e Pedra Branca não são o que se poderia chamar de um acontecimento capaz de desestabilizar a geopolítica no Ceará. São municípios, respectivamente, no Norte do Estado, no Cariri, ao sul, e no Sertão Central. Têm significa relevância em suas regiões. O maior deles é Pedra Branca, com 43 mil habitantes, seguido não de longe por Missão Velha, com 35 mil. Já Martinópole tem 11 mil. Sem demérito de nenhum deles, fosse uma eleição regular, ocorrendo também nos outros 181 municípios do Ceará, dificilmente eu estaria falando deles aqui. Não por irrelevância deles, mas pela concorrência e as atenções divididas. Ocorre que os eleitos em 2020 foram cassados e as eleições ocorreram domingo de forma suplementar. E as votações cresceram em relevância e repercussão. Chamaram atenção de líderes políticos estaduais e nacionais. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) gravou para a petista Fitinha. Mas, ela acabou ainda assim derrotada por Dr. Lorim (PDT), que teve o pedetista Ciro Gomes como cabo eleitoral. No Telegram, Flávio Bolsonaro, do Patriota, comentou o resultado dizendo que “Lula já era”. Obviamente, políticos estaduais entraram forte e concentraram suas atenções ali.

Chama atenção o desempenho dos aliados de Domingos Filho (PSD). A família Aguiar já havia saído das urnas em 2020 como segunda maior força em prefeituras no Ceará. A primeira são os Ferreira Gomes. O grupo dos dois Domingos, o Filho e o Neto, e de Patrícia Aguiar obteve vitórias em Missão Velha e Pedra Branca. O PSD tem 29 prefeitos, mas também aliados fora. Só não está mais forte porque a legenda perdeu Caucaia no ano passado.

Domingos já foi importante aliado de Eunício Oliveira (MDB) e virou presidente da Assembleia Legislativa no primeiro mandato de Cid Gomes (PDT) como governador. Os dois se entenderam tão bem que ele foi escolha pessoal de Cid para virar seu vice no segundo mandato. Em 2014, ficou contrariado quando Cid se recusou a transferir o governo para ele numa eventual desincompatibilização. Em 2016, veio o rompimento. Em 2018, voltou ao governismo. É hoje quem melhor transita entre a base aliada estadual e federal, que são antagônicas. O grupo está de olho na vaga de vice-governador em 2022.

Em Martinópole, o vencedor foi do PP, partido controlado por outra poderosa família, os Albuquerque, que também transitam entre o governismo local e estadual, com mais tribulações aparentes.

Domingos Filho não esconde de ninguém o sonho de ser governador um dia. Zezinho Albuquerque também não. Para o ano que vem está difícil para ambos, então, vão ocupando espaços.

O incêndio na Cinemateca, Bolsonaro e o PT

O secretário especial da Cultura do governo Jair Bolsonaro, o ator Mário Frias, encontrou responsável pelo incêndio da Cinemateca Brasileira. "O estado que recebemos a Cinemateca é uma das heranças malditas do governo apocalíptico do petismo, que destruiu todo o estado para rapinar o dinheiro público e sustentar uma imensa quadrilha de corrupção e sujeira criminosa."

Gestão pública é de fato feita de continuidade. Para o bem ou para o mal, as coisas não começam ou terminam em uma administração. Porém, Frias adota um comportamento muito recorrente. Joga para os antecessores o problema e puxa para si os méritos que porventura haja. O discurso de Frias atinge unicamente aos propósitos de não assumir a responsabilidade e fazer futrica política.

Não sei em que condição Dilma Rousseff (PT) deixou a Cinemateca ao ser afastada, no dia 12 de maio de 2016. Mas, já se vão cinco anos, dois meses e 22 dias. Tempo de evitar um incêndio tinha dado, não é não? Sem falar que, entre o PT e Bolsonaro, houve outro governo, de Michel Temer (MDB). Bolsonaro governa há mais de dois anos e meio. Quanto tempo dura a prevenção de incêndio?

O engraçado é que, ao inaugurar obras da transposição conduzidas mais de 90% por governos anteriores, aí a administração Bolsonaro puxa os méritos apenas para si.

E, veja bem, merece ser creditado por estar concluindo o trabalho que os outros governos sucessivamente atrasaram. A primeira parte da transposição tinha previsão para sair no governo Lula, mas foi entregue por Temer. O emedebista previa que as águas chegassem ao Ceará no mandato dele, mas ficou para Bolsonaro.

Tivessem as obras sido entregues no prazo minimamente aproximado, Lula, Dilma e Temer não veriam Bolsonaro apagar o papel que tiveram. Mesmo assim, não é honesto apresentar-se como quem fez tudo. Aí, quando a obra tem problema e até gente morre no Ceará, aí se lembra que há outras administrações envolvidas.

Ouça o podcast Jogo Político:

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A favela sem espinhos

22:30 | Ago. 02, 2021
Autor Flávio Paiva
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Flávio Paiva Autor
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Tipo Crônica

Havia um agito na cidade, mas na minha casa tudo permanecia calmo. Minha mãe tinha me chamado para almoçar e eu tinha dito "vou já" porque estava finalizando uma brincadeira na sala. Meu pai já estava sentado à mesa do alpendre interno onde normalmente fazíamos as refeições.

Escutei uma batida na porta. Levantei-me para ver quem era e vi que havia muita gente na calçada e na rua. Uma pessoa me perguntou:

- Seu Toinzinho está aí?

- Sim - respondi um tanto reticente.

- Pois diga a ele que o governador está aqui e quer falar com ele.

Quando ouvi a palavra "governador" corri logo para avisar ao meu pai. Mas ele achando improvável aquela visita, pensou que fosse brincadeira minha e disse:

- Diga a ele que pode entrar.

Voltei na mesma pisada e repeti:

- Meu pai disse que o governador pode entrar.

E lá se foi o governador César Cals (1926 - 1991), a primeira-dama Marieta (1926 - 2013) e toda a comitiva corredor adentro.

Quando se deu conta da situação, meu pai ficou meio sem jeito e saiu cobrindo as panelas e pedindo à minha mãe para fazer o mesmo. Ainda deu tempo de colocar um chapéu e de calçar as alpercatas. O governador informou que gostaria de conhecer o raro pé de favela sem espinhos que havia no nosso quintal (e que permanece até hoje).

Entre a parte onde cultivávamos canteiros de hortaliças e um pequeno pomar com mamão, seriguela, romã, laranja e limão, havia um pequeno portão e, em seguida, um muro cuja passagem, mesmo aberta, exigia atenção especial por ter batentes de pedras irregulares e o teto muito baixo.

Quando deu o passo sobre a pedra mais alta, a dona Marieta bateu com a cabeça na parte de cima do portal. Foi um deus nos acuda. Ela tinha um cabelão bem arrumado, cheio de laquê, e tudo ficou tomado de sujeira. Os óculos escuros, do tipo jakie-o, caíram no chão.

Constatado que estava tudo bem, técnicos agrícolas passaram a explicar ao governador a relevância da multiplicação daquela árvore para a convivência com a seca. Estávamos na primeira metade da década de 1970 e o Ceará atravessava um longo período de estiagem agressiva.

Tive receio de que eles fossem arrancar e levar o faveleiro com eles. Peguei a minha baladeira e fiquei preparado para o pior. Meu pai percebeu a apreensão que tomava conta de mim e me tranquilizou dizendo que nada de mau aconteceria ao pé de favela.

Descobri posteriormente que os faveleiros, mesmo cheios de espinhos dolorosos, deram grande contribuição à sustentação da comunidade de Canudos, destruída por tropas federais no massacre que matou Antônio Conselheiro (1830 - 1897). O leite e a carne que alimentava aquele arraial decorria da criação de cabras, alimentadas com forragem de pé de favela.

A expressão favela passou a ser utilizada para designar os aglomerados urbanos periféricos após a chegada ao Rio de Janeiro dos sobreviventes da destruição de Canudos. Foram chamados de favelados todos aqueles que ocuparam o Morro da Providência, posteriormente apelidado de Morro da Favela.

Mas, voltando ao quintal lá de casa, os pesquisadores falaram do potencial do faveleiro (jatropha phyllacantha) como fonte de proteína, carboidrato, cálcio, fósforo e ferro em terras áridas e pedregosas. Depois que eles foram embora sentamos à mesa e meu pai falou:

- Meu filho, por que você não me disse que era mesmo o governador que estava lá fora?

- Mas foi o que eu disse.

E começamos a rir da comédia.

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